Voce me Deixou sem Folego
Quem tem medo de ser, já deixou de se tornar aquilo que sonha.
Pois quem sonha, consolida a razão no fazer,
entende que entre sonhar e viver existe uma escolha:
ou transformar o sonho em passos,
ou permanecer parado, vivendo só na imaginação.
Me amas? Mostre-me com atitudes;
Me invejas? Foda-se;
Sente saudades? Procure-me;
Me deixou para trás? Siga o teu rumo;
Se apaixonou-se? O problema é teu;
Gosta de mim de coração? Seja fiel;
Decisão entre eu e outra pessoa? Não me venha com mentiras;
Quer estar ao meu lado? Corra junto a mim;
Quando tudo que ofereceu deixou de ser suficiente, lembre-se: ali deixou de ser seu lugar.
23/11/2025 Lauriana Alencar
A experiência deixou de bastar a si — aquilo que é vivido e sentido perdeu autonomia e passou a exigir confirmação para ser reconhecido como real. O que não circula parece não existir, e o que não existe deixa de ser vivido. Assim, a realidade é terceirizada ao olhar alheio: não se vive para sentir, vive-se para validar — e, nesse desvio, a própria experiência se esvazia antes mesmo de acontecer.
A visibilidade deixou de ser excesso — tornou-se prótese. Não se exibe por abundância, mas por sustentação: sem o olhar do outro, o sujeito não encontra chão suficiente para existir. A audiência não é ornamento, é muleta existencial. E assim, quanto mais se mostra, mais se revela a dependência — não de ser visto, mas de só conseguir ser quando visto.
Minha mãe partiu, mas deixou uma missão, Meu filho, não procure apenas ser lembrado… procure deixar valor na vida das pessoas. Hoje cada vitória minha carrega um pedaço dela.
Quando algo fica mesmo depois de mil despedidas, é porque deixou de ser “pendência” e virou parte da tua estrutura. Pode ser um amor, um talento, um chamado, uma ferida que moldou teu jeito de ver o mundo.
Nem tudo que fica é pra ser arrancado; às vezes é pra ser compreendido, acolhido e usado a teu favor.
Tem coisa que não sai porque, no fundo, é você também.
“Nem todo coração protegido pelos espinhos deixou de ser delicado. Alguns apenas aprenderam a florescer em silêncio.”
O Templo Invisível…
O curso das eras se rasgou, e o ritmo das horas deixou de fluir como rio ou ascender como chama. O instante tornou-se substância imóvel, pesado como metal antigo, e nele ecoam ressonâncias que não se podem nomear.
O que parecia restrição revelou-se fundamento, e a dilatação dos espaços mostrou-se sem medida, mais vasta que a própria vastidão. Eis o paradoxo que não se desfaz: o limite sustenta, a abertura consome.
Inscrições não esculpidas habitam o ar, invisíveis e, contudo, gravadas mais fundo que qualquer pedra. Cada sombra revela peso de realidade, e cada sopro oculta em si um arquivo de eternidade.
Fontes que jorravam se calaram sem se extinguir, e o cântico que soava inteiro dispersou-se em notas soltas, como fragmentos de um idioma cujo alfabeto se perdeu.
Assim se ergue o mistério: o que cessou não cessou; o que se ocultou tornou-se mais manifesto; o que não se nomeia ressoa além de toda voz.
E, no ponto mais secreto, suspenso entre o antes e o depois, ergue-se o templo invisível, não edificado por mãos, mas sustentado por colunas que não têm origem.
Ali o indizível se recolhe, e quem ousa aproximar-se não encontra resposta; apenas silêncio revestido de eternidade.
Estar perdida em minha própria mente deixou de ser uma confusão passageira.
Passou a ser o peso de não saber qual o meu lugar no mundo.
A sensação de estar viva, mas sem um destino exato. Onde cada escolha parece errada ou vazia.
O futuro é inconsistente e assustador.
Eu te amo, e sempre te amarei...
Mesmo quando o sol deixou de brilhar e a tempestade tomou o céu,
Mesmo quando teu sorriso não se revelou a mim,
ou quando tua indiferença feriu o meu coração...
Mesmo quando meus erros me desviaram do caminho,
ou quando teu amor pareceu se afastar de mim,
Mesmo quando as estrelas cessaram de brilhar
e a vida, simplesmente, perdeu o sentido...
Ainda assim, te amei.
Amei-te quando o sol voltou a iluminar meus dias,
quando a tempestade se dissipou
e teu sorriso novamente aqueceu minha alma,
enchendo meu coração de alegria e esperança.
Passamos por dores e turbulências,
mas, mesmo em meio a tudo isso,
eu sempre te amei — e continuarei a amar-te.
Já perdi tanto por medo,
sem segredo.
O silêncio me deixou longe de tudo,
e hoje o arrependimento é profundo.
É hora de alçar a voz e ir pra luta,
sem falhar na conduta.
A alvorada veio silente,
logo após a tormenta da noite que levou minha alma e deixou apenas os restos de minha existência.
Então, o luto veio, dilacerando-me lentamente. Aqui estou, permanecendo em desalento.
E assim, vão se passando os dias em minha escuridão.
Acho que ele tinha intenção.
Nunca me deixou usar nada colado, as blusas tinham que cobrir até o cotovelo, a saia folgada até o joelho.
Uma vez ganhei uma saia de croché bonita, ela era até o joelho, só porque era colada e meio transparente, não muito, o tecido era grosso, é porque era branca e marcava um pouquinho!
Eu estava indo pra igreja com a mãe, ele disse que se eu não tirasse, ele ia tirar no facão.
Meu irmão me disse uma vez que ele falou que foi muito foi bom comigo, se fosse outro faria coisas piores, eu tinha que agradecer ele...
Vê se pode...
Uma vez perguntei pra minha mãe, o que ela faria se ele tivesse feito isso comigo, ela disse que não faria nada, não tinha o que fazer...
Mas, se ele tivesse ao menos tentado, ele era um hoje um homem morto. Te juro
Escrever, para mim, deixou de ser um capricho bonito de quem gosta de palavras e virou uma necessidade quase fisiológica, tipo respirar depois de subir uma ladeira enorme no sol do meio-dia. Eu estava há tanto tempo inspirando o mesmo ar pesado, reciclado pelas minhas próprias memórias, que quando finalmente escrevi, foi como escancarar uma janela e descobrir que o mundo ainda tinha vento. E não aquele vento dramático de novela, não. Um vento simples, honesto, que não promete nada além de movimento. E, naquele momento, movimento já era tudo que eu precisava.
O curioso é que eu não escrevi esperando resposta. Nem dele, nem da vida, nem do universo conspirador que a gente gosta de culpar quando está carente. Eu escrevi para me ouvir. Porque até então, eu estava cheia de vozes dentro de mim, menos a minha. Era lembrança falando alto, era saudade fazendo discurso, era ilusão pedindo mais um capítulo. E eu, coitada, só anotando, achando que aquilo era verdade absoluta. Quando eu finalmente me escutei de verdade, sem maquiagem emocional, sem aquele filtro poético que transforma sofrimento em obra-prima… foi desconfortável. Mas também foi libertador. Porque ali não tinha mais para onde fugir. Era só eu comigo mesma, sem plateia, sem roteiro, sem desculpa.
E a tal da lucidez… ah, essa não bate na porta, não pede licença, não manda mensagem antes. Ela entra como quem já mora ali há anos e só estava esperando eu parar de fazer barulho para se manifestar. E quando ela chega, desmonta tudo. Derruba cenários, apaga luzes, desmonta personagens. Aquilo que antes parecia gigante, intenso, insubstituível… vira só o que sempre foi: um capítulo. Importante, sim. Mas não eterno.
E é aí que entra a parte que mais assusta e mais alivia ao mesmo tempo: esquecer não é apagar. Eu não virei uma versão fria, sem memória, sem história. Eu virei alguém que olha para trás sem sentir aquele aperto no peito que parecia um lembrete constante de que algo estava inacabado. Não estava. Nunca esteve. Eu só demorei para aceitar que já tinha acabado há muito tempo. A gente sofre mais tentando reescrever o passado do que vivendo o presente. Porque o passado, minha querida, não aceita edição. No máximo, interpretação.
E essa lembrança… a ceia na casa da avó. Olha que cena sutilmente dolorosa. Um convite que parecia simples, mas que carregava um mundo inteiro de significado. E eu recusando. Não por falta de vontade, mas por excesso de consciência. Eu sabia que não cabia ali. E olha a maturidade disfarçada de tristeza. Às vezes, crescer é exatamente isso: reconhecer onde a gente não pertence, mesmo quando o coração quer dar um jeitinho de se encaixar.
Aquele abraço final, as lágrimas sendo enxugadas com uma delicadeza quase contraditória… como se o gesto dissesse “eu me importo”, enquanto a realidade gritava “mas não o suficiente para ficar”. E tudo bem. Porque naquele momento, sem perceber totalmente, eu já estava me despedindo de verdade. Não só dele, mas da versão de mim que ainda insistia.
E a vida, com seu humor meio irônico, meio genial, seguiu. Quase dois anos depois, eu casei. Escrevi uma nova história. Mas dessa vez, não foi sozinha. Não foi baseada em suposições, nem alimentada por silêncios interpretados. Foi construída. Tijolo por tijolo, dia após dia, com alguém que estava ali de verdade, não só na minha imaginação.
E isso muda tudo.
Porque no fim, não foi sobre esquecer alguém. Foi sobre parar de sofrer por algo que já não existia e abrir espaço para o que podia existir. Eu não apaguei o passado. Eu só parei de morar nele.
E hoje, quando eu lembro, não dói. Não pesa. Não chama. Só existe. Como uma página virada de um livro que eu não preciso reler para saber que já entendi a história.
Se você ainda está respirando esse ar pesado, talvez esteja na hora de abrir sua própria janela.
Que o amor venha a despeito da dor,
das marcas que o mundo na alma deixou.
Quem guarda no peito um firme caráter,
sabe que o tempo há de nos resgatar.
Pois quem se conhece e conhece seu valor,
não aceita o medo no lugar do amor.
Há almas sinceras querendo cruzar,
um passo leve que venha somar.
Quebrando o escudo, abrindo a prisão,
quem ousa viver, não vive em vão.
Quem crê na beleza de um querer bem real,
encontra nos braços o porto ideal.
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