Voce diz eu te Amo eu Digo Idem
CONTO DO MEIO
Quando pequeno, eu estava no aniversário de um amiguinho
e pus meu dedo no bolo.
Não coloquei e tirei. Não passei o dedo.
Apenas enfiei a ponta do indicador naquela parte branca.
O dedo permaneceu lá, parado, enfiado, intacto.
Todas as mamães me deram um sorriso falso.
Os papais estavam bêbados no quintal.
O único homem ali perto era o tio Carlos.
Tio Carlos se escondia atrás dos óculos e da câmera fotográfica.
Era bobo, agitado e gorducho.
Quase sempre sorrindo.
Tinha poucas, raras, nenhuma namorada.
Tio Carlos atrás dos óculos, da câmera e de namorada.
Meu braço esticado era a Golden Gate.
Uma conexão entre minha consciência
e aquele montante de açúcar.
A ponta do dedo imóvel, conectada, penetrada no creme branco.
Uma das mamães resolveu liderar a alcateia
e me pediu para tirar o dedo.
Pra que tanta coragem, perguntou meu coração.
Porém meu dedo,
afundou um pouco mais.
Olhei-a nos olhos sem docilidade.
Meu corpo imóvel.
O dela recuou.
Minha mamãe, sem graça,
falou que isso passa.
Eu atravancava, ria e dizia:
- Vocês passarão, eu... - estendia a aporia.
Eu era a Criação de Adão na Sistina.
Era mais que Michelângelo,
Era Adão no Bolo,
Era Bolo em Deus.
Mamães desconcertadas. Olhando umas para as outras.
O silêncio reinava,
o reino era meu.
Mamães desorientadas. Olhando para mim.
Tio Carlos com a câmera fotográfica
olhava para as mamães.
Acho que ele era apaixonado por umas três mamães,
ou mais,
ou todas.
Esperei um não.
Esperei um pare.
Ninguém era páreo
para um rei.
Tirei.
Se eu tivesse que fugir,
eu nunca teria ido.
Estaria de corpo lá,
e alma cá.
Com o despeito em si
e um pedido despido.
No fato de anteontem,
o eu de ontem
acerta em cheio.
Ele enxerga o buraco,
onde o eu de hoje
só vê o meio.
Todos os dias eu era colocado por horas numa sala fechada onde eu era obrigado a ficar quieto, parado, a me aguentar acordado, a segurar o pum, a me angustiar sozinho com as paixões, a limpar o nariz catarata na manga, respirar com a boca, sede, a segurar o xixi. De toda minha atenção, a professora tinha 10%. Eu olhava pra ela e me chorava em silêncio. Perdido e ciscando palavras, nunca entendia o que os adultos estavam dizendo.
Depois do meu "oi",
um "quem é vivo sempre aparece!"
Mas eu nunca estive sumido,
nem mesmo aparecido.
Por fim, como eu lido?
Ah, agora sim,
dessa vez, apenas desapareci.
Quando eu tinha entre 15 e 16 anos de idade, o músico Carlinhos Brown emplacou uma letra dizendo 🎶"a namorada, tem namorada"🎶.
O refrão dessa canção estava nos cinco cantos do mundo. (se você lembra, você leu cantando) 🤭
Nessa época, lembro que estava passeando num shopping, quando passou uma senhora de uns 30 anos e cantarolou a música para seu filho pequeno: 🎵"a namorada ... e o namorado"🎵.
Eu era adolescente, achei isso muito engraçado e pensei: - Que burra, ela não sabe a letra!!!
Anos depois, com um olhar mais atento ao mundo do jeito que ele é, cheguei à conclusão que aquilo não era nem um pouco engraçado.
Aquilo era triste, pois aquela moça era bem mais burra do que eu pensava.
Na escola,
a nota alta era eu que tirava;
a nota baixa, o professor que me dava.
Hoje sou um tadinho;
um profissional de nariz sujo,
que culpa o chefe chato
e cospe toddynho.
O Papai Noel estava na sala da minha casa, rindo e dando presentes para todos.
Eu estava lá olhando pra ele, olhando pra cima; eu era uma das crianças de boca aberta e feliz.
Ganhei um martelo de brinquedo. Ele era colorido e bem legal.
Entre as conversas de adultos e gritos dos meus primos, o Papai Noel se despediu:
- Tchau, amiguinhos !!!
Imediatamente corri até a porta de saída para ele me notar mais uma vez.
Só que o Papai Noel disse tchau e foi para o quarto do papai e da mamãe.
Corri super rápido atrás dele, desviando de pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta gente nessa sala, meu deus? Pergunta minha ansiedade.
Mas cheguei na porta do quarto e o vi entrando no banheiro.
- Será que o Papai Noel foi fazer cocô antes de ir embora?
perguntei pra mim mesmo enquanto esperava do lado de fora.
Esperei, esperei e a porta se abriu.
Foi o José que saiu,
José, o meu titio.
Ele não me viu.
Passou arrumando as calças, fechando o ziper e ajeitando o cabelo.
Estava claro pra mim. Agora tudo fazia sentido.
Lembrei das conversas de minha titia.
Ela já desconfiava, ela sempre dizia:
- José tem amante!
Mas, meodeos do céu.
Quem diria que o amante
fosse o Papai Noel.
Sou casado,
sem sim sim da igreja
nem eu deixo do estado.
Somos um casal em seus lares
compartilhando todos os ares
de serem eternos namorados.
Eu tive um tio
que não bebia água.
A meninada sempre falava:
- O tio Augusto não bebe água!
A molecada então pensava:
- O tio é especial!
- Wow!
- Como vive o tio se tudo tem água?!
O tio estufava o peito e se orgulhava:
- Não conto! sorria de canto, se gabava.
O titio Augusto não precisava de água.
Pra ele bastava o palco e o cenário.
Crianças aplaudindo alto
um coitado encharcando o ordinário.
Ian, 12 anos!
"E se o mundo fosse acabar amanhã…
eu não me arrependeria de nada.
Porque todos os dias
eu me entreguei por inteiro."
Para Lana e Ian
O último dia
O que eu faria com os meus filhos se hoje fosse o último dia....
Os acordaria com um beijo bem quente e demorado...
Assim como fiz ontem...
Depois os abraçaria e daria um bom dia...
Faria o melhor lanche....
Tb, o melhor almoço...
Diria a todo momento que eu os amo...
Assim como fiz ontem...
Mostraria todo o meu amor...
Faria que fosse inesquecível...
Os protegeria de tudo e todos...
Assim como fiz ontem...
E, até os últimos minutos daria grandes esperanças...
Assim... como fiz ontem...
E antes de ontem...
E desde sempre...
Eu não os dei a vida...
Eles deram a minha...
... Morria um pouquinho cada vez que pensava que não poderia ter filhos...
Até hoje ainda não absorvi a emoção de te los em meus braços é uma fusão louca de "tantos" sentimentos...
Já os amava antes de serem concebidos, já os conhecia, já os esperava... Sempre fizeram parte da minha vida...
Não é biológico, nem cultural é destino...
Eu não os dei a vida... Eles deram a minha...
Vivi o suficiente para compreender que a minha vida seria vazia...
Como que se faltasse sempre algo...
Algo que não foi preenchido com o passar dos anos...
Nem com grandes viagens ou com qualquer outra coisa....
Se tem explicação eu não sei...
Assim como não entendo quem não sente ou sentiu isso...
Me sinto completa...
Eles me completam...
Não sei se isso basta...
Porém, me basta...
"Então cheguei à ilustre conclusão de que: eu já era doida muito antes de ser maluca..."
— Edineurai SaMarSi
Além dos seus olhos...
Estava além...
– do que eu conseguia ver –
Muito além do que eu queria perceber...
E isso me levou aonde eu nunca soube que existia.
Onde eu nunca deveria ir.
Mas fui.
Mesmo sem querer.
E lá estava você.
Realmente como é.
Não como eu imaginei.
E o sonho se desfez.
A magia já não tinha mais encanto.
E, em seus olhos, a verdade se revelou.
E, pela primeira vez, isso me assustou.
Onde está aquele brilho que tanto me conquistou?
Esse estava além.
Muito além do meu amor.
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