Voce Acendeu a Luz da minha Vida
Deus continua sendo Deus
O ódio religiosoespalha como
ventoque varre a areia, a fése
torna em umdevaneio da alma.
O louvor exaltado o sermão proferido
demonstram ingratidão a divindade.
O púlpito o candelabro a cruz e o
sinosão armas religiosas empunhadas
porcristianistas contra crenças
neopentecostais na vertente
docristianismo.
Deus! continua sendo Deus.
AUGUSTÃO
Augustão, foi um comerciante de Simplício Mendes. Ele era proprietário de um bar e de uma farmácia, mas gostava de ficar mesmo era no bar. Tinha uma alma tão pura que muitas vezes beirava a ingenuidade, assemelhando-se a um Dom Quixote da vida.
Pois bem, em um certo dia, ele estava em seu bar e as horas passavam sem que entrasse um único freguês no estabelecimento. Entediado com aquilo e já com umas duas na cabeça, resolveu, então, vender a bebida para si mesmo. Batia no balcão com as mãos e pedia uma dose. Depois rodeava o balcão, colocava a bebida no copo, em seguida retornava ao lugar de atendimento para cliente, bebia a dose e pagava. Depois de várias vendas e de vários recebimentos, ele , meteu a mão no bolso, puxou o dinheiro, contou e então disse:
— Não dá para entender. Eu vendo e vendo, e esse dinheiro não aumenta!
Em outra situação, ele estava em uma localidade do interior que pertencia à sua família. Nesse dia, o padre da cidade iria rezar uma missa numa pequena capela existente naquele lugar. O padre, sabendo que Augustão estava lá e sabendo, também, que havia uma casinha que vendia bebida, tentou evitar que o comerciante e outras pessoas do lugar bebessem na hora da missa. Então, o pároco foi até esse bar e derramou toda a bebida.
Quando Augustão chegou ao barzinho, contaram-lhe o acontecido. Ele correu para a capela chamando pelo padre. Quando entrou no santuário, o religioso estava confessando algumas pessoas. Augustão recuou envergonhado, pois pensava que o sacerdote estava sozinho. O padre saiu e perguntou o que era. Então, Augustão falou:
— Seu padre, proibir até que o senhor pode, mas derramar a bebida o senhor não pode não!
PASSEIO
Nos finais das ensolaradas tardes de uma década já bem distante, era comum ver o Padre da cidade passear em seu cavalo marchador pelas ruas do centro da cidade de Simplício Mendes.
Em uma destas tardes, o Augustão estava em seu bar a beber algumas cervejas. O clérigo, montado em seu cavalo de marcha, já tinha passado umas três vezes em frente ao estabelecimento do Augustão. Este e toda sua família nutriam uma boa amizade com o sacerdote, e o Augustão tinha muita intimidade com o religioso.
Na quarta passagem do padre, o Augustão foi para o meio da rua, atalhou o cavalo e exclamou:
— Padre, o senhor já andou demais no cavalo. Agora é a minha vez de andar.
O religioso notou a situação de embriaguez do Augustão e falou:
— Não, seu Augusto, o cavalo já está bastante cansado. Estou levando agora mesmo para a roça. Amanhã o senhor anda nele.
O Augustão, depois de alguma insistência, terminou concordando.
Não preciso de palavras bonitas e grandes para dizer o que quero, até porque as vezes não há palavras existentes que possam dizer o que quero. As vezes as palavras que queremos ouvir não são bem palavras, as vezes o silêncio fala mais alto. As vezes pequenas frases sem muita complexidade nos mudam completamente. As vezes as palavras nos dizem tantas verdades de maneira tão rápida que não conseguimos acompanhar. As vezes temos medo de ouvir algo diferente do que estamos dispostos a aceitar. As vezes. E quantas vezes algumas palavras se repetiram na sua mente de forma devastadora? De uma maneira pela qual nem todo o dicionário é capaz de explicar a junção de todas essas palavras na sua mente, ou o significado delas realmente. Como algo não tão “palpável”, como as palavras, tem um peso tão grande? Não sei como chegar a uma conclusão certa de algumas dessas perguntas, mas sei que as respostas se encontram nas próprias palavras, mas qual delas, eu ainda irei descobrir.
Lasciva, bem mais que carne viva
Olho da vontade descabida
Rasgo do vestido vai até o canto da boca
Louca assumida, arrasa quando passa, cheiro de atrevida
Na pele registros, marcas, roxos, casca polida exibida
insegura se assegura dominante do vento levante
Amarga e formosa menina.
O desamor é sem cheiro, o desamor é sem gosto, o desamor é branco sem brilho, o desamor nasce no diafragma e não tem vida.
Vinho de camomila
nessa fronha em que eu deitei dormi
eu fiquei pensando se ela estava cheirosa
depois percebi que o cheiro era do vinho
que a rua tomava com ela
numa taça feita de espera
Vou te dar um perfume cor de sangue
Com cheiro vermelho
Frasco sem tampa de desejo
Que combina com seu espelho.
Compraria suas coxas
Roubaria seus seios
Tomaria sua boca
Arrancaria seu olhar
Lamberia sua nuca
Pegaria suas ancas
E me levaria embora.
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