Voce Acendeu a Luz da minha Vida
Deus não é apenas a luz que vence as trevas; talvez seja também o silêncio que existe antes dela, além do tempo, além do espaço. Ele permanece além das eras, onde impérios são apenas poeira e os nomes dos homens se perdem como ecos em catedrais abandonadas. Há quem o procure no esplendor dos céus, mas talvez ele se revele com mais profundidade nas feridas ocultas da alma, no instante em que o homem encara sua própria ruína e ainda encontra força para amar. Deus é o enigma que observa o nascimento das estrelas e o último suspiro das galáxias; a mão invisível que escreve destinos em páginas que jamais conseguiremos ler por completo. Entre o sagrado e o abismo, entre a esperança e o desespero, Ele permanece como a pergunta que atravessa a eternidade — e talvez a única resposta que a alma humana sempre procurou, mesmo antes de aprender a pronunciar Seu nome - "Adonai".
“ Sob a luz da lua, vi teus olhos a brilhar. Como eu poderia pensar que em um simples farrapo de modéstia tu firmarias teu lar? “.
- Maysa S. Barrocal
Hoje a Lua brilha
Sobre o meu quintal.
A luz do Sol que trilha,
Mas não deixa rastro
Sobre a escuridão.
Eu penso nas noites passadas,
Penso sobre densos nevoeiros,
Flechas atravessadas
Quando os olhos pouco viam.
Do pouco que viram,
Traduziram pouco… ou quase nada.
Um cinzeiro sobre a mesa,
A luz da Light na calçada,
Tantas diferenças,
Tênues relevâncias.
A noite flutuante
Paira sobre a noite enluarada.
Madrugada avança sobre horas de sonhos,
Meu sono acanhado,
Meus olhares, cada vez mais poucos,
Traduzindo a cada noite
Muito mais do que enxergam —
Pouco ou quase nada.
O silêncio da noite
Chega a ser maior, mais denso
E mais abrangente que a própria noite.
Até que sobre pouco:
Muita luz, muita neblina, silêncio demais.
Paz por sobre a rua,
Luz do poste, que,
Goste ou não goste, não passa da esquina.
Meus olhares cansados também não.
Edson Ricardo Paiva
Apego Ato 1
Luz sobre ele. Silêncio. Ele respira fundo.)
Que fiz eu…
Que fiz eu, senão tomar mãos humanas
e moldá-las em divindade?
Era carne como eu.
Era falha como eu.
E ainda assim, eu a vesti de eternidade.
Com minhas próprias mãos ergui o trono.
Poli a madeira com expectativas,
revesti-o com promessas que nunca foram ditas,
e a coloquei lá no alto… acima de mim.
(ri, amargo)
E então ousei perguntar por que não me via.
Mas como poderia?
Do alto do altar que construí,
tornei-me chão.
Tornei-me base.
Tornei-me invisível.
Ó coração tolo,
confundiste amor com reverência,
entrega com submissão,
admiração com ausência de si.
Não foi ela quem subiu
fui eu quem me ajoelhei.
(pausa)
Amor…
amor não pede joelhos.
Não exige plateia.
Não se alimenta de distância.
Amor é encontro.
É altura contra altura.
É dois olhares no mesmo nível do céu.
E se hoje sofro…
não é por não ser visto.
É por finalmente enxergar
que fui eu quem construiu a própria sombra.
(Luz se apaga.)
Apego Ato 2
(Palco quase escuro. Um único facho de luz. Ele caminha lentamente.)
Assim termina o engano do meu próprio coração.
Eu, arquiteto da ilusão,
escultor de um trono que jamais me pertenceu.
Com mãos trêmulas de afeto ergui muralhas de admiração,
e no topo delas coloquei um ser humano…
feito da mesma fragilidade que eu.
Mas ceguei-me.
Preferi chamá-la de estrela,
para justificar minha disposição em viver na sombra.
Oh, que doce veneno é idealizar.
Enobrece o outro
e empobrece a si mesmo.
Fiz dela soberana de um reino que inventei.
Curvei-me diante de um amor que não pediu joelhos.
E quando clamei por reciprocidade,
o eco foi minha única resposta.
(pausa longa)
Mas eis a tragédia maior
não foi rejeição.
Não foi desprezo.
Foi consciência.
Consciência de que nenhum trono se sustenta sozinho.
Que todo pedestal exige um chão.
E eu… eu escolhi ser chão.
(olha para as próprias mãos)
Estas mãos que ergueram,
agora aprendem a desfazer.
Pois se amor houver de existir,
que venha sem coroas.
Sem alturas inventadas.
Sem abismos criados pelo excesso de devoção.
Que venha como encontro.
De pé.
Olho no olho.
Respiração contra respiração.
E se não puder ser assim…
(entonação firme)
Que caia o trono.
Que se despedacem os altares.
Que reste apenas a verdade
dois seres humanos
ou nenhum.
(A luz se apaga lentamente. Silêncio.)
Apego Ato 3
(O palco ainda guarda vestígios do trono quebrado. A luz nasce lenta, como amanhecer.)
Sobre as ruínas, permaneço.
Não mais de joelhos.
Não mais cego pela própria devoção.
Aprendi tarde, mas aprendi
que amor não é escalar alguém até os céus,
é caminhar ao lado, mesmo quando o chão treme.
Toquei o fundo da minha própria ilusão
e descobri algo inesperado:
eu também sou digno de altura.
(olha ao redor)
Que tolos fomos, eu e meu coração,
confundindo intensidade com entrega cega.
Amar não é desaparecer.
Não é reduzir-se à sombra do brilho alheio.
Amar…
é permanecer inteiro.
Se outra vez meu peito arder,
que arda lúcido.
Que admire sem se diminuir.
Que exalte sem se apagar.
Não construirei mais tronos.
Não erguerei altares.
Se houver amor,
que seja entre dois reis sem coroa,
duas almas sem palco,
dois humanos imperfeitos
que escolhem ficar.
(pausa)
E se um dia eu voltar a sofrer
que seja por ter sido verdadeiro,
não por ter sido menor.
(ergue o olhar)
Hoje não carrego mais o peso de sustentar ninguém.
Carrego apenas a responsabilidade de ser inteiro.
E isso…
isso é liberdade.
(A luz se expande. Fim.)
Nova e Velha Política.
"Não consigo dizer o quanto uma janela exposta à luz do meio-dia pode ou não ofuscar minha vista, uma vez que quem decide é a hora e a posição que eu devo ocupar naquele ambiente. O paradoxo entre as leis limitantes e a liberdade de escolhas promovidas pelo livre arbítrio sob a lente religiosa promove discursos. Hoje, os políticos são categoricamente dois jogadores em lados diferentes em um único tabuleiro. O que torna isso engraçado é o fato de que somos nós os peões e as rainhas dentro desse jogo. Podemos decidir qual jogador irá nos representar, mas nunca a direção pela qual eles irão nos mover durante cada jogada."
Na varanda do quintal
Igual a tantos ontens
Hoje escondo um olho à luz do Sol
E vejo um pouco mais aquém
E penso por um segundo
Que nunca olhei tão profundo
Enxergo em olhar marimbondo
Levando pra sob o telhado
A alguma coisa que Deus lhe deu
E concluo aqui comigo
Se esse voar fosse meu
Eu voava até o fim do mundo
Chegando o final do dia
Dizia pro meu amor
Por favor, se ainda não me esqueceu
Se eu fosse você, não esquecia.
Abelha a fazer mel na telha
Desde que sumiste
A chama da vela
Bailando tão triste
Madrugada que ainda clareia
Na areia das horas
Caminho de volta
Não há nada que eu faça
Ou que possa fazer
O monstro da Santa Agonia
É fumaça de vela a também ir embora
Aquilo a que tanto eu queria
Vou querer por mais outro dia.
Edson Ricardo Paiva.
Lições.
Eram coisas que brilhavam
Pendiam da luz que vinha do alto
Eram brotos, eram sementes
Espalhadas pelo chão
Eram pedras à beira-mar
desde que o mundo era mundo
Eram folhas mortas
Eram gotas de chuva
Eram pássaros nos galhos
Havia também estradas
Idas e voltas
Atalhos
Eram ponteiros que giravam
A vida tiquetaqueou cada segundo
Eram coisas sem brilho também
Era avô, era pai, era filho
Era amor, era odor, era trem, era trilho
À espera do que não vinha
Mas que de tanto esperar
Também veio
Mas não tinha ninguém à porta
Era só diversão e passeio
Não havia tempo pra aprender
A lição das estrelas
distante demais para vê-las
Tampouco das folhas mortas
Que outro dia eram só sementes
As pedras caladas e ausentes
Os Pássaros cantantes
Tamém não diziam nada
Os caminhos também já não podem
Levar aos lugares que conduziam
Era tanta lição para ser aprendida
Eram coisas caladas
Que estavam ali, somente pra serem vistas
Era tanto tempo
A ser preenchido à toa
Que não dava tempo
E a boa lição desta vida
Não pode mais
Ser aprendida
Por aqueles que tudo já sabem
E que vão dormir infelizes no final do dia
Suplicando aos seus deuses
Que as estrelas desabem do Céu
E que a todas elas
Esmaguem.
Edson Ricardo Paiva.
Um menino inocente
No jardim vazio
O sol não brilha
E as estrelas não dão sua luz
O vento sopra devagar
Mechendo suavemente os belos cachos do menino
Dos seus olhos a luz emana
E a chama nunca apaga
Autoconhecimento não é apenas luz encontrada no final de um túnel. Onde abriga luz habita a sombra. Por entre os reflexos destila dores e amores. Aprende com a tua própria sombra, pois ela faz parte da obra também.
João Eudes de Ana
Sob o alto e o baixo distância ausenta presença no espaço eterno, onde a luz dos cosmos ilumina o caminho, mas expõe a nudez das sombras nos rastros. Pois quem caminha pela luz não tropeça nas pedras e descobre que a verdadeira escuridão sempre estará nos olhos de quem não quer enxergar a luz da razão.
João Eudes de Ana ____
... o chamado
senso de superação
é luz que nos oferece o destino;
uma espécie de sexto sentido
que nos imuniza do
conformismo!
... segundo
os mentores da luz: de tão
copioso abalo causado pelo remorso,
advém a justa razão e o misericordioso
acesso àquilo que, ontem, alvo de nossos desvios, hoje nos reencontra
para um redentor
reparo!
... quando
os mentores da luz
tencionam nos punir, eles,
prontamente, atendem nossas
orações — contudo, não naquilo
que desejamos, senão no
que precisamos!
A serenidade da alma
É na quietude que nos conectamos a nossa luz, polimos nossos valores e brindamos por vida junto ao universo.
Marcelo HB
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