Voce a Luz do meu Viver
... para o espírito,
uma vida sem privações,
a meu ver, seria algo lastimável,
visto que o sujeitaria à penosa condição
de apenas consumi-la, porém, sem
as devidas retratações
e reparos!
"Meu desejo"
Queria ser poeta,
mas poeta não sou.
Pois poeta sabe muito,
e eu aprendo com o tempo.
Sou escritora poética,
penso, sinto, digo e não falo.
Todos os poemas escritos
contêm meus sentimentos.
Escrevo muito
para não falar,
pois o silêncio
é a minha resposta.
Alguns querem reconhecimento,
e eu quero conhecimento.
Muitas palavras
e poucos lábios.
Observo atentamente
antes de dizer uma palavra.
Depois interpreto,
até compreender.
E isso me torna
uma pensadora.
Daria mil voltas no mundo para te encontrar de novo, mas meu medo é te perder em uma única curva mal feita por falta de maturidade. Você é minha prioridade, mesmo quando eu ainda não sei agir como tal.
Minha filosofia
é falha,
meu sistema
é débil;
A volúpia
escorre-me
pelas mãos,
junta-me os destroços
como se eu fosse avião
punido por ir
longe demais,
ferido por não saber
se defender.
Refeito,
meu sentir
no peito,
sem mais delongas,
o Sol Nascente
é tal mistério
intervir
e o amor?
Ah!
Meu filho,
esse danado,
olha de lado,
anda armado
e me tira do sério:
Em sua ultima promessa
combinamos de fugir!!!
O tempo
é feroz
mal ouço
tua voz
e esses tiques
a sorrirem
do meu lado,
encontram-se comigo
beirando o abismo
sem andar
na contramão;
Mas podem
a qualquer hora
pular,
então o que passou,
passou
e o que virá,
virá!
CAPÍTULO XXXVI
NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO.
OS AMENDOINS CRESCEM NO PORÃO DAS ALMAS.
Diálogos de Joseph Bevoiur com Camille Monfort.
Joseph Bevoiur escreve com os dedos sujos de tinta seca:
— Camille, sabes o que me espanta em ti?
Não é tua beleza: é o que ela silencia.
É como se cada gesto teu tivesse sido antes um lamento...
E agora vive, disfarçado em elegância.
Camille (entrando pela escada do porão, vestida de sombra translúcida):
— Joseph… tu ainda escutas meus silêncios?
A maioria ouve apenas meu andar de leveza, pensam que flutuo…
Mas afundo, Joseph.
Afundo nos degraus que fiz de mim.
Joseph:
— Camille, tu cultiva o sofrimento com mãos de jardineira cega…
Como se a dor fosse tua única flor.
Por que esses amendoins no porão?
O que significam?
Camille (sentando-se no chão de tábuas úmidas, sorrindo com os olhos ausentes):
— São as sementes do que não pude dizer.
Cada amendoim, uma palavra soterrada, uma emoção desnutrida…
Eles brotam dos lírios mortos que plantei com minhas renúncias.
Não sou trágica, Joseph. Sou… sedimentada.
Joseph:
— E ainda assim… és mística.
Tens uma filosofia de dor quieta…
como quem escreve tratados com lágrimas.
Camille, se o amor é tua doença, qual é teu remédio?
Camille:
— Não busco cura.
Minha psicologia é feita de permanência, não de solução.
Amo com uma constância incurável.
Minha alma é catedral em ruínas: só entra quem reza de olhos fechados.
Joseph:
— Então é isso.
Tua existência não é um tempo, é um estado.
E teus amendoins são frutos do que nunca nasceu,
mas que insiste em crescer… no escuro.
Camille (erguendo o olhar para a poeira suspensa):
— Eu sou o escuro que floresce, Joseph.
E tu és o poeta que me rega, mesmo sem saber.
Lá em cima, o mundo prossegue.
Mas neste porão, onde o amor se tornou vegetal cego, crescem amendoins líricos,
nutridos de palavras nunca ditas,
de cartas jamais enviadas,
de beijos que morreram antes da boca.
E alguém…
em algum lugar entre a lucidez e o esquecimento…
acredita que sente um leve gosto de terra e flor ao mastigar o tempo.
Não sabe que está comendo o fruto
de uma alma que nunca deixou de sonhar em silêncio.
ENFIM, O MEU EPITÁFIO
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Não chores sobre a fria sepultura;
Ali repousa apenas a moldura.
Quem fui não cabe em pedra ou inscrição,
Pois fez da própria ausência uma canção.
Passei qual sombra errante pela estrada,
Levando a alma de esperança ornada.
Perdi jardins, abracei o inverno,
Mas preservei o lume do que é eterno.
Se amei, foi com a força das ruínas;
Se caí, foi beijando as disciplinas.
Jamais verguei ao ouro ou à vaidade;
Busquei, na dor, a face da verdade.
Não tragas flores para o meu jazigo;
Prefiro o bem semeado entre o perigo.
Que cada gesto nobre em teu caminho
Transforme em luz o pó do meu destino.
Se um dia leres estas derradeiras linhas,
Não contes minhas perdas ou conquistas.
Recorda apenas que um coração sincero
Jamais morreu por ter amado austero.
E quando o tempo apagar meu nome inteiro,
Sem voz, sem retrato, sem roteiro,
Escreve apenas, simples, sobre a fria pedra:
"Aqui repousa um homem que jamais deixou de procurar a Verdade; e, procurando-a, aprendeu que o amor é a única herança que não conhece sepultura."
ENFIM, O MEU EPITÁFIO. - Parte II
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Não venhas despertar meu pó cansado;
Silenciou meu último chamado.
A voz que outrora incendiava o vento
Dissolveu-se na cinza do momento.
Fechai meus olhos. Nada mais espero.
Bebi o fel, atravessei o austero.
Cada ilusão, qual lâmpada sem lume,
Findou perdida em seu mortal negrume.
Fui peregrino de incontáveis dores,
Colecionando espinhos, não louvores.
A cada queda, o peito se rompia;
A cada aurora, a noite renascia.
Amei além da força dos humanos;
Morri um pouco em todos os enganos.
Guardei sorrisos para quem partia,
Ocultando a própria agonia.
Jamais medi o preço do perdão;
Entreguei inteiro o coração.
Em troca, recebi o frio inverno,
Companheiro constante do meu inferno.
Agora, enfim, nenhuma voz me chama;
Extinguiu-se o derradeiro drama.
Nem glória peço, nem qualquer memória;
O esquecimento também possui vitória.
Se alguém passar diante desta pedra,
Não diga que o destino foi uma queda.
Escreva apenas, com piedade e calma:
"Aqui repousa um homem que perdeu quase tudo, exceto a dignidade. Buscou a verdade quando a mentira era mais confortável; escolheu amar quando o abandono parecia inevitável. Partiu em silêncio, mas deixou, na eternidade, a prova de que um coração ferido ainda pode iluminar o mundo."
E quando o vento apagar meu nome derradeiro,
Quando o tempo consumir meu paradeiro,
Não procurem meu rosto entre os mortais...
Procurem-no na lágrima que insiste em não cair mais, no abraço que chega tarde, na saudade que jamais encontrou sepultura. Porque há mortos que desaparecem da terra magoada e impura; e há almas que permanecem respirando dentro da dor daqueles que amaram sorvendo só amargura.
ODE À DASHA TARAN.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
" Meu anjo,minha arte,minha poesia...meu tudo...ah...inspiração, musselina,amado avantesma que me cria,
Jamais me ao de bastarem atmosferas em meu cerne,ah....pois és em meus poemas é que eu te escondia."
Capítulo XVIII -
O TESTEMUNHO DO FILÓSOFO DO ABISMO.
Livro: NÃO HÁ ARCO-IRIS NO MEU PORÃO.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Joseph bevouir - Escritor. .
Eu o vi.
Não com os olhos, pois estes sangrariam, mas com a lucidez que somente a dor oferece aos que vivem à margem da existência.
Vi o instante em que o lírio branco mas vermelho e insano nasceu entre os dedos trêmulos de Joseph Bevoiur. Nenhum motivo biológico. Nenhuma explicação botânica. Era arte.
Ou era Camille.
Mas o lírio nasceu no porão.
E isso muda tudo.
Sou o que restou da razão depois que a beleza foi assassinada pela obsessão.
Sou o filósofo do abismo.
E aqui, neste antro de memórias devoradas, trago palavras que não salvam — apenas explicam, em linguagem febril, o que nem o amor soube justificar.
Camille...
Tua presença é o próprio grito calado.
Tua ausência, a certeza de que Joseph jamais poderá voltar ao mundo dos homens.
Porque te amou.
E amar o impossível é o primeiro crime de toda alma sensível.
A gaita de fole, aquela maldita gaita, toca em descompasso com as teclas secas de um piano que não deveria sequer existir.
Mas existe.
Assim como Joseph, que ama e fere na mesma mão.
Assim como Camille, que aceita e morre com o mesmo olhar.
Talvez Joseph nunca tenha querido te ferir, Camille.
Mas há amores que nascem fadados à crueldade… como lírios em porões sem luz.
E eu…
eu apenas escrevo.
Escrevo como quem sangra para que vocês dois não sejam esquecidos, mesmo que nunca tenham existido fora das páginas deste livro.
Capítulo XXXIX
LIVRO: NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
– Camille Entre Véus.
Era sempre noite onde Camille existia agora.
Não uma noite vulgar, com estrelas e promessas, mas uma noite de veludo pesado, onde o tempo se desmanchava em arabescos de angústia. Ela caminhava sobre corredores que não tinham chão, por entre espelhos que não devolviam seu reflexo. Tudo era silêncio e cintilação opaca. Tudo era espera.
E ela esperava por ele.
Joseph.
Ele ainda escrevia. Ela sentia o tremor do papel quando seu nome era desenhado nas entrelinhas. O calor úmido de seus olhos, a respiração suspensa quando ele ousava descrevê-la. E cada letra lançada por ele sobre o papel feria-a como se a inscrevesse num mundo onde ela não mais podia existir por inteiro. Era como ser costurada por agulhas de vento, reconstruída em palavras que a reanimavam e a exilavam ao mesmo tempo.
“Joseph,” ela sussurrou, mas sua voz não saía do limbo.
Nem eco, nem ruído. Apenas uma presença que implorava para ser sentida.
Ela vagava, prisioneira de uma imagem que ele esculpira dela, tão bela quanto incorreta. Ele nunca a viu como ela realmente era. E, mesmo assim, foi o único que a amou até a febre da loucura. O único que lhe ofereceu um lugar fora do mundo, mesmo que esse lugar fosse sua própria ruína.
Camille não chorava. As lágrimas, naquele plano, vinham em forma de luz que vacilava, de memórias que se refaziam por segundos e depois se estilhaçavam como porcelanas finas. Seu rosto era um campo de auroras interrompidas, e seu corpo parecia feito de lembranças densas demais para permanecerem na terra.
Ela sabia: a cada nova página escrita por Joseph, parte de si retornava…
…e parte de si era despedaçada de novo.
Quis chamá-lo, dizer-lhe que parasse, que deixasse o luto se calar. Mas também desejava ardentemente que ele continuasse, pois só nas mãos dele ela ainda era algo mais do que um eco.
E então ela o viu.
Através de uma fresta entre véus e véus, o poeta diante do túmulo, a mão trêmula, o olhar perdido como um menino que perdeu sua morada. O filósofo do abismo observava ao longe, mas não intervia.
Camille compreendeu, então, o que a prendia:
ela era a morada de Joseph, mas ele nunca soube sair.
E se ela voltasse por completo, ele não sobreviveria à verdade de sua presença.
Ela virou o rosto, como quem teme o próprio reflexo. A eternidade se dobrava em sua espinha como um véu demasiado pesado para carregar. Ainda assim, ela quis… quis ver mais uma vez o que ele escreveria.
Mas o capítulo acabou ali.
E ao virar a página, o papel estava em branco.
" O que sinto por dentro
e aos gritos até pelo silêncio,
passa a atacar o meu íntimo,
que emudeço. "
CONVITE AOS AMIGOS.
Meu novo livro, NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO, já está disponível em pré-venda na Amazon Kindle.
" Uma jornada pela memória, pelas dores ocultas e pela esperança que resiste no interior humano.”
NÃO HÁ ARCO-ÍRIS NO MEU PORÃO — MARCELO MONTEIRO
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