Vivo pra Mim

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Fragmentos de mim

me olho e não me reconheço,
mas ainda sinto, ainda escrevo.
a dor insiste,
mas eu aprendi a dançar no meio dela,
mesmo com tudo do avesso.

“Quero que conheça um pedacinho de mim” é a forma mais doce de dizer me importo com você.

Sou feita de restos que insistiram em ficar,
pedaços que o tempo não quis levar.
Metade de mim é calma aprendida,
a outra metade ainda é incêndio que não se apaga.

Não endureci para sobreviver. Aprendi a me manter sem trair quem sou. O essencial em mim não muda.

Existir, pra mim, é sustentar quem me tornei.

Quando eu paro de esperar grandeza de mim,
eu viro humana.
Eu viro falha.
Eu viro carne.

Apesar da preocupação,
algo em mim desacelerou.
Não é paz completa..
ainda não.
Mas já não pesa igual.
É como tirar um peso antigo
e estranhar o próprio corpo sem ele.
Eu ainda penso,
ainda sinto,
ainda cuido dos passos…
mas respiro diferente.
Mais leve.
Como quem, pela primeira vez,
não carrega o que não é seu.

“O escorpião em mim reconhece o veneno no seu olhar.”

“Nem todo mundo que esteve perto de mim chegou a me tocar de verdade.”

“Tem gente que perdeu tudo em mim… E ainda acha que foi escolha minha.”

“Você passou por mim… Mas eu fui fundo demais pra você aguentar.”

“Não bato na tua porta.. Deixo a música fazer isso por mim.”

"Corre de mim que hoje estou puro talento"

Quatro Rotas


Não foi falta de caminho.
Foi excesso de mim em lugares que não sabiam ficar.
Eu fui mar aberto
pra quem só sabia ser raso.
Fui estrada longa
pra quem cansava na primeira curva.
Fui casa
pra quem nunca soube morar.
E ainda assim… Eu fui.


Quatro rotas.


Quatro versões de partida.


Nenhuma delas me levou de volta.
Porque dessa vez
eu não me perdi...
Eu me encontrei no exato ponto
onde decidi não voltar.
Levei comigo o que doía,
deixei pra trás o que pesava.
E segui.


Sem mapa,
sem promessa,
sem você.

Não é o lugar, nem quem passou,
o tempo mente... Nada levou.
Há algo em mim que insiste em ficar:
não acaba… aprende a morar.

Não é só no peito, é em mim inteira,
um peso que chega e nunca beira.

Feito de tudo que eu não soltei,
de tudo que senti e nunca falei.

Dias parados, querendo voltar,
coisas em mim sem saber onde ficar.

Eu sigo firme, mesmo cansada,
carrego o mundo sem dizer nada.

E no silêncio onde ninguém vê,
eu luto comigo pra não me perder.

Você viu distância.

Eu via ruínas
tentando ficar de pé
dentro de mim.

Tantas tacadas eu já peguei,
que o acesso à mim mudou de lugar.
Hoje, quem quiser entrar,
precisa saber ficar.


Não abro mais portas
pra quem chega fazendo barulho,
nem entrego meu caos
pra quem nunca soube cuidar do meu silêncio.


Intimidade não é presença,
é permanência.

Hoje eu observo antes de abrir.
A última vez que confiei sem filtro,
quase me perdi de mim.

Os desejos são por mim, e eu me alegro.

Não pela inveja que desperto,
mas porque aprendi a reconhecer meu próprio valor.

Quem deseja ocupar meu lugar
talvez não saiba dos caminhos que percorri,
das noites que atravessei
e das marcas que carrego em silêncio.

Eu me alegro,
porque finalmente entendi:
não é sobre ser melhor que alguém,
é sobre ter me tornado alguém
que nem eu mesma imaginava ser.