Vivo nos Planos de Deus

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Nas desventuras comuns, reconciliam-se os ânimos e travam-se amizades.

Os abusos, como os dentes, nunca se arrancam sem dores.

O nosso amor-próprio é muitas vezes contrário aos nossos interesses.

A poesia é uma doença cerebral.

A dialética do interesse é quase sempre mais poderosa que a da razão e consciência.

Os que não sabem aproveitar o tempo dissipam o seu, e fazem perder o alheio.

Não desespereis na desgraça, ela é frequentes vezes uma transição necessária para a boa fortuna.

Qualquer homem é capaz de fazer bem a outro homem; mas contribuirmos para a felicidade de uma sociedade inteira é parecermo-nos com os deuses.

A pobreza não tem bagagem, por isso marcha livre e escuteira na viagem da vida humana.

Os velhos doidos são mais doidos do que os novos.

Ainda é mais fácil avaliar o espírito de um homem pelas suas perguntas do que pelas suas respostas.

Duque de Lévis
Maximes et réflections sur différents sujets de morale et de politique

Os grandes, os ricos e os sábios sorriem-se: os pequenos, os pobres e os néscios dão gargalhadas.

A honra quer dizer o preconceito de cada pessoa e de cada condição.

Existem a beleza que excita, a que comove e a que satisfaz: a melhor é a última.

Ninguém é mais adulado que os tiranos: o medo faz mais lisonjeiros que o amor.

A vitória de uma facção política é ordinariamente o princípio da sua decadência pelos abusos que a acompanham.

Sonho Oriental

Sonho-me ás vezes rei, n'alguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsamica e fulgente
E a lua cheia sobre as aguas brilha...

O aroma da magnolia e da baunilha
Paira no ar diaphano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com finas ondas de escumilha...

E emquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto n'um scismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descanças debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental
Os Sonetos Completos de Antero de Quental

Ninguém é tão prudente em despender o seu dinheiro, como aquele que melhor conhece as dificuldades de o ganhar honradamente.

Não há ofensa que não perdoamos, depois de nos termos vingado.

O silêncio é o melhor salvo-conduto da mais crassa ignorância como da sabedoria mais profunda.