Viver e Nao se Preocupar com o Futuro
Quase um diálogo silencioso com as ondas que vêm apagando minhas pegadas na areia, sem me deixar esquecer que, na vida, tudo é passageiro.
Consumi uma vida em meio a enganos, na ânsia de corrigir minhas imperfeições; talvez bastasse deixar a vida seguir seu curso natural.
Sem querer soar piegas, às vezes somos como um bom vinho francês: esperamos que alguém nos encontre para descobrir o que há dentro.
Ainda com vestígios do inverno,
a primavera chegou.
Mas nem tudo são flores.
Observo, em silêncio, o mundo se transformar,
enquanto procuro compreender
onde me encaixo
nessa eterna metamorfose da vida.
Na dimensão mais rara da alma, a Catedral permanece erguida como uma utopia esquecida entre o tempo e o infinito.
De fato, naquelas linhas esboçadas, os versos são tão dependentes que basta conceder-lhes existência.
No tumulto da vida, que corre apressada e ruidosa, nasce um silêncio raro, quase sagrado, já escrito pelo nosso destino.
Você ainda ouvirá seu nome, suas conquistas, agradecimentos, palavras de carinho, mas antes terá que morrer primeiro.
Somos passageiros neste mundo. Chegamos sem possuir nada e partiremos sem levar coisa alguma.
Você já não será lembrado por quase ninguém. Sua casa terá outros moradores, seus bens pertencerão a outras pessoas e suas preocupações de hoje terão perdido o sentido.
Realmente, o que importa não é o que acumulamos, mas como vivemos.
