Viver e Nao se Preocupar com o Futuro
E no final, continuo solteiro. Não por falta de opções, mas porque ainda não consigo oferecer metade de mim a alguém que não seja aquela pessoa. Tenho medo de começar algo novo e ser injusto com outra pessoa, enquanto ela aparentemente não teve medo de começar de novo. Talvez essa seja a diferença: eu ainda estou tentando ser fiel ao que sinto; ela já aprendeu a seguir em frente!
Talvez seja esse o preço de ser mal interpretado: um dia você percebe que já não precisa fazer nada para ser culpado!
Há músicas que o mundo escuta sem sentir nada, enquanto alguém precisa desligá-las para não sentir tudo. Porque, mesmo depois da separação, algumas músicas continuam pertencendo àquela relação!
No fim, não sei se eras tu, se era eu, ou se éramos nós dois. Só sei que, depois que terminámos, até os meus problemas deixaram de ser problemas!
Não a prende a tinta, o laço ou a razão,
Segue solta e livre, sem medo do destino.
É o incentivo que busca o ânimo,
A indocumentável essência da vida.
Geralmente escrevo quando me sinto solitária ou sofrendo por amor, quem não, hein? Nos últimos tempos tenho estado mais solitária do que sofrendo por amor.
Às vezes gosto da solidão, de estar sozinha comigo mesma, voltada para meus pensamentos, nunca deprimida, isso não!
Beleza Versus Instante
"Não confunda estar bonita com ser bonita. Estar bonita é momento. Ser bonita é uma visão de dentro para fora - é como a sua essência se projeta no mundo. Afinal, quem elogia com clichê não quer saber de quem você é de verdade."
“O verdadeiro privilégio não é ter para onde ir, é ter alguém esperando por você quando decidir voltar.”
E talvez seja isso o que mais dói: alguns nomes das crianças que nunca tivemos não foram simplesmente escolhidos. Foram inventados por nós, quando ainda imaginávamos que estaríamos juntos quando elas chegassem. Hoje, já não somos nós. Mas os nomes continuam sendo nossos. E talvez nunca deixem de ser
!
Sabe, pessoas que não tem oportunidade de falar transbordam pelos olhos e seus corações explodem de dor, mas quando as palavras são ditas a dor não some, mas se torna mais suportável.
Muitas pessoas abandonam seus sonhos,
por causa do dinheiro,
não tenho dinheiro,
mas realizei os meus sonhos!
(...)
eu não sei se passei no teste
de ser gente ou alguma coisa
queria mesmo é ser a Mosca
dos filmes do Cronenberg
ou o inseto monstruoso do Kafka
que um dia não saiu mais
um dia me tranquei no quarto
um dia me tranquei na vida
e não fui mais
simplesmente não fui
e nem tentei encontrar
respostas ou motivo
Não há nada depois dessas coisas.
_______________________
(Fragmento do poema “Um inseto monstruoso”)
Lisa Alves — Jardim de Pragas (2025)
[impressoras orgânicas]
(...)
Meu espírito anárquico não compreende
a frieza em pleno verão.
Nasci na tropicália mineirês,
no barroco europeu
com santos que nunca acreditei.
Aprendi a ler para rezar novena e fui parar em
“Ave Bakunin!” e “Salve Lispector!”.
Lisa Alves — Arame Farpado (2015)
[censura]
Não possuía escapes – lacraram todos os orifícios de evasão.
As flores de dentro tornaram-se rudes e secas.
Até o ar ficara denso.
Nem regalia de afundar-se ao chão,
nem michas por debaixo das portas (portas?),
nem correio, nem leiteiro, nem vozes (veludas vozes),
nem sirenes e nem a cantiga do bem-te-vi.
Ela era toda silêncio.
Lisa Alves — Arame Farpado (2015)
