Viver de Verdade

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Quem não sente amor, deve aprender a adular; caso contrário, não consegue viver.

O homem nasceu para viver e não para se preparar para viver.

Boris Pasternak
Doutor Jivago

O amor tira as máscaras sem as quais tememos não poder viver e com as quais sabemos não poder viver.

James Baldwin
Da próxima vez, o fogo. São Paulo: Companhia das Letras, 2024.

Para se ter vida longa é preciso viver devagar.

Ler, ler, ler. Viver a vida que outros sonharam.

Viver é lutar contra os demônios do coração e do cérebro. Escrever é pronunciar sobre si o último julgamento.

Morremos quando não há mais ninguém por quem tenhamos vontade de viver.

Alguns cessam de viver antes de começar a viver.

Estes são tempos em que um gênio desejaria viver. Não é na calma tranquila da vida, ou no repouso de uma pacífica situação que os grandes caráteres são formados. Grandes necessidades invocam nossas maiores virtudes.

Não temos de nos preocupar em viver muito tempo, mas em viver em pleno.

A sociedade é como o ar: necessário para respirar, mas insuficiente para dele se viver.

Estamos sempre nos preparando para viver e não vivemos.

Aprender? Certamente mas, primeiro, viver e aprender pela vida, na vida.

Tenta viver em contínua vertigem apaixonada; só os apaixonados levam a cabo obras verdadeiramente duradouras e fecundas.

Tais são os preceitos do direito: viver honestamente, não ofender ninguém, dar a cada um o que lhe pertence.

Cada dia que surge, constitui uma nova vida para quem sabe viver.

O dinheiro é um dos fins para se viver feliz: os homens transformaram-no no único fim.

Mãe

Mãe - que adormente este viver dorido,
E me vele esta noite de tal frio,
E com as mãos piedosas até o fio
Do meu pobre existir, meio partido...

Que me leve consigo, adormecido,
Ao passar pelo sítio mais sombrio...
Me banhe e lave a alma lá no rio
Da clara luz do seu olhar querido...

Eu dava o meu orgulho de homem - dava
Minha estéril ciência, sem receio,
E em débil criancinha me tornava,

Descuidada, feliz, dócil também,
Se eu pudesse dormir sobre o teu seio,
Se tu fosses, querida, a minha mãe!

Soneto da Desesperança

De não poder viver sua esperança
Transformou-a em estátua e deu-lhe um nicho
Secreto, onde ao sabor do seu capricho
Fugisse a vê-la como uma criança.

Tão cauteloso fez-se em seus cuidados
De não mostrá-la ao mundo, que a queria
Que por zelo demais, ficaram um dia
Irremediavelmente separados.

Mas eram tais os seus ciúmes dela
Tão grande a dor de não poder vivê-la,
Que em desespero, resolveu-se: - Mato-a!

E foi assim que triste como um bicho
Uma noite subiu até o nicho
E abriu o coração diante da estátua.

Dá-me veneno para morrer ou sonhos para viver.