Viver
Apenas
Coisas amenas
Pois, nem sempre tudo
Vale a pena de viver
Viver mesmo assim
Enquanto houver vida em mim
e ter alguma história bonita
Pra contar no fim
e se não houver pra quem contar
escrevê-la, mesmo assim
e sempre ter em mente
Que nem sempre a gente pode encontrar
quem as compreenda
Viver, somente viver
e jamais por preço em nada
e muito menos colocar
a alma à venda.
Edson Ricardo Paiva
Existem
muitos modos de enxergar a vida
mas cada um de nós
Precisa decidir
A sua maneira viver.
A gente pode conhecer
Milhões de palavras
E dizer a palavra errada
Ou não encontrar nenhuma
Mas em qualquer circunstância
É preciso ter sempre
Uma palavra só
Um bom conselho
Poderá te fazer refletir
Mas a melhor decisão
Está na voz do coração
E não te importa em nada
A opinião do mundo
Quando Deus
Põe a resposta em teu caminho
Está decidido
Numa fração de segundo
Saiba
Que tua alma pode possuir
A divina faculdade
de enxergar ao longe
e também na escuridão
Desde que você aprenda
A sempre agir com lealdade
Pois os olhos da verdade
Sabem reconhecer
A verdade em outros olhos.
Mas por mais ciência
Que se possua
Não existe receita infalível
Pois em alguns momentos da vida
Só o silêncio existente
No passar no tempo
Vai fazer germinar
Tua semente de esperança
Que plantaste
Naquele coração
Amado e abençoado
Confia no tempo
e saiba
Que o silêncio
Pode ser a melhor prece
E mesmo que o sono não venha
Tenha sempre o bom costume
de crer nos teus sonhos
Por mais distante
Que pareça
E por menos esperança
Que tenha
esperança pequena
é sempre esperança
Se sabes que é pra bem
Ela sempre compensa
Confia no tempo
E faça a tua vida valer a pena
Edson Ricardo Paiva
Eu gosto
de coisas que não se descreve
Prefiro viver diferente
daquele jeito sem graça
Que tanta gente vive
Enquanto pensa
Que comprar e vender fumaça
Me faça crer que elas vivem
Eu gosto
De não precisar limpar
tanta fuligem
A cada dia que amanhece
Eu gosto
do que não se vê no rosto
Posto isso
Eu realmente gosto
Que haja algum compromisso
Mesmo quando dizem
Que não presto
E aposto
Que quando gosto
Existe um motivo divino
Meus olhos cansados
E minha alma de menino
Com o tempo aprenderam
Que quando se gosta
E não se vê no rosto
Pode procurar e ver
Que muito provavelmente
Vou gostar de todo o resto.
Edson Ricardo Paiva.
Como se não bastasse viver
Eu fui escolher amar
É como se não
Houvesse nenhuma escolha
As coisas do coração
Sempre rumam
Em direção àquilo
Que é belo e bonito
E estava escrito
Que ao cair da última folha
Todos os castelos de areia
Não prosperariam
A gente apenas não sabia
Que aquelas pequenas coisas
Que a gente tristemente vivia
Anos à fio
dia a dia
Coisas que pairavam no ar
Um jeito triste de viver
Aquele amar
Onde inexistia
Qualquer espécie de amor
Se transforma
Num cálice transbordante
Promessas esquecidas
Triste vida
E tudo se acaba
Em menos de instante
Como se não bastasse o amor
Eu fui escolher você
Eu escolhi um viver
Que não nos basta
E o vasto mundo a trilhar
Tendo ao lado
Um pote de alegria
Me falta escolher
Uma flor pra te dar
e depois te confessar
A falta que me faz
Ter talento pra escrever
Algo bonito
Estar de joelhos
Os olhos e o rosto vermelhos
A lhe dizer
Que não tema nunca mais a solidão
Então
Eu fiz somente um sigelo poema
Não é perfeito, mas agora está escrito
E tudo que nele foi dito
Eu fui buscar
No fundo do meu coração,
Edson Ricardo Paiva.
Viver
Pode não ser
Algo que faça bem
Morrer
Pode ser que não seja
Algo que nos ameace
Nem tudo
Está sempre ao nosso alcance
Além da simples ilusão
Contudo
Simplesmente não me iludo
Com vida
esperança guardada
ou nada assim
Eu trago sempre escondido em mim
Um triste sorriso
de despedida
Pode ser
Que seja usado
ou não
Pode ser
que nem não chegue a dar
Aquele aperto de mão
que ninguém usa
Quando chega o fim da vida
Assim como chorei
No dia em que
de certa forma
desembarquei neste mundo
Adentrei a essa história
Inglória
e sem regras a ser seguidas
Ou a gente se entrega à ela
Senão não se entrega a nada
E pede a Deus
Perdão pelos grandes rasgos
e imensos estragos
Causados ao coração e à alma
Não existe nenhuma norma
Nem foi escrita
A forma mais bonita
de fazer ou desfazer
A aquilo que não fizemos
de fato
Talvez
O perfeito formato
Seja o ato
de somente sobreviver
e depois deixar escrito
Um simples relato
Mentiroso e bonito
a ser lembrado
Edson Ricardo Paiva.
A vida é uma coisa doida
Difícil de viver, se bem cuidada
E flui mais naturalmente
Quando gente não liga pra nada
Portanto
Os olhos fechados
Nos momentos de profundo pranto
Proporcionam uma visão mais aguçada
Pérfida e sórdida.
Somando-se a isto
A total ausência de ilusão
Muita gente ficaria estarrecida
Ao perceber
Que ela se torna um tanto assim
Menos estúpida
Guardadas as devidas proporções.
Proporciona uma cândida lucidez.
Explêndida!
Repleta da hipocrisia enrustida.
A gente dá voltas ao mundo
Enquanto parado
Ficando estacionado, andando em círculos
Percebe a Humanidade
Praticamente um corpo só
Imbuído de uma mente louca
Investido da rara qualidade
de saber amar
Possuindo pra isto
Um possessivo, enorme e falso
Amor de verdade
Conforme lhes convém
Me perdi
Foi aí que eu encontrei a solução
Se olhar direito, dentro de cada coração
Hoje eu sei:
Não há de se salvar ninguém!
Edson Ricardo Paiva
A Arte de Viver.
Estrelas
No Céu da noite
Um fino véu azul
Ornamentando a luz do dia
A ultravioleta decanta em clorofila
Meus pés, sempre no chão
É que me dão
A firmeza de um voar
Sem rumo e nem medo
Inexplorado Universo invisível
Cintilando ao alcance dos dedos
Sem dar chance de ser percebido
Pelos cegos e surdos sentidos que vejo
Sentindo-se
Sabedores de tudo
Cumprindo o que estava escrito
Ases de paus, nos baralhos do mundo
Arcaicos retalhos de vida
A sua visão em mosaico faz lembrar
A lente suja e desfocada
Dum caleidoscópio de brinquedo
E eu me sinto sozinho no mundo
Enquanto a mente flutua em segredo
Meu olhar alcança a Lua
Sua luz refletida no chão
Eu vejo um pouco...bem pouco
Do muito que todo mundo pensa ver
...e não vê
Nem sequer imagina que existe
Atarefado e atarantado mundo,
Não pode dedicar-lhe
Sequer um ínfimo instante
O chão sob meus pés,
Muito acima do olhar
Firmamento infinito
Bonito é o momento
E eu o levo comigo
No abrigo do peito
Consciente e acordado
Pro fato que existo
Entre um Céu e uma Terra
A arte da vida ensinou
Em silêncio, a fazer parte
do conjunto das coisas
Que excedem, ultrapassam e existem
Aquilo tudo que em nenhum dia
Nem sequer sonhou em sonhar
As coisas que supõe saber
A vossa vã filosofia.
Edson Ricardo Paiva.
Viver a vida
E enquanto vivê-la
Não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme o peito da gente
Num solo infértil
Igual a esse enorme deserto infecundo
Existente num local incerto
Que por não saber
Chamamos Mundo
Insistente qualidade obsoleta
Em querer a qualquer preço
dar à essa existência qualquer meta
E depois, mesmo assim
Vivê-la
Pelo mero fato de viver
Botando prazo de validade pra tudo
E estudando a melhor maneira
de piorá-la
A vida pode ser uma pálida passagem
Bólide e sem rastro
Nave que flutua suave, ao sabor do mastro
Não permita que essa vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
Um compromisso com Deus
e ninguém mais
Se houver razão pra estar em paz
Pense no poeta que escreveu a vida
Sem meta
Direção ou seta
Nem justa ou injusta medida
Edson Ricardo Paiva
Viver a vida
E enquanto vivê-la
Tentar não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme a vida da gente
Num solo infértil e infecundo
Parecido com o lugar
Que por não saber seu nome ao certo
Chamamos o lugar de Mundo
Insistente invalidade
Inverdade obsoleta
Tenta a qualquer preço
Exigir-lhe alguma meta
Sem que seja necessário dar a ela
Norma ou forma
Pra depois, infeliz, vivê-la
Pelo mero fato de viver
Pensamento
Abstratamente concreto
Piorando a essa pálida passagem
Bólide e sem rastro
Nave que flutua suave, ao sabor do vento
a soprar-lhe o mastro
Maestro da sinfonia
Não permita
Que a vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
Um compromisso com Deus
e ninguém mais
Se houver razão pra estar em paz
Pense no poeta que escreveu a vida
Sem meta
Direção ou seta
Nem justa ou injusta medida
Portanto, enquanto houver
Estrelas pra ver no Céu
Aproveita a chance de olhar pra elas
Um dia há de restar
Somente a lembrança
do quanto um dia foram belas.
Edson Ricardo Paiva
Viver a vida
E enquanto vivê-la
Tentar não permitir
Que nada ou ninguém
Transforme a vida da gente
Num solo infértil e infecundo
Parecido com o lugar
Que por não ter
um nome a lhe dar
Chamamos de Mundo
Nosso inválido lar
Sem saber de verdade
O que fazer dele ou da vida.
Viver é a parte complicada
Sofrida e difícil da existência
Tudo mais vai se tornando fácil
Conforme a experiência adquirida
Desde que a gente não queira
a qualquer preço
Exigir-lhe alguma meta
Nem que seja necessário dar a ela
Norma ou forma
Pra depois, infeliz, vivê-la
Pelo mero fato de viver
Pensamento
Abstratamente concreto
Piorando a essa pálida passagem
Bólide sem rastro
Nave que flutua suave
Com o vento a soprar-lhe o mastro
Se eu puder pedir
Eu imploro
Que o Maestro da sinfonia
Não permita
Que a vida se transforme
Num problema grave e sem saída
A vida é só isso
E mais nada
Um compromisso com Deus
Se houver razão pra estar em paz
Agradeço ao Poeta que escreveu a vida
Sem meta, direção ou seta
Nem justa ou injusta medida
Portanto, enquanto houver
Estrelas pra ver no Céu
Aproveito a chance de olhar pra elas
Um dia há de restar
Somente a lembrança
do quanto um dia foram belas.
Edson Ricardo Paiva
Vivendo a vida
É assim que se vive a vida
Viver é coisa tão simples
Que a gente não vê
Em qual altura da vida
O viver se tornou complicado
A vida nada explica
Apenas fica
Viver a vida
É dar tudo que tem
Pra quem
Faz festa e nem te convida
Vivendo a vida a gente vê
Que nesta vida
A gente chega sem nada
E fica
Aos poucos
Tudo complica
E
Ao que tudo indica
Um dia a vista enfraquece
A cabeça passa a esquecer
O quanto a vida esqueceu a gente
Então
Simplesmente se vive
E se erra tudo novamente
E vai vivendo na marra esta vida
Tempo perdido
Dedicado a fazer
E vai fazendo por ser lembrado
Tendo ao lado
A vida
Esquecida e complicada
da qual
Um dia a gente sai
E quando vai
Não leva nada.
Edson Ricardo Paiva
A gente vive
Mas não é preciso viver
A gente nem nasceu porque quis
E se acaso quis nascer
Esqueceu-se do porquê
Ninguém precisa ser feliz
Desnecessário ser triste, ou coisa assim
E há de ser até o fim
Essa coisa sem sentido e torta
Muita coisa sem começo
E todas elas tem fim
Tudo fica no pretérido
Vegetação sem raiz
Sem ar e sem luz
Mas a gente vive
E mesmo se a gente voasse
A vida é sempre só aqui
Por mais lugares você fosse
A conclusão sempre fatal
As coisas são diferentes de longe
Mas de perto é tudo igual
Fatalmente
A gente não tem pra onde ir
Tudo isso quando se vive
Olhando pra fora da gente
Pode acontecer
De um dia finalmente olhar no espelho
E chegar à conclusão
Que o mundo que se procura
Nunca esteve ao lado da gente
Muito menos lá na frente
No espaço ou no passado
Eu sou a melhor pessoa
Eu sou o melhor lugar para estar
Todo o resto
É tempo perdido à toa
Pois eu sei quem sou e me conheço
Nesse momento eu começo
A gostar de mim
De um jeito que eu sei que mereço
Ainda não me lembro porque nasci
Também não sei se foi porque quis
Mas, já que estou aqui
Finalmente estou decidido
A viver
ser feliz.
Edson Ricardo Paiva.
O ato de querer
Nisto consiste a vida
De fato, é isto que impede
Da gente viver por viver
Imperfeito, o coração deseja
Os olhos anseiam
A alma implora
de tanto querer
O coração fraqueja
A alma pesa
Os olhos ... esses choram
Deplorável carência
Louvável vontade que existe
Num triste querer de verdade
Querência ... daquela que dói
Rói o coração
Quase pára, bate lento
Na dor que dói, tão doida
Então, por que será que a gente
Insiste tanto em viver
Se nisto consiste a vida?
Edson Ricardo Paiva.
Não tenho medo da morte
Nunca tive
Meu medo era viver
Esta vida
Na qual não se vive
Nunca tive medo de tempestade
Tenho medo deste Sol que arde
Não Existe apenas a chuva
O problema é a palavra
Que me vem e tanto machuca
São lembranças
Piores que a morte
Que fizeram estes cortes
Sem cura
Não tenho medo do escuro
Meu receio é a claridade
Ela invade a vida
E me impede de esconder
Ou de esquecer
A dor
de ver tanta vida
assim
Perdida
Eu quero viver
Num mundo sem muro
Eu quero que o espírito das árvores
Nos eduque
Andar em tapetes de flores
Eu quero caminhar num mundo
Em que hajam pedras
Porém, que meus pés não se machuquem
Eu quero apenas
Companhias inocentes
Cientes da noção
De que raizes, estrelas e corações
Originam-se das mesmas matrizes
tem todas a mesma matiz
Luzes que decantam
Sob o prisma da sabedoria
Que abrange e há de abranger
A imensa maioria
Que caminha sob o mesmo Céu
e sob O Mesmo Olhar Complacente
de Constelações
de Astros e de Gente
Sinto me fragilizado, triste!
Abandonado... estático
Tentei viver de modo prático
Tentei tentar de um jeito tácito
As coisas tomaram proporções
Um tanto trágicas
Um coração de ouro às vezes se confunde
Com algo apenas metálico
Deixei de angariar sua simpatia
Parei de receber seus beneplácitos
A vida passou
O Mundo girou
O vento soprou
E enquanto o vento sussurrava
O Mundo pareceu parar
A vida realmente me surrava
Esmiucei e fui esmiuçado
Meu coração, outrora bom
Tornou se apenas
Algo deixado de lado
Simples peça de decoração
Viver sem precisar
pedir conselhos
Mas estão todos
ocupados demais
admirando a própria beleza
diante dos seus espelhos
para enxergar
as coisas que ali não refletem
Hoje
Meu coração amanheceu
Tão frio quanto este dia
E não sei
Quanto tempo eu vou viver
Sem saber se novamente
Haverá nele calor
Eu pensava que o amor
A gente levasse com a gente
Não percebi que ele morria
Pois nele eu vivia absorto
Não via que estava morto
E vivia em mim somente
Nem sei se existiu de fato
Ou foi coisa da minha mente
Amor, algo assim, abstrato
Verdadeira mentira
Pura ilusão
Concreta agora
É somente a ira
Que me congela o coração.
Um dia
eu ainda vou conseguir
Viver somente aquele dia
Sem precisar pensar
Nos problemas de amanhã
adquiridos ontem
Vou viver
Somente aquele dia
Igual eu fazia na infância
Eu vou vê-lo amanhecer
e, excepcionalmente
Vou almoçar
Na hora do almoço
Conversar com alguém à mesa
sem raiva, sem discussão
reclamação ou acusações
Apreciar a refeição
e o tempero
de uma comida que eu não fiz
À tarde
Vou caminhar.
ou olhar o Sol
ou lêr um livro
ou dormir
Quem sabe
Eu possa até sorrir
Sem haver necessidade
de explicar
o motivo do sorriso
Meu Deus
Eu pensei
Que a vida toda seria assim
Não foi
Mas o Senhor sabe que eu preciso
viver ao menos um dia
Antes que anoiteça
definitivamente
Em minha vida
E nesse tão acalentado momento
Que nunca chegou
Pois
Por motivo de amor
Eu o deixei cair no esquecimento
O amor não veio
A alegria não veio
esse dia não veio
O tempo prosseguiu
Minha esperança partiu
Eu parei
Aqui no meio.
Creio que me seja preferível
Viver de saudade, talvez até
de insanidade, uma curta loucura de mentira
À viver as verdades que amanhecem com os dias
Eu acho que esse quotidiano mundano
É horrível demais, para vivê-lo assim
da maneira que ele me vem
Prefiro conversar com as almas do além
A gente vai falando sobre as coisas
que nos eram costumeiras
lealdade, coragem, galhardia e outras besteiras
bobagens que não fazem mais
parte deste infame dia a dia
em que impera a covardia
na triste realidade
Que os modernos amanheceres nos apresentam
Calço meus chinelos e vou ao quintal
até os voos mais inocentes
das transeuntes borboletas soam falsos
Elas dão-me a impressão
Que se esqueceram como se voa
e voam à toa um voo desajeitado
De inseto que não poliniza nada
Voa um voo meio que andando
de vez em quando vêm-me a impressão
Que ela está a ponto de pedir minha ajuda
A vantagem que vejo no inseto
é que ele voa mal, mas voa quieto
seu voo suicida de quem se autoatropela
Deus fez muito bem
Em fazer da borboleta
Uma criatura muda e bela
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