Viva a Vida como se Fosse a Ultima
Confesso que eu sou um baita de um egoísta, lhe guardo e lhe protejo, como museu do louvre protege a Mona Lisa.
"Se nós, como cristãos, buscamos fazer o certo e ainda assim falhamos, imagine o quão mais difícil é para quem persiste no erro tentando acertar."
Acreditar no impossível nos limita; admitir que não sabemos como realizá-lo nos liberta. No momento em que abandonamos as certezas do que 'não pode ser feito', entramos no Ponto Zero.
Ali, aprendemos que o nada não é um vazio, mas o silêncio fértil onde a visão tece o invisível até que a realidade seja forçada a se reescrever.
Como Ser Feliz no Brasil
O Cristo, lá do alto, não abre mais os braços —
estão cansados.
Ele olha o Rio e chora.
Chora como quem já não tem mais lágrimas,
só sangue.
O sangue desce pelas vielas,
mistura-se à chuva,
escorre pelas escadarias do morro,
lava o rosto de uma cidade que esqueceu o que é piedade.
Uma menina grita —
o pai caiu no chão, o peito aberto, o olhar parado.
Ela chama, chama, mas ninguém vem.
E o Cristo, imóvel, observa,
com o olhar pesado de quem carrega todos os mortos
e os que ainda vão morrer.
O policial também caiu.
Não é herói, nem vilão —
é um corpo traído pelo Estado,
um corpo sem preparo, sem futuro,
usado como escudo na guerra dos que nunca sobem o morro.
E o povo grita.
Mas o grito se perde.
Sobe, se mistura ao vento quente,
vira eco, vira reza, vira desespero.
Do outro lado da tela, nas redes,
há quem sorria.
Blogueiros, políticos, comentaristas de sofá —
todos erguendo taças,
festejando o sangue que correu.
Dizem que não foi chacina,
foi faxina.
Mas não eram bandidos.
Eram pais.
Eram filhos.
Eram avós, mulheres, trabalhadores,
gente que sonhava com o mínimo —
sobreviver.
Gente que acreditava,
mesmo que por instinto,
que ainda existia um Brasil para lutar.
Mas o Brasil não olha para os morros,
não sobe as escadarias,
não investe nas escolas,
não abraça o povo.
O Brasil aponta.
Atira.
E depois comemora.
A dor, agora, não cabe mais no peito.
O choro se mistura à lama,
o sangue vira notícia,
e o corpo negro —
o corpo que sempre foi o primeiro a cair —
vira espetáculo.
Dá ibope.
Vira estatística.
Vira silêncio.
E o Cristo, lá do alto,
já não parece uma estátua.
Parece um lamento.
Um lamento feito de pedra,
de fé cansada,
de humanidade morta.
O Brasil sangra no peito d’Ele.
E cada gota que cai
é um pedido de perdão
que ninguém ouve.
Porque aqui,
a caneta que deveria salvar,
assina a sentença.
E o Estado, que devia proteger,
mata.
Mata em nome da ordem,
mata em nome da paz,
mata porque aprendeu a matar
antes de aprender a cuidar.
E assim, o sangue desce o morro,
invade os rios,
chega ao mar,
e deságua no coração do país —
um coração cansado,
que pulsa em silêncio,
tentando, ainda assim,
ser feliz no Brasil.
"A ansiedade é como uma tempestade que chega sem aviso,
bagunça pensamentos, acelera o coração e rouba o fôlego.
Mas, assim como toda tempestade, ela também passa.
Respirar fundo é como lançar âncoras no meio do caos,
lembrando que dentro de nós existe um lugar calmo,
onde a vida desacelera e o medo perde a força.
Eu não sou minha ansiedade.
Eu sou a coragem que permanece mesmo quando ela chega."
"Pai… a saudade que carrego é como um rio que nunca deixa de correr dentro de mim.
O tempo passa, as estações mudam, mas a ausência permanece, silenciosa e imensa.
Ainda ouço sua voz nas lembranças, ainda sinto seu abraço no calor de um sonho.
Cada conselho seu ecoa como luz nos meus dias mais escuros,
e cada lembrança é um pedaço de eternidade que guardo com cuidado no coração.
A saudade que sinto não conhece fim,
porque o amor que nos une é infinito.
Enquanto eu viver, você continuará vivendo em mim,
nas minhas palavras, nos meus gestos e na minha história.
Pai, minha saudade é eterna… assim como o meu amor."
Eu fecho os olhos e sinto seu cheiro, como se o tempo voltasse e você estivesse aqui. É nesse instante que as lembranças invadem minha mente, seu sorriso, sua voz, o jeito único de me acolher. A saudade é imensa, pai, e aperta o peito todos os dias. Você partiu, mas vive em cada memória, que guardo com amor eterno.
"Ansiedade é como um alarme que toca, mas não tem fogo de verdade. O corpo fica cansado, e mesmo sem gritos ou barulho, parece que nada mais consegue ser ouvido."
A minha ansiedade não é apenas um sentimento passageiro…
Ela é como uma sombra que me segue, mesmo nos dias mais claros.
Às vezes, não sei nem explicar o motivo, mas ela está lá —
como uma tempestade silenciosa, destruindo tudo dentro de mim.
A prece de Cáritas não se eleva em gritos nem se impõe em promessas; ela se derrama como um rio manso que sabe aonde vai. Sua beleza está na simplicidade que desarma o ego e na profundidade que educa a alma. Ao pronunciá-la, o ser humano deixa de pedir para ser poupado da vida e passa a pedir para ser digno dela.
Cáritas ensina que o verdadeiro auxílio divino não é a retirada das dores, mas a ampliação da consciência. Cada palavra da prece parece recordar que nada nos pertence de forma absoluta: nem o corpo, nem o tempo, nem as certezas. Tudo é empréstimo sagrado, e a gratidão surge quando compreendemos que até as provas carregam lições silenciosas, moldando o caráter e despertando o amor que ainda não sabíamos possuir.
Há nessa oração uma pedagogia espiritual profunda: aceitar o que não pode ser mudado, agir com retidão diante do que pode ser transformado e confiar quando a razão se esgota. Ela não incentiva a passividade, mas a serenidade ativa aquela que trabalha no bem sem revolta, que sofre sem ódio e que serve sem esperar reconhecimento.
A prece de Cáritas também nos chama à fraternidade real, não idealizada. Ela nos lembra que a dor do outro não é um espetáculo distante, mas um espelho possível do nosso próprio caminho. Ao pedir forças para suportar e aprender, o orante se compromete, ainda que silenciosamente, a não ser instrumento de sofrimento, mas de consolo, equilíbrio e luz.
No fim, essa prece é um exercício de alinhamento interior. Ela recoloca o ser humano em seu lugar justo no universo: nem centro de tudo, nem abandonado ao acaso. Apenas um viajante consciente, sustentado pela confiança, caminhando entre quedas e elevações, certo de que toda experiência, quando atravessada com amor, se transforma em sabedoria.
Estela, assim como o seu nome, passou como uma estrela sobre mim.
Deixando a lembrança do seu brilho e a saudade da sua beleza.
Queria poder sorrir como antes, ser o Eu de antes, mas já não vive mais em mim.
Assim como você partiu, junto uma parte minha também se partiu.
Nunca mais serei a mesma.
Agora me sinto solitário, vazia
Com uma dor permanente,
As lembranças figuram em minha mente,
E o que antes me gerava alegria, agora são colhidas como dor.
Você me dói. Me dói como quem entra pela ferida já aberta e dança nela de sapato sujo. Me dói como febre que não quer ir embora, como saudade de um toque que nunca veio. Eu queria te amar com leveza, mas você me amarrou a um piano e me jogou no fundo do mar — e agora toda vez que tento respirar, sai uma melodia de dor.
O amor não começa com um encontro.
Começa antes —
como a luz das estrelas que já morreram
e ainda assim nos alcança.
É uma física invisível,
uma gravidade que inclina os destinos
sem pedir licença às órbitas.
Dois corpos caminhando distraídos
e, de repente,
o universo resolve aproximá-los.
Não é incêndio —
é brasa que aprende o nome do vento.
Não é tempestade —
é maré que entende a lua
e sobe, paciente, pela areia do outro.
Amar é deslocar o eixo do mundo
sem que o mundo perceba.
É dividir o pão e, sem alarde,
dividir também o medo.
É tocar a mão alheia
como quem segura a própria queda.
O amor é um idioma que se conjuga
no plural do futuro:
“nós seremos”.
Mas também é arqueologia —
escava as ruínas da infância,
beija as rachaduras da memória
e transforma cacos em vitrais.
Não há ciência que explique
por que um olhar atravessa
como se abrisse portas antigas.
Nem por que um nome, dito baixo,
possa reorganizar a anatomia do dia.
O amor é um risco.
E ainda assim,
é o único risco
que nos escreve.
Ele exige coragem de mar aberto:
a coragem de não ser ilha,
de permitir que outro continente
encoste em nossa costa
e mude o desenho dos mapas.
Há quem o confunda com posse —
mas o amor não aprisiona:
ele sustenta.
Não amarra:
ancora.
Amar é aceitar
que o outro é mistério
e ainda assim escolher ficar.
É compreender que nenhuma pele
abriga o infinito,
mas que, juntos,
podemos tocá-lo.
E quando o tempo —
esse escultor implacável —
esculpir rugas na face do mundo,
o amor permanecerá
como um fio invisível
costurando dois silêncios
num só respiro.
Porque no fim,
quando todas as palavras forem insuficientes
e toda a glória for pó,
restará o gesto simples:
uma mão procurando outra
na escuridão —
e encontrando.
" Preciso ir ...
Agora sou como Alice no país das Maravilhas, lutando contra o tempo, preciso chegar no objetivo mas sempre me distraiu com algo interessante no meio do caminho e vem o coelho para me dizer que o tempo voa. As bolachinhas da estatura de Alice, só podem ser Ritalina para focar.
NOVOS TEMPOS E ANTIGOS VALORES
Vivemos tempos de incertezas onde a idéia de como fazer para conseguir sobreviver às mudanças no convívio social e ambiental é todo o dia uma novidade, ou seja, nossas vidas tem sido alimentadas pela nostalgia do passado afim de encontramos esperança num futuro próximo resgatando antigos valores...
"Depois de muito relutar, aprendi que devo aceitar as pessoas como são, porém eu decido, o lugar que elas devem estar na minha vida."
SOU GARI
Sou Gari,
Sou catador de lixo
E me tratam como bicho
Quando quero trabalhar
Não bastasse ainda o sacrifício
De acompanhar de perto o disperdício
De tudo aquilo que ainda dá pra aproveitar
Menosprezam meu serviço
Mas ainda sinto orgulho do meu ofício
Pois dele meu sustento posso tirar
Ainda assim o meu dinheiro
Não me paga o reconhecimento
Que eu deveria ganhar
Pois não apenas varro ruas e calçadas
E nem somente recolho o lixo das estradas
Que você insiste em sujar
Minha ação vai mais além
Pois mesmo sendo um "ninguém"
Da sua saúde ajudo a cuidar
Mesmo assim não sou doutor
Mas faço tudo com amor
Para que doenças não possam se alastrar
Dê valor ao meu trabalho
Suo a camisa sem horário
Para tudo organizar
E mesmo que você não veja
Eu sou aquele na peleja
Para uma cidade limpa te entregar
(mantenha ela assim)
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