Viva a Vida como se Fosse a Ultima

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No dia em que o adeus rasgar a nossa última folha, o teu peito há de sangrar a certeza de que fomos o último enigma que o destino esqueceu de apagar.

Deixa eu te perguntar uma última coisa: estou na dúvida se foi o seu sorriso que me encantou ou a sua linda voz.

As lágrimas do passado regam a última raiz da minha esperança, onde o teu sorriso ainda mora e a saudade cura o tempo. Dormir virou o único jeito de tocar teu rosto, pois nos meus sonhos nossa história recomeça sem pressa, viva e eterna.

O tempo passou para todo mundo, menos para o sentimento que guardo trancado no peito desde a última vez que te vi.

Se houvesse uma última vez para nós, eu escolheria um banco de praça só para te confessar o tamanho do meu amor.

Diferença entre dor e sofrimento é esta última ser opcional.

A Última Poesia do Pó e da Lua


Doeu, de forma visceral, quando percebi que não estava aqui. Doeu, como há anos atrás, quando te vi partir. Doeu, como a primeira dor, antes de você existir. Mas hoje vejo que a vida é assim. O amor não basta. A dor, a revolta, qualquer coisa que eu faça será sempre poeira ao vento do velho pó que amava a lua e se perdeu tentando alcança-la. Do velho pó que se desfez quando a noite não chegou por meses que soaram como a eternidade naquele frio e congelante inverno.
Não quis te prender, mas me prendi. A condenação é só minha, e o crime só eu vi. No fim das contas, eu nunca fui o bastante, e não há nada que possa trazer de volta nem mesmo o que já fomos. Só em sonhos e na minha mente posso te ver e sentir. Só aqui dentro você está viva pra mim, e quando o mundo for demais, não poderei te ouvir. Talvez nunca saiba do dano e nem da cura, mas sempre serei o pó tentando alcançar a lua. Sempre serei o pó que tentou alcançar a lua.
- Marcela Lobato

Sonho da última semana do mês de outubro de 2023...


"Sonhei com meu tio, lavando duas calças e elas eram cada uma de cor diferente, uma azul e ao outra caramelo, ele as colocou dentro de uma bacia e vi quando a azul, manchava a outra, de cor caramelo.
Eu fui avisar para ele que manchava e que ele não tinha que ter misturado as duas.
Ele retrucou com um sorriso enorme nos lábios dizendo "eu não sabia e você não me ajudou."

Sonho da última semana do mês de outubro de 2023...


"Sonhei participando de um torneio na Índia e tinha que mergulhar no Rio Ganges, então eu olhava as pessoas mergulhadas naquela água e ficava com muito nojo, porque a água estava tão poluída pelos cadáveres ali jogados, que borbulhava.
Eu lembro que havia muitas lonas espalhadas, onde os competidores tinham que descer por ela e passar por vários obstáculos e chegar até ao Rio, mergulhando e teria que sair nadando.
Vi uma criança passando por mim nadando, enquanto ela estava toda mergulhada na água, como se não se importasse com toda aquelas borbulhas que saiam.
Eu a olhava abismada e pensando em desistir de competir, foi então que acordei."

Sonho da última semana do mês de outubro de 2023...


"Sonhei com o Silvio Santos, sim. O apresentador de TV, na minha casa, ele estava com uma pasta cheia de documentos de cor envelhecida e lá havia uma música que ele pedia para alguém cantar com ele, a pessoa não conseguia, não lembro quem era a pessoa. Então, pedi para cantar, porque eu poderia conhecer a letra, foi então que peguei a pasta das mãos dele e comecei a olhar cada folha daquela pasta, com muita curiosidade, sentei em uma cadeira, junto a uma mesa e eu pegava todas e observava que eram bem velhas e bem gastas, porém bem conservadas, com todas as letras no lugar.
Eu acabei encontrando uma pequena caderneta dentro, com muitas anotações do Silvio, e havia alguns símbolos que pareciam bem enigmáticos.
Eu tentei entender, mas depois acabei desistindo e continuei folheando tudo.
Observei que eram letras de canções por ele compostas e outras que ele havia comprado os direitos e ali naquele momento, entendi que boa parte da fortuna dele, havia saído de tudo aquilo.
Cada folha, tinha uma letra de música, registrada em cartório.
Eu não falei nada para ele, apenas o observei olhando para mim, ele me encarava de uma forma misteriosa e ele tinha os olhos azuis nesse sonho, apesar de ter a mesma aparência.
Seu olhar, eu não consegui compreender, só sei que eu não conhecia nenhuma letra daquela pasta e fiquei confusa, enquanto tentava arrumar tudo, após me descuidar e derrubar tudo no chão.
Deve ser por isso, que ele me encarou.
Então, depois lembro que ele levantou de onde estava, foi até mim, falou algumas palavras e deixou tudo aquilo comigo.
Ele se despediu e desceu, para ir embora, ligou a lanterna do celular dele e já era noite, quando ele desapareceu em meio a escuridão, enquanto eu o olhava e como o terreno era muito íngreme, eu reclamei com alguém, dizendo "por que você não foi levar o Silvio, até lá embaixo, ele podia ter tropeçado e caído" então, a pessoa respondeu "ah!! Ele sabia descer " foi então que voltei o olhar para todos os papéis em minhas coxas e acordei."

Sonho da última semana do mês de outubro de 2023...


"Sonhei com o cunhado do meu marido, pedindo ajuda para os sobrinhos do meu marido, para vender algumas coisas, para juntar o dinheiro e comprar uma fazenda.
Ninguém quis ajudar, então eu me pronunciei e disse que o ajudaria.
Depois, ele ficou reclamando falando "mas, na hora que as batatas tiverem plantadas, vocês vão querer comer, né?".
Se referindo aos sobrinhos.
Ele queria comprar a fazenda para fazer plantações.
Então, eu dizia que também iria comprar, porque os meus vídeos na internet, iria me dar muito dinheiro e eu além de ajudar ele nas vendas, eu em breve também compraria uma fazenda para mim.
Então, acordei."

Sonho da última semana do mês de outubro de 2023...


"Sonhei que estava em São Paulo e estava no apocalipse, muitos prédios destruídos e minha família se escondeu atrás das ruínas, enquanto eu corria de um gárgula do tamanho de um homem, com asas de morcego e cara de demônio.
Eu corria e ao meu redor, era só fogo e ruínas, eu tentava distrair a coisa, para não voltar para onde minha família estava, enquanto o olhava desesperada, ele voava muito rápido e as garras dele, eram gigantes, mas eu estava feliz, porque a minha família estava segura.
Eu corria em uma rua, com um cenário muito degradante de guerra e então, acordei."

As pessoas sempre dizem para você ser humilde, humilde, humilde. Quando foi a última vez que alguém lhe disse para ser incrível, grande ou demais?

Tudo que for fazer faça com inensidade, pois pode ser a ultima vez.

O pensamento crítico é a última trincheira entre a multidão e o rebanho.

"A dor não precisa ser a última palavra da nossa história. Quando a entregamos a Deus, ela pode se transformar em um caminho de compaixão, esperança e amor ao próximo."

Às vezes estou só o pó da rabiola. A capa do Batman virou pano de chão, a última bolacha do pacote já está toda esmagada. Mas basta alguém dizer que fui referência em sua vida para tudo se regenerar, como um camaleão que muda de cor para continuar seguindo. É aí que lembro: o que fazemos com amor se eterniza.

Onde a última coordenada se apaga, a linha inalcançável do cosmo não divide a terra, mas o sopro azul do pulmão do mar, que respira o tempo entre o que fomos e o que esquecemos de ser.
Reno Fioraso

O mundo que experimentamos não é a realidade última. É uma projeção interna holográfica gerada pela consciência, construída a partir de entradas sensoriais recebidas diretamente do Arquicampo.

A Última Casa


Nasci onde os telhados aprendiam a desabar
antes mesmo de conhecerem a chuva.
Chamaram aquilo de infância.
Eu chamei de ensaio
para todas as ausências que ainda viriam.


Meu pai deixou apenas o formato da porta
fechando-se pela última vez.
Minha mãe transformou-se
num retrato que a memória insiste em restaurar,
embora o tempo continue roubando-lhe o rosto.


Desde então,
aprendi que abandono
é uma religião silenciosa:
ninguém a prega,
mas todos os órfãos sabem rezá-la.


Amei mulheres
que partiram antes mesmo de chegarem.
Elas deixaram perfumes
que sobreviveram mais do que as promessas.
Ainda encontro algumas
caminhando pelos corredores da minha insónia,
sem jamais voltarem
para recolher o que esqueceram dentro de mim.


Há anos
o telefone permanece imóvel,
como um cemitério de números.
Nenhuma voz pergunta se sobrevivi.
Nenhum "como estás?"
atravessa o deserto dos fios.
Até o toque desistiu de mim.


Conheci a anatomia das praças públicas.
Os bancos de cimento
foram mais fiéis do que muitos abraços.
As estrelas serviram de teto,
o frio escreveu cartas nos meus ossos,
e os cães de rua
guardaram melhor o meu sono
do que qualquer promessa humana.


Vi o amanhecer nascer
entre papelões, ferrugem e nicotina.
Descobri que a fome
não dói apenas no estômago;
ela mastiga a esperança
até restarem apenas os dentes.


Durante anos
acreditei que Deus
tinha perdido o meu endereço.
Talvez nunca o tenha conhecido.


Mas há uma verdade
que nenhuma ruína conseguiu demolir.


Depois que todos partiram...
depois que cada amor escolheu outra estação...
depois que o mundo esqueceu o meu nome...


restou alguém.


Eu.


Este homem coberto de cicatrizes,
de mãos rachadas,
de olhos que aprenderam
a conversar com o silêncio.


Foi ele quem me levantou
quando ninguém regressou.
Foi ele quem dividiu comigo
o último pedaço de dignidade
quando já não existia pão.


Hoje compreendo:
o amor mais raro
não chega pelo telefone.
Não regressa numa fotografia.
Não bate à porta
vestido de saudade.


Ele cresce,
bruto como ferro,
puro como água encontrada
no meio do deserto.


E quando o mundo inteiro
me declarou abandonado,


eu finalmente encontrei
a única pessoa
que jamais teve coragem de me deixar:


eu mesmo.