Viva a Vida como se Fosse a Ultima
A menina que dançava
Falaram-me de uma menina,
Que enquanto descobria seu ritmo,
Pensava-se menos leve,
Que o ar que a circundava.
Seu corpo feitio de brisa,
Se deslizando compenetrado,
Já mostrava que havia canto,
Mesmo quando não escutavam.
Parece-me que seu cabelo,
Poderia ser azul esverdeado,
Como se fosse coreografia de raios,
Se estendendo em sua face.
Como a desconheço, dar-lhe-ei o nome Eduarda,
Aquela que guardou nos pés,
A dança como abrigo,
E se foi envolvendo de ritmos,
Pungidos de existência.
Assim lhe surgiram os duetos,
Com seus deleites sonoros,
E também o estrondar de tambores,
Sucedendo sinfonias.
A esperança lhe chegou,
Como um bale compassado,
Mantendo firmes os braços,
Olhando para o alto, a seguir na direção.
As vezes até parece,
Que nem sequer percebia,
Que viver também se aprende de dança,
Que o tempo faz emergir.
Dança-se no silêncio da alegria.
Na tristeza acalentada.
Descobrem-se em distintos momentos,
Cenários convertidos de linguagens.
Na há movimento sem emoção,
Pulsar alheio, sem sonoridade.
Se dança com pó no rosto,
Com o brilho de enfeites costurados.
Mal sabe essa menina, que um dia lhe contarão,
Que estava a dançar com dor e graça,
Feita melodia de passos,
A poesia dançante da vida.
Carlos Daniel Dojja
In Poema para Crianças Crescidas
Carta para Mia Couto
Prezado Mia Couto,
recebi uma mensagem de Shakespeare,
dizendo que o amor é pouco,
contrapondo-se a Pessoa
para quem o amor pode ser vário.
Decidi falar com Einstein que como sempre relativizou,
disse que o amor é uma órbita, que gira em torno de nós.
Quando estava te escrevendo Vinicius me chegou,
disse olha, a vida tem jeito, só se morre e nasce de amor.
Então em Moçambique, se a carta o Atlântico cruzar,
diga ao Carlos como se fala, o amor não deve tardar.
Se estiver ocupado, tratando algum assunto com Camões,
peça-lhe que envie transcrito em poucas e simples linhas,
- O amor é um contentamento descontente,
é dor que a gente se sente, que se desatina sem doer.
Quando eu receber a resposta, prontamente lhe confirmo,
atestando a Drummond, que o amor é um estar em ser,
num ser mais que profundo.
Eu ficarei orgulhoso de receber a explicação,
já que me vivo a Quintanar de amar,
o amor em sua extensão.
Até resgatei um modesto conceito,
desses que se declara numa ciranda de amigos,
- o amor, é tão somente, o infindo sopro, se fazendo vida.
Carlos Daniel Dojja
Dúvida do ar
Duvido do ar,
que não circula,
por entre paredes.
O ar calmo, passivo,
não se tornará brisa,
tão pouco vento em rotação.
O ar reprimido,
deixará as paredes ruírem,
tornarem-se velhas casas,
com ervas crescidas no jardim.
Tenho receio deste ar,
que nos mantem sobrevividos,
mas que não nos permite,
experimentar a existência.
Indagação
E se todas as matas tombarem.
Todas as águas turvarem-se de fel e cinzas.
Todas as nuvens perderem o céu.
Se a terra for pisada pelo fogo,
E a lua, o sol, o vento, não mais encontrarem os homens.
Quando não mais amanhecer a natureza da vida,
Qual o dia que ficará, para os que perderam a memória do mundo?
Mãe
Mãe é mão estendida por entre o tempo.
Cantiga que ressoa no ir e vir do percurso.
Acalanto que fica na vivência erguida.
Braço estendido para além do sim e do não.
Embora se cresça em tamanho e fazeres,
Mãe é farta em entremear escolhas,
Deixando-nos o amar sem punição,
Que nos faz ser em cada acolhida.
Mãe é terra que em nós frutifica,
Tornando-nos sementes de superação.
É voz que fica na memória sentida,
Tramada de ternura no balbuciar da vida.
Mãe é ventre que embala o que nasce.
Que do pão se reparte mesmo que falte,
Como fermento de amor que sempre fica.
Mãe é palavra maior, que se entrelaça no coração.
Quando Deus quer levantar alguém para sua obra Ele capacita, mas há aqueles que Deus procura, os que o adorem em espírito e em verdade.
Não existe acaso.
Se chegou até você, é necessário aprender. E o universo não brinca em serviço: tudo o que for ignorado hoje, voltará dobrado amanhã.
Será que vou gostar de estar no lugar ao qual estou levando minha vida?!...
Ainda dá tempo de mudar o trajeto
Conhecimento sem mudanças é apenas informações e informações se apaga com o tempo
A Palavra (Logos) penetra o coração e muda o nosso interior
Sempre achei que o segredo da existência era saber se a vida precisava ter um significado para viver plenamente, mas nitidamente a vida não precisa ter significado para ser vivida, aliás, é bem melhor assim.
A melhor versão de mim
É aquela que
Foi forjada na dor
Que o coração se encheu de decepção
E as percepções sobre si
Chegaram a beira do abismo
De tanta ilusão
A melhor versão de mim
Passou anos e anos
Pra construir
E colar os cacos
Intrínsecos
De uma alma
Sofrida
Por não se conhecer
Não se pertencer
Como pessoa humana
A melhor versão de mim
Não entendia
Que a energia da alma
Deveria compor
As mais belas
Cores de alegria,
amor e gratidão
Pela vida
Acho que tô ficando realista demais, sabe?
Será que amadurecer deixa a gente assim?
Será que eu amadureci mesmo?
Mas o que é amadurecer?
Frutos maduros amarelam e caem
e eu nem gosto de amarelo
sequer gosto de tons pasteis
gosto mesmo é de cores fortes
e do que mais eu gosto?
às vezes, sinto falta de gostar muito
hoje eu gosto, mas nem tanto
Que estranha essa sensação
E estranho, às vezes, é bom
mas só quando não demora demais
Será que com o tempo tudo fica confortável, quase morno?
e eu não gosto de morno
ou será que aprendi a gostar?
Será que preciso descobrir a dose certa entre realidade e ilusão?
Será que dá pra escolher?
Será que é um caminho sem volta?
Será que eu sinto mesmo tudo isso que acabei de escrever?
A vida e seu eterno será!
Sobre o clima!
A vida flui, quando tem um bom clima.
Não é pelo clima, é pela vida!
Mude, crie um clima.
Proteja a vida!
Ter clima pra viver,
É ter tempo pra vencer.
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