Vingança
EXCELENTÍSSIMA ENFERMIDADE
Eu nem te vejo
Eu nem te sinto
Eu nem te toco
Ah, mas você...
Você é esperto rapaz...
Sutilmente se instalou
Dominou
Alastrou
E na beneficência do temor humano
Trancou
Fechou
Separou
Isolou
E como se já não bastasse
Até fez-se expirar a vida de inocentes
E, aos montes
Leva consigo em meses
O que vida toda não foi capaz
Eu nem te vejo
Eu nem te sinto
Eu nem te toco
Ah, mas eu te conheço bem
Não se cansa, né?
Nunca é suficiente, né?
O caos é teu melhor amigo
Agora ele se familiariza
E traz novos companheiros a todos
E como uma boa visita
Trouxe comida
E alimentou os monstros
Antes adormecidos,
Se corromperam em carrapatos da sanidade
O imaculado e vívido sangue
Neste momento, é parte deles
Me contenho com resto
Mas pelo menos me diga
Está feliz?
Está satisfeito?
Conseguiu o que queria?
Serei teu pior inimigo
E assim como sua adoração pelo poder
Sou perdidamente apaixonada pela justiça
Lex talionis
Se os frutos que eu colho
minha vida é quem rega
de bom grado eu acolho
até mesmo quem me nega
Fico em paz e me recolho,
Pois, de tanto olho por olho,
a justiça ficou cega...
Pena
É prazer? É dor? vontade?
Ou será que você tem
a cruel necessidade
de ferir quem te quer bem?
Quem não vê que, na maldade,
mora um pouco de saudade,
de remorso e amor também...
Serenidade mesmo não consiste na capacidade de suportar em silêncio os agravos, mas na capacidade de transcender de tal forma todos os ruídos negativos da alma que não se sinta a necessidade de reagir, mas tentar compreender as motivações do ofensor.
A humanidade quer se vingar, Jesus manda perdoar. Mas, não é somente perdoar a mesma pessoa sete vezes (Mt 18:21-22), mas perdoá-la 70x7 (Mt 6:14-15), isto é, 490 vezes. [...] mas esta quantidade nos mostra que devemos perdoar, quantas vezes forem necessárias. Mais do que isso, nos ensina que, na matemática de Deus, o tamanho do perdão não é equivalente ao da ofensa, pelo contrário, o perdão deve ser muito maior do que a ofensa, e aqui não estou falando só de quantidade, mas de intensidade. Se o agravo foi grande, quanto maior deve ser o perdão. E Jesus não nos ensina isso somente ao criar essa nova equação e ensinar sobre ela, mas Ele mesmo provou dela ao se entregar para morrer na cruz em nosso lugar, nos perdoando por todas nossas ofensas, vivenciando um sacrifício incomparavelmente maior do que nosso agravo. Nós éramos culpados e através do seu perdão Ele nos tornou inculpáveis. Nós éramos dignos de castigo, mas Ele se entregou para ser castigado por nós. Nós, os injustos, fomos cobertos e livres pelo sangue do Justo (I Pedro 3:18). E só poderia ser assim, pois na matemática de Deus o perdão sempre será maior do que a ofensa.
Amo cada pedacinho de mim, mas é chegado o dia onde três me odiaram, não sei três, mais sei que uma vai abrir esse louco caminho .
Sempre que uma pessoa faz algo de errado perto de ti, considera que noção de bem ou mal ela tinha em mente. Pois quando fizeres isso, sentirás compaixão, em vez de espanto ou raiva. Pois tu mesmo podes ter as mesmas noções de bem e mal, ou parecidas, caso em que serás tolerante com o que ela fez. E caso não tiveres as mesmas noções, estarás mais disposto a ser complacente com o erro dessa pessoa.
Quem nunca sentiu vontade de revidar uma humilhação, uma ofensa ou uma traição que atire a primeira pedra. Mas aí, a gente conta até 10 e vê que não vale a pena se igualar por baixo. Então, enxuga as lágrimas, coloca na boca um sorriso grande, daqueles de vai de canto a canto do rosto e segue. Essa vingança sim vale a pena, porque se existe algo que dói gostoso em quem queria o teu mal é assistir de camarote a tua felicidade.
Em se tratando de ridicularizar o ser humano, despindo-lhe de seu último resíduo de inteligência, não há sentimento que cumpra tão cabalmente esse papel maior que o ódio. Ele envenena seu portador com vingança, emburrece gênios e destitui príncipes.
Nenhuma lágrima é tão pura quanto a de uma mulher que ama, nenhum amor é tão sincero, nenhuma devoção é mais fervorosa, nenhum carinho é mais suave e compreensão nenhuma é tão grande, mas vingança alguma é tão cruel quanto a articulada por uma mulher que depois se doar por completo foi traída, enganada e humilhada por quem ela chamou de amor.
Aquilo que proclama a guerra, precede o motivo de encontrar a paz, rebelião sobre reticências, que não se apagam mais.
Aquilo que pensamos que possa nos “lavar a alma”, na realidade é a autocondenação que no mínimo roubará a nossa própria paz de espírito, saúde, tranqüilidade e serenidade.
A dor de uma traição ou de uma rejeição é sempre um chamado para iniciarmos um processo de autoconhecimento, para visitarmos o cerne de nossas feridas emocionais, daquilo que nos toca profundo, devendo sempre ser utilizada para a construção de uma vida mais aprimorada e não para destruir a vida de ninguém, embora tenham tentado destruir a sua.
