Vida Inteira
"Não quero ser como uma árvore que passa a vida inteira no mesmo lugar sem dar frutos, contando às folhas que secam, esperando que me usem antes que Eu apodreça".
"Quem acredita em papagaios piratas passará a vida inteira acreditando que vai encontrar um tesouro."
Passamos a vida inteira correndo atrás de algo que nem sabemos bem o que é, e no final da vida, a gente só queria afeto.
Nós passamos a vida inteira construindo coisas em cima de uma realidade que sabemos ser temporária. Casa, dinheiro, livros, projetos, relações, planos, sonhos. E, no fundo, sabemos que um dia teremos de deixar tudo.
Talvez seja justamente por isso que uma experiência de quase perder a própria vida possa mudar tanto a percepção de uma pessoa.
Depois de chegar perto do precipício, o simples fato de acordar no dia seguinte deixa de parecer banal.
O café deixa de ser apenas café.
Uma conversa deixa de ser apenas uma conversa.
Um animal deitado perto da gente deixa de ser apenas um animal.
Uma manhã comum começa a carregar uma espécie de solenidade.
Amar a si mesma é o início de
um romance que dura a vida inteira. Se cuide, se honre e se priorize todosos dias
"Uma mulher rejeitada passa a vida inteira à procura de aprovação, até que encontra um homem que também foi rejeitado. Os dois se aceitam, e ele diz para ela: 'Agora você sabe o que é ser amada de verdade, desejada e protegida. Agora, vai lá viver sabendo que você não precisa provar nada para ninguém'."
O QUE APRENDI A SENTIR
Passei a vida inteira tentando sentir
o amor que eu via, mas não alcançava.
Minha mãe cuidava, e eu via o cuidado,
mas algo em mim não se aquecia.
Cresci me perguntando:
“Será que o amor existe
ou é só uma palavra bonita
que as pessoas dizem pra se sentir melhores?”
Na vida adulta, vieram alguns “eu te amo”,
vieram mãos dadas, promessas, planos.
Mas na primeira dificuldade,
o silêncio ocupava o lugar deles.
E eu aprendi.
Aprendi a amar sem me entregar inteira,
a cuidar sem criar raízes,
a ficar presente…
mas deixando uma parte de mim
sempre de mala pronta.
Com amigos, com filhos, com qualquer um:
eu amo, eu faço, eu estou.
Mas quando me distancio,
o peito não dói,
o nome não ecoa,
a saudade não vem.
Às vezes penso que sou fria.
Outras, que sou quebrada.
Mas talvez eu só tenha aprendido cedo
que sentir demais dói,
e que não sentir nada
é um jeito de sobreviver.
Hoje, olho para trás
e não me culpo mais.
Fiz o que dava com o que tinha.
E se agora eu escrevo sobre isso,
é porque uma parte de mim
ainda acredita
que é possível, um dia,
sentir o amor
e não só vê-lo passar.
Se o seu amor fosse um oceano, eu passaria a vida inteira submersa, porque respirar sem a intensidade do que sinto por você já não é mais suficiente.
“O maior medo do ser humano não é descobrir quem é; é descobrir que passou a vida inteira defendendo a máscara que o impediu de ser.”
“A maior tragédia da vida humana é que o homem nasce sendo um ser, passa a vida inteira tentando se tornar alguém e morre sem perceber que o personagem que construiu para existir foi exatamente aquilo que o afastou da humanidade que nasceu para viver.”
Há pais que passam a vida inteira chamando de amor aquilo que, na verdade, é a mais refinada forma de sabotagem. Blindam os filhos contra a dor, contra a disciplina, contra o “não”, contra as consequências… e depois se espantam ao descobrir que criaram adultos incapazes de enfrentar a própria existência. Quem elimina todos os obstáculos do caminho do filho não facilita a caminhada; elimina o caminhante. No lugar de consciência, instala dependência. No lugar de caráter, conveniência. No lugar de responsabilidade, vitimismo. E, quando os pais já não conseguem sustentar o peso que criaram, a vida apresenta uma conta que nem dinheiro, nem patrimônio, nem herança conseguem pagar. Porque a pior pobreza não é faltar recursos; é faltar estrutura para existir sem alguém que continue sustentando aquilo que a educação nunca construiu.
A Saída do Parido
Há quem passe a vida inteira
procurando uma saída,
sem perceber
que construiu a própria prisão.
Corre para o mundo
e se perde de si.
Acumula coisas
e desperdiça a única que nunca poderia perder:
a consciência.
A mente mente.
E quem acredita em todas as mentiras da mente
corre o risco de tornar-se demente.
Vivemos na era da velocidade,
mas não da direção.
Nunca houve tantos caminhos.
Nunca houve tão poucos destinos.
Aprendemos o alfabeto das palavras,
mas permanecemos analfabetos de nós mesmos.
Sabemos ler livros.
Mas desaprendemos a ler a alma.
Esquecemos o Bê-à-Bá da Vida.
Trocamos valores por custos.
Presença por aparência.
Conhecimento por informação.
Sabedoria por opinião.
Espiritualidade por religiosidade.
O essencial pelo urgente.
E chamamos isso de evolução.
Que involução sofisticada.
Somos paridos biologicamente.
Mas poucos nascem para a própria consciência.
Respiram…
Mas não vivem.
Existem…
Mas nunca chegam a ser.
Afinal, nascer não é sair do ventre.
É deixar o ego.
Porque há corpos vivos
que carregam consciências sepultadas.
O mundo nos ensinou a conquistar territórios.
Mas nunca nos ensinou
a habitar a própria alma.
Passamos anos perguntando:
— Para onde devo ir?
Quando a única pergunta capaz de mudar uma vida sempre foi:
— Quem estou me tornando?
Nossa consciência…
É o único GPS
que não depende de satélites,
mas de silêncio.
Quem se desconecta dela
perde o sinal de si mesmo.
E quem perde o sinal de si,
encontra qualquer destino…
menos o próprio.
O tempo não passa.
Quem passa somos nós.
E cada segundo que chamamos de amanhã
é um pedaço da vida
que já começou a morrer.
Penso,
logo resisto.
Resisto ao barulho
que me impede de ouvir o silêncio.
Resisto às respostas prontas
que matam as perguntas necessárias.
Resisto à multidão
quando ela caminha em direção ao abismo
aplaudindo a própria queda.
Porque a maior alienação
não é deixar de pensar.
É terceirizar a consciência.
Descobri tarde
que o maior retorno
não é voltar para casa.
É voltar para dentro.
O Retorno ao Real
não é geográfico.
É existencial.
A saída nunca esteve no mundo.
O mapa nunca esteve nas mãos.
Sempre esteve na consciência.
E o destino…
jamais foi um lugar.
Foi um estado de ser.
No fim,
descobri que Deus nunca esteve distante.
Distante
estava eu.
Porque o Cristo Interior
jamais deixou de habitar o homem.
Foi o homem
quem decidiu morar do lado de fora de si mesmo.
E então compreendi
o Bê-à-Bá
que o mundo fez questão de esquecer:
a vida começa quando o ser humano deixa de apenas existir.
Nesse instante,
o parido nasce.
O retorno acontece.
E a única saída
revela-se, enfim,
como sempre foi:
para dentro.
Carlos Eduardo Balcarse
11/06/2026
