Vida Amorosa
*"Muitos e muitos anos"*
Quando a pessoa esteve tanto tempo na sua vida
o corpo até esquece que ela não tá mais aqui.
A mão procura no lugar errado.
A música toca e o peito responde antes da cabeça.
A cidade inteira vira lembrança.
E o pior é que não é só saudade de quem a pessoa era.
É saudade de quem você era com ela.
De todos os anos que viraram rotina, risada, briga boba, silêncio confortável.
Dói porque foi longo.
Dói porque foi raiz.
E raiz quando arranca, leva um pedaço da terra junto.
(Saul Beleza)
Sem despedida
não me cobre uma despedida.
basta que eu suma da tua vida
sem deixar marcas,
sem barulho,
sem cena.
despedida é abandono que dói,
é palavra que corta,
é porta que bate.
eu prefiro ir
como quem nunca esteve,
do que ficar na tua memória,
como quem faz doer na hora de ir.
(Saul Beleza)
“O Presságio de Ainda Viver”
A vida é breve, e sabemos disso. Talvez seja justamente essa consciência do efêmero que torne tão urgente a vontade de viver. Não quero atravessar meus dias como quem apenas cumpre uma obrigação silenciosa com o tempo; quero habitá-los, senti-los, experimentá-los até onde minhas possibilidades me permitirem. Trago comigo expectativas, algumas necessárias, outras talvez impossíveis, mas todas nascidas dessa inquietação de quem ainda deseja descobrir o que existe depois da próxima curva.
Hoje trago à vida todas as minhas vontades. Não como exigência arrogante diante do destino, mas como afirmação daquilo que ainda pulsa dentro de mim. Que seja a minha vontade que prevaleça sobre o medo, sobre a hesitação, sobre as conveniências que tantas vezes nos ensinam a desistir antes mesmo de tentar. Durante muito tempo aprendemos a aceitar o inevitável; talvez seja chegada a hora de também aprender a desejar o improvável.
Há em mim pressentimentos que não sei explicar, intuições que aparecem silenciosamente e certos presságios que encontro pelo caminho. Talvez sejam apenas devaneios; talvez sejam o prenúncio de alguma transformação. Não importa. Já não preciso compreender todos os enigmas para continuar caminhando. Algumas respostas somente aparecem depois que temos coragem de viver as perguntas.
A existência é um paradoxo extraordinário: sabemos que somos passageiros e, ainda assim, construímos sonhos como se tivéssemos a eternidade. Amamos sabendo que podemos perder. Começamos sabendo que tudo um dia termina. Guardamos lembranças de momentos efêmeros e descobrimos, com perplexidade, que justamente aquilo que durou tão pouco pode permanecer conosco para sempre.
Por isso não quero desperdiçar meus dias tentando domesticar o inusitado. Quero deixar algum espaço para o acaso, para a surpresa, para aquilo que ainda não possui nome. Quero contemplar uma manhã sem precisar saber como terminará a noite. Quero permitir que a vida me surpreenda e, sobretudo, conservar dentro de mim a capacidade de surpreender a própria vida.
Não desejo uma existência sem melancolia, porque até ela possui sua beleza e sua verdade. Não quero apagar a nostalgia, pois algumas saudades são testemunhas de que verdadeiramente estivemos vivos. Quero apenas que nenhuma delas seja maior que minha vontade de continuar. O passado merece sua morada na memória, mas não lhe darei as chaves do meu futuro.
Há algo de indizível nessa vontade de viver. Talvez porque viver plenamente não possa ser explicado apenas com palavras. É necessário tocar o instante, reconhecer sua sutileza e compreender que cada manhã pode trazer consigo um prenúncio, mas nunca uma garantia. O amanhã continuará sendo um enigma e aceito isso.
Se a vida é breve, que minha presença nela seja intensa. Se o tempo é inevitável, que não encontre em mim apenas resignação. Que encontre curiosidade, desejo, coragem e vontade. Não quero pedir licença ao futuro para desejar aquilo que ainda posso viver.
Hoje, portanto, não faço promessas à eternidade. Faço uma promessa ao instante: enquanto houver caminho, caminharei; enquanto houver desejo, desejarei; enquanto houver alguma coisa capaz de despertar minha perplexidade diante do mundo, continuarei procurando.
E se existir algum presságio nesta manhã, que seja este: ainda há vida diante de mim.
E enquanto houver vida, que prevaleça a minha vontade de vivê-la.
Se você fizer alguma coisa errada na vida, terá sempre uma arma apontada para você. E sempre haverá alguém para apertar o gatilho. Na dúvida entre o certo e o errado, faça a coisa certa.
Na vida, evite pedir favores para não ser devedor de ninguém, porque há quem goste de fazer de quem pede um refém de seus caprichos.
Todo trabalho lícito é digno e merece respeito, porque contribui para a sociedade e para a vida de quem o exerce. A dignidade do trabalho não está apenas no prestígio social ou no valor econômico, mas no fato de ser fruto do esforço humano dentro da legalidade e da ética.
Parabéns coletores e garis
Pobre poeta e pescador,
Que no mar da vida
Pescou amor e sentimentos,
Mas também dor e sofrimento.
Com seu barco cheio de vaidades,
Esqueceu-se das veleidades
Escondidas no porão,
Carcomidas de solidão.
Mas triste é saber a verdade.
E entre vários raios e trovão,
Veio vindo a tempestade,
Jogando águas na embarcação.
E aqui se vão as saudades
Dando lugar ao terror
E às necessidades
Para não se morrer de amor.
Primeiro, tudo de ruim
Ao mar fora jogado:
As brigas, ciúmes, infelicidades;
Tudo tirado de mim.
Depois se vão
Os versos rimados:
Declamação, declaração.
E se vão também
Os sonhos da realidade:
Desilusão, destruição.
Destituição e desdém
Além da eternidade.
Para não morrer
Nas mágoas que criei,
Vou atirando às águas
Do mar a se revolver
Todo o meu pesar,
Tentando assim me salvar
Do fim que bem eu sei...
Atiro todas minhas idades,
Todo o afeto e carinho
Recebido e dado.
E sem mais agrado,
E sem identidade,
Eu fico sozinho...
... São e salvo, com frio,
Num silêncio profundo;
Navegando pelo mundo
Com o meu barco vazio.
Florescermos para resistir
as erupções da vida
como a Red Heliconia
da Montserrat magnífica.
Assim é o melhor do amor
que nós dois queremos,
e ele para nós virá
no tempo que merecemos.
O amor é doce dádiva
para quem sabe o receber,
e faz de tudo para o manter.
Se sou o seu último pensamento
da noite como você é do meu,
algo diz que já sou tua e você é meu.
Sem nenhum exagero por hora,
gostaria de não ter visto,
o pior capítulo que vi na vida,
Qualquer minúscula mercadoria
do Tehran Grand Bazar
tem infinitamente mais valia,
do que qualquer umazinha
que se preste a serventia,
em nome dos pecados capitais
para ceifar vidas como ninguém
importasse nenhum pouco mais.
Uma minúscula mercadoria
mesmo sob ruínas e destroços
dos corredores que foram
pelas bombas explodidos,
tem o seu valor mantido,
porque nela estão contidos
os valores que jamais
se tombam nem às armas,
diferentemente de umas e outras
que se renderam à morte,
e ao absurdo vulgar nas praças.
Falo das deslumbradas,
que servis capturadas
tiraram os véus, fotografaram
a nudez, o caráter e a insensatez,
e sem nenhum pudor dançaram
para se expor diante dos olhos
de todos nós os próprios corpos
empunhando a bandeira nacional;
Tudo em nome de uma liberdade
que custasse o que custasse
o preço da vida do seu povo,
a história e a memória
para servir ao escuso jogo.
In Memoriam às meninas de Minab.
No muro poético "Viva l’Italia" ecoa
mostrando vida própria a cada tentativa
aberta ou sutil de apagamento ---
Emprestando a voz para quem precisa
levar ao mundo o conhecimento
[inconteste do seu sofrimento].
Da fonte do Guglielmo Oberdan
ainda bebo e me mantenho,
Com o espírito de Cesare Battisti,
de Fabio Filzi e Nazario Sauro,
Reconheço não estar em guerra
com quem quer que seja,
mas não significa que não viva
em mim a poética resistência.
Do forte signo destas quatro forcas
reúno as inúmeras maiores forças
para manter aceso no coração
o panteão do Irredentismo,
emprestado, persistente e vivo,
para que ninguém conte outra
história quando cruzar o destino.
[Porque é do Sol e dos luares
do Médio Vale do Itajaí me ilumino].
Ele ama a Allah e ao povo
mais que à própria vida;
nele habita toda a poesia
que a minha inteira suspira,
de uma maneira invicta,
fazendo das palavras
a maior e mais fina joalheria.
Filho do cemitério dos impérios,
que vivo tentando sempre
decifrar em seus versos
os mais profundos mistérios,
como se passasse a noite
sob as estrelas majestosas
no ponto mais alto de Cabul.
Ele é todo feito de paz,
e não foge da guerra;
ele tem alma de primavera
que embelez a minha
e não conheço outro poeta
que ame mais a própria terra,
e sem que ele saiba, até que existo
toda a sua poesia sempre me empresta.
À Catalina Giraldo
Conheci a história da sua travessia,
não nos poupe de ti nesta vida.
Se eu pudesse olhar nos teus olhos,
com certeza te diria:
- Transforme toda esta dor em arte
nesta vida que desafia.
Somente a arte pode ser a ponte
interminável entre a vida e morte.
Não existe nada além da arte
com igual capacidade de conceder
a interminável sorte de morrer,
renascer e fazer-te viva permanecer.
Os ventos se encarregam
do ciclo natural da vida,
o Hemisfério Austral rege
o continente destes povos,
e o Condor zela a todos
na Cordilheiras dos Andes,
não cabemos nos instantes.
A Águia Harpia com a sua
total natureza territorial,
cumpre a sua vigilância
nos vales úmidos e profundos
da minha América Austral,
que é o melhor dos mundos.
Onde nascem as begônias
coloridas, místicas e infinitas
que inspiram este coração
para dedicar as minhas poesias,
que nascem, morrem e ressuscitam
neste voto renovado todos os dias.
Ninguém ou qualquer
situação rompe a paz
de quem assumiu a paz
como filosofia de vida,
sem precisar performar
para ninguém no dia a dia,
o que fascina ou não;
busca só o que faz bem
ao redor e ao coração.
A real autopreservação
feminina não é nenhum
pouco da boca para fora,
não tem nada a ver
com abrir trincheiras,
e nem carregar desespero
por qualquer validação:
é manter para si a direção.
Como a haste de uma
íris-da-praia em maio,
em alguma restinga
em Santa Catarina,
se dobra diante da força
das correntes, tal qual
reconhece quem é
ou não capaz de a deixar
de joelhos, e se tornou
o habitante dos secretos
e fascinantes devaneios.
Somente com fé em Deus
tudo na vida avança
Com lealdade ao rei
e ao País o futuro alavanca.
Deixar-se iluminar e guiar
pela supremacia da Constituição
constrói a esperança
Cultivar o Estado de Direito
se colhe a confiança.
Com cortesia e moralidade,
se conquista a fortaleza,
a harmonia e a temperança.
No sutil recado da Bunga Raya
a importância de viver
em estado de Rukun Negara.
A vida é maravilhosa,
um pouco doce e ácida
como a Jentik-Jentik
que ainda não provei,
Sob a orientação de Deus,
logo jamais desistirei.
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