Vestido de Noiva de Nelson Rodrigues
Não sei...
Não sei o q eu faço,
Não sei o q sinto,
Não sei para onde vou,
Não sei se vc pensa em mim,
Não sei se devo te amar,
Não sei se vale apena lutar.
Porque pelo q vejo,
Só vou me machucar.
Não sei se vc me ama como eu te amo,
Mas sei q só consigo te amar!
Aos braços do vento dancei;
De passo a passo me superei;
Nas assas da melodia te conquistei;
Mas mais que você me encantei...
Hoje é em seus braços que danço;
Hoje em suas assas descanso;
Seu amor cada vez mais alcanço;
Sou eu e tú nesse balanço...
Sinto e vivo o seu amor
vivo e sinto o seu calor
Tenho e quero mais seu coração
Pra nunca mais viver na solidão...
Te escrevo vida, num pedaço papel em branco jogado ao chão, ou até mesmo num saco de pão, não tenho luxo, mas lhe tenho amor, por isso lhe escrevo para lembrar, que o importante é registrar o quanto és bela, da forma que tu me quiseres, contanto, que me queiras
Passei por desilusões, frustações, chorei, sorri, senti a dor da perda, me fechei pras coisas mais belas dessa vida até que um dia o amor me abriu os olhos pra enxergar novamente as maravilhas desse mundo...
A alegria de uma criança sorrindo, o explendor do sol nascente, a refrescância e paz ao tomar um banho de chuva, sentir a vida quando não havia motivos pra viver, senti o amor quando tudo parecia estar perdido.
O medo me roubou muito tempo, mas o amor me ajudou a superar cada um deles.
A rima revela
O seu nome,
balbuciei ao lhe ver da janela
ao não ouvir me senti numa cela
comigo mesmo travei uma querela
pra gritar e mostrar à favela
Que o seu nome,
por rimar com novela
e canela,
não é Marcela
ou sequer Gabriela
Porque o seu nome,
se inspirou este poema a ela
que escrevi num balcão com Stella
e selei com os pingos da vela,
esqueci de botar o nome dela.
Não importa.
Só por rima o amor se revela.
Eu Três: Três Eus
Eu com ela...
Estou eu,
eu com ela.
Em eu com ela,
quem sou
eu?
Em eu com ela,
sou eu
com ela.
Em eu com ela,
sou eu
e ela.
Eu sem ela...
Estou eu
eu sem ela.
Em eu sem ela,
quem sou
eu?
Em eu sem ela,
sou eu
sem ela.
Em eu sem ela,
sem eu
e ela.
Eu comigo mesmo...
Estou eu,
eu comigo mesmo.
Em eu comigo mesmo,
quem sou
eu mesmo?
Em eu comigo mesmo,
sou eu
eu mesmo.
Em eu comigo mesmo,
sou eu
o mesmo.
Teu
nosso
meu...
Tu, nós
eu.
Três formas do eu.
Em três formas,
sou eu.
Feliz Dia de Finados!?
Neste dia, triste de finados,
não mais o luto novamente,
dever-se-ia “comemorar“
os filhos que estão vivos
os pais que aqui ficaram
a vida dos presentes.
Pra lembrar de quem perdi,
do meu querido ente,
não preciso de uma data
dum sentimento de um só dia
como sentisse e fosse embora
programado e de repente.
Desfaz-se a chuva
e comemore de forma diferente.
Grite a vida – não sua falta,
posto que os mortos que perdemos
não existem - e desaparecem
sem os seus sobreviventes.
O porquê não grito tua beleza
Eu, ao falar que hoje estás bela, cairei em grande redundância.
Há que se buscar outros elogios, categorias do admirar,
pra fugir do lugar-comum, este que é tua beleza diária.
Estás esplêndida? Esplêndida és todo dia...
Fantástica? És todo dia...
Sublime? És todo dia...
Maravilhosa? És todo dia...
Todo dia és tu, tu e tua beleza.
Calar-me-ei pra que, tolo, não grite o cotidiano.
Admirar-lhe-ei somente,
pois meus olhos também são os mesmos, diariamente.
Há que se fugir do lugar-comum que é gritar tua beleza.
Súplica sóbria ao amigo
Sempre que um namora
é provável que um amigo,
este suma.
Na paixão,
hoje é Lais, Erika mineira
uma do sul, Ana carioca
loira em Piúma.
Diego, grande amigo
companheiro da vida noturna,
apaixone-se pela Federação
não ame a nenhuma
que a boemia serve a paixão
esta que bebe, esta que fuma.
Os Pais Não Morrem
Transpassam os tempos
não só da infância.
Na mocidade, velhice
os pais não ficam
nem na lembrança.
Não são esquecidos,
não há saudade.
Os pais vivem,
em corpo ou não,
na eternidade.
Os filhos , pelo tempo, limitados
os pais não o são.
Os pais são eternos,
eternos, na de outro ser,
limitação.
Os filhos , reféns do tempo, parados
são “as crianças”.
Se agora adultos,
por hora ficam
pros pais, na infância.
O amor dos filhos,
de ser eterno, incapaz.
Perenes ficam
se um dia os filhos,
virarem pais.
Os pais só morrem
caso vá os filhos, esses, sem fruto.
E se os filhos morrem,
deixando filhos , não há um fim
os pais, eternos, desfaz-se o luto.
O olhar do poeta escapa
Quintana disse: Ao olhar do poeta,
não escapa nada.
Mas, não seria: O olhar do poeta
não escapa à nada?
Não!
O olhar do poeta escapa,
escapa à pessoa amada.
E, quando escapa,
tudo passa; o tudo é nada.
O passarinho voa, treme uma asa
pro poeta, nada.
Uma nova estrela, revelou a Nasa
pro poeta, nada.
A formiga anda, adentra a casa
pro poeta, nada.
Se seu olhar
somente escapa
à pessoa amada,
pode-se dizer
que somente dela
depende o tudo
e depende o nada?
Mirela tem Medo do Mar
Mirela
teme meu mar.
Do mar que Mirela tem medo
não temo.
Temo
o mar que Mirela
causar.
Eu levo Mirela agora
agora, em meu barco
sem o medo nela
pairar.
Eu largo este barco agora
agora, se a mim pro seu mar
Mirela
levar.
Pescador que quer
se prezar
não casa com aquela,
aquela Mirela que teme
seu mar.
Navego sozinho
e se Mirela quiser me levar,
eu prezo o amor,
meu barco navega
navega além
além de um só mar.
O poema é solidão
O poema, materialidade
dum momento
solidão.
Doce, amargo, sozinho
junto
ou não.
Materializando o poema
tal sentimento
condição?
Poema
seu sinônimo
solidão.
