Vestido
O Cântico do Cadáver
Juvenil Gonçalves
Encontrei-te, cadáver, no leito de limo,
Vestido de folhas, coroado de espinhos.
Teu riso era vago — sem lábios, sem fim
E teus olhos comiam o céu sobre mim.
Cantavas com vermes um hino sem nota,
Com versos que o tempo em teu osso anota.
Cada costela — uma clave sombria,
Teu crânio — tambor da melancolia.
“Fui rei”, murmuravas, “de um reino de nada,
Tive amantes, palácios, medalha dourada.
Agora me escuto, em silêncio profundo,
Pois quem jaz conhece o real desse mundo.”
Teus dedos partidos apontam os vivos,
Caminham sonâmbulos — tolos, cativos.
Riem da morte, e por ela são ridos,
Brindam ao gozo — já estão esquecidos.
Afastei-me em pranto, mas levo teu canto:
A carne apodrece, o orgulho é espanto.
E toda verdade que o homem levanta
É pó que a minhoca, paciente, encanta.
Primavera é quando a natureza se despe do cinza e se exibe em seu vestido verde bordado de flores.
Benê Morais
A Elegância de um começo
Vestido branco de cetim, um rio de candura, envolto em mistério, em sublime tessitura.
Um singelo e clássico colar de pérolas a brilhar, a graciosidade do momento, a me encantar.
O espelho refletia a luz em seu lugar, eu sob o véu, pronta para amar.
Trazia na face à graça mais pura, envolta em um cheiro suave de ternura.
E em cada detalhe, a certeza que se via, era a benção do grande poder de Deus que ali fluía.
Um suspiro me escapou ao sentir a arte no ar, me senti em um sonho lindo, como se tivesse entrado em um quadro.
E o coração? Ah! Ele disparava.
A luz entrava, pintando o quarto, e o cheiro doce de baunilha me envolvia, acalentando a alma.
Eu sabia, a vida estava ali, pronta para começar, e eu estava pronta para vivê-la.
As sobrancelhas grossas emolduravam o meu olhar, esculpindo o meu rosto com belos traços que o tempo jamais poderia apagar.
Em minhas mãos, um buquê de delicadas flores brancas, simbolizando a pureza de um começo que nunca se apagará.
A cada instante, a cada passo eu sentia a elegância da alma a brilhar, a beleza que emerge, genuína a reinar.
A cada passo, um suspiro, a vida se revelava, no caminho do amor que se iniciava.
Uma postura deslumbrante, de rara nobreza, era a personificação da divina elegância e beleza.
Na barra do meu vestido
Quando te sentes , inseguro... incomodado com os problemas rotineiros do cotidiano. Na rotina da vida de um homem guerreiro, forte, determinado pelos seus desejos e sonhos... Então procuras a barra do meu vestido... E então encontras em meu colo a paz, a calma, a segurança... Me sinto lisonjeada ao vê-lo aos meus pés... Não por submissão mas por ter aquela deliciosa e terna sensação de ser um refrigério, a luz em meio a escuridão. Em saber que na barra do meu vestido encontras a paz e a esperança... O descanso que lhe trás força e motivação para continuar e não desistir dos seus propósitos e objetivos. Fico muito feliz em saber que na barra do meu vestido encontras o amor pra lutar e vencer.💕
Outro dia a vi… você estava linda, condenada a viver maravilhosa. Caminhava pela rua em um vestido de tom alegre, e então pensei: que mulher encantadora! A tua nobreza extravagante, devastadora, sensual e ao mesmo tempo meiga, educada, sincera e verdadeira, conquistou a felicidade deste homem forte.
Vestido de pétalas de ternura
O Amor disse à Rosa:
Sê o meu rosto na vida!
E sem temor
Cresce com doçura
No teu caule de espinhos
E a tua flor será beleza que perdura!
AGOSTO
Bate na porta o agosto
Todo vestido de cinza
Mas tudo tem o seu posto
Mesmo na geada em que pisa
Um tempo pra reflexão
Onde se hibernam dormentes
Sementes que florirão
Carregando no seu ventre
Cores à nova estação!
Devo dizer que estás usando
um lindo vestido preto,
assim, a tua beleza fica
ainda mais resplandecente
como se a luz do amor estivesse
sob o manto da noite,
certamente, uma junção de muito primor, cujos elementos convergem intensamente.
Tendo dito isso, é evidente que tem uma mulher profundamente amável bem diante dos meus olhos
que estão claramente fascinados,
então, meu respeito por ti é notório
tanto que me deixas inspirado
de um jeito bastante satisfatório.
É muito interessante um momento simples ser tão revigorante,
mas este efeito não acontece
sem nenhum motivo, do nada,
depende dos protagonistas envolvidos, da atenção que é dada
aos detalhes belos e vívidos.
Poesia formosa, corpo sublime, suntuoso, vestido por um vermelho avassalador, o mesmo tom que cobre os seus lindos lábios, cor que se destaca no seu lindo rosto, resultado fortemente sedutor assim como o brilho deste teu olhar astuto, o fulgor da tua alma, paixão do teu mundo, onde o fogo se propaga, avivando cada parte da tua estrutura, flor forte e delicada, de sentimentos profundos, verdadeiros, por seres assim, na minha mente poética, ficas guardada, em lugar de muito apreço.
AGORA A LUTA É
CONTRA A VOSSA IGNORÂNCIA, pois, diante dos vossos olhos, todo negro vestido com panos e missangas é automaticamente rotulado de
kimbandeiro.
"Não sei se era o vestido vermelho que parava o lugar.
Talvez fosse o cabelo preto, ou a beleza no olhar.
Só sei que eu estava ali e ela estava lá.
A cada vislumbre, troca de olhares, era eu um mero mortal a admirar.
Pensei que a beleza fosse um veneno, pois senti meu coração acelerar.
Linda, dos pés à cabeça, cada detalhe digno de se pintar.
As palavras são pobres para descrever, a beleza narrar.
Sei de muitas coisas, mas o que não sei é se era o vestido vermelho ou a beleza dela que parava o lugar..."
Casamento
Vamos nos casar: te quero atraente.
Um vestido que te faça corpo-ouro reluzente,
branco, branco como neve.
Sapatos cristalinos, marchantes e precisos no corredor principal
Como o ritmo dos clarins te recebendo – em festa.
Num casamento não basta o amor
É necessário o visual:
Te querer mais que a mim - é o que importa.
Te olhar e desejar-te toda torta
Depois da festa
Numa festa
Só nossa.
O vestido de noiva
Guardei no armário um sonho rendado.
Branco como a nuvem, um vestido de noiva, comprado pra você, puro e esperado.
Cada ponto da costura era um plano meu.
No brilho do cetim, o "nós" que se perdeu.
Eu trazia o amor na palma da mão.
Pensei que éramos um só coração.
Mas o destino é um nó que não se desfaz.
Ele abriu o portão e entrou e não olhou para trás.
Logo vc falou, preciso entrar.
Entrou no silêncio, num passo ligeiro.
Levando consigo o meu mundo inteiro.
No quartinho de costura, entre linhas e panos.
Você teceu outra vida, outros desenganos.
A agulha que moldava o meu véu de noiva.
Foi a mesma que feriu o que a alma desagua.
Enquanto eu esperava o altar e o sim.
Você casou com ele, bem longe de mim.
O vestido descansa, guardado e mudo
Numa casa, qualquer, onde o "quase" levou o meu tudo.
Paz e amor!
Lindo vestido preto, elegante, sem dúvida, feito a partir da escuridão da noite, vestindo um corpo quente, curvas sedutoras de uma arte incrível, reflexo de instintos e de sentimentos, abrigo de um desejo ardente no seu íntimo, coração intenso, sincero, indo da simples elegância ao forte atrevimento,
Companhia aprazível de várias maneiras, torna cada momento inesquecível por mais breve que seja, pois facilmente faz ignorar o passar do tempo entre palavras, afetos, até mesmo no silêncio de uma troca de olhares, saboreando o privilégio de uma imersão prazerosa de muita reciprocidade,
Depois que anoitece, a sua beleza parece que se renova, fica ainda mais atraente, a paixão ganha as suas formas, suas vontades mais ousadas florescem, sua essência fervorosa
se destaca como uma chama imponente, que se propaga nas suas emoções e na sua desenvoltura, que provoca as sensações intensas de uma doce loucura.
A indignação seletiva
não nasce da justiça,
mas do interesse
bem vestido de virtude.
Quem se indigna por conveniência
não defende valores,
defende posições.
✍©️@MiriamDaCosta
Era melhor ter vestido os papéis que me ensinaram, mesmo que arranhassem minha pele. Melhor ter me aninhado na bolha protetora, na zona de conforto de um mundo redondo e raso, especialista em anestesiar dores e inflar egos da turma dos privilegiados.
Pula a janela
Visualiza
no buraco da agulha
o vestido das linhas
Vê no espelho
a falta vazia
de ausência e solidão
Sente o que contagia
Mergulha
receptivo e aberto
à utopia
e e a razão brilha bela
A carga se esvazia
e a alma, liberta,
pula a janela
