Versos sobre Mim

Cerca de 49622 versos sobre Mim

Há um abismo dentro de mim que não me engole mais, apenas me acompanha.

Carrego em mim versões que não resistiram ao tempo. São fragmentos de quem eu fui e precisei abandonar para seguir adiante. Às vezes sinto falta até das dores antigas. Elas, ao menos, eram conhecidas, este vazio novo ainda me nomeia.

A fé não resolve tudo, mas resolve o que mais importa, a guerra dentro de mim, sem ela eu já teria desabado, com ela eu renasço.

Não tenho medo da escuridão, pois aprendi a acender luzes dentro de mim, sou lanterna própria, sou fogo interno, sou chama que não se apaga.

A fé me salva de mim mesmo, dos meus excessos, dos meus impulsos, das minhas sombras, ela é minha luz interna.

Há noites em que o céu parece fechado, mas é dentro de mim que a escuridão é mais espessa. Mesmo assim, procuro estrelas na memória. E sempre encontro uma: a da fé que não apagou. Porque Deus brilha mesmo quando não o vejo.

Guardo o segredo do meu amor selado em mim, como um tesouro que só a morte pode libertar.

Há um piano em meus ossos que toca notas quebradas, cada acorde é um pedaço de mim que insiste em existir. Quando a cidade dorme, a música remexe entulhos antigos, e eu me descubro inteiro nas frestas de um acorde menor.

A chuva hoje tocou a janela como quem pede licença para entrar. Dentro de mim há móveis que rangem com lembranças. As palavras saem mansamente, como se pedissem perdão. Às vezes penso que sou feito de corredores vazios. E nesses corredores ecoam os passos que um dia me ensinaram a voltar.

Existe um lago dentro de mim onde as vozes se banham. Nenhuma delas sabe nadar direito, mas insistem. Quando me aproximo, o lago mostra minha face em pedaços. A água aceita o que chega, sem julgar. E eu aprendo que aceitar é também forma de oração.

Há um livro dentro de mim que não cabe em prateleiras. Ele tem páginas em branco e algumas escritas em lágrima. Às vezes releio a parte que traz consolo. Outras, treino as palavras que ainda não sei dizer. Escrever é aprender a traduzir a própria pele.

⁠Após encarar os demônios em minha mente percebi que os leões de cada dia não passam de crianças mimadas.

Entre mim e os meus caminhos, há sempre uma parede de silêncio.

O invisível que carrego dentro de mim ocupa o espaço onde eu deveria estar, e observa-me quando tu estás perto de mim, e ainda assim não posso tocá-lo.

O mar para mim dissolve a ilusão de fronteira entre o que sou e o que contemplo.

⁠Só sou eu mesmo acima ou abaixo de mim, na raiva ou no abatimento; em meu nível habitual, ignoro que existo.

Emil Cioran
Silogismos da Amargura. Rio de Janeiro: Rocco, 2011.

Lembre-se: eu não me importo se você gosta de mim ou não. O que importa para mim é saber se você realmente merece que eu me importe com você. Afinal, se eu próprio às vezes nem gosto de mim, imagine eu querer te obrigar a gostar de mim.

Em cada um há sombra e luz, cabe a você escolher qual delas quer enxergar em mim.

Tu gostas de mim, tudo bem, eu também gosto de mim. Mas se tu não gostas de mim, sem problemas, o meu gosto em mim é mais do que suficiente.

Quando há uma dúvida dentro de mim, afasto-me, observo e só volto quando a dúvida se tornar um caminho.