Versos de Porquê
O mal é a assinatura dos que já se perderam de si mesmos: A pessoa maldosa continua errando porque perdeu a bússola da moral; para ela, o sofrimento alheio virou o único espetáculo capaz de distraí-la do vazio absoluto que é a sua própria existência.
O tolo ri do rascunho sem saber que está diante do projeto de um gigante: Julgar alguém só porque o livro fala de riqueza e a pessoa ainda não tem os trilhões na conta é ignorar que toda construção colossal começa com uma planta no papel.
O crítico sem caráter ataca o mensageiro porque é incapaz de conceber o tamanho da mensagem: Enquanto a pessoa burra e desprovida de alma gasta o tempo zombando, o autor do projeto está plantando as sementes de uma grandeza que a pequenez do crítico jamais alcançará.
O tolo ri da semente porque nunca teve a coragem de plantar uma floresta: Julgar um autor de projetos grandiosos só porque ele ainda não acumulou trilhões é a prova definitiva de uma mente rasteira, que confunde o ponto de partida com o destino final.
O crítico zomba do papel impresso porque não enxerga a arquitetura do invisível: Enquanto a pessoa vazia gasta o tempo apontando o dedo, o visionário está desenhando na mente e no papel os alicerces de um império que vai esmagar a descrença alheia.
Borboleta só leva e releva o que é leve, o que é pesado elas até tocam, porém deixa quieto porque o fardo não lhe pertence.
Antes de falar eu penso, antes de agir eu reflito. Se ouviu meu grito porque foi necessário. Se ouviu meu silêncio porque foi respostas. Em cada palavras pronunciadas, em cada atos praticados teve uma medida exata e pensada.
Ah... como é curioso viver sem conhecer o amanhã. Não porque ele sempre nos reserva algo ruim, mas porque nos impede de reconhecer os últimos momentos enquanto ainda são presentes.
Uma crença merece ser examinada não apesar de sua importância, mas precisamente porque ocupa um lugar tão profundo na vida humana.
Há explicações que satisfazem a imaginação porque oferecem sentido e fracassam diante da investigação porque não oferecem demonstração.
A ciência é poderosa não porque seus praticantes sejam infalíveis, mas porque seu método permite que a falibilidade seja corrigida.
A evidência não adquire força adicional porque a conclusão que sustenta é desejada, temida ou considerada sagrada.
Procuramos o absoluto talvez porque somos finitos e porque a consciência de nossos limites transforma o desconhecido em vertigem.
O infinito não se torna propriedade da consciência porque a consciência encontrou uma palavra para nomeá-lo.
A disciplina racional é uma forma de liberdade porque reduz a dependência do indivíduo em relação ao acaso de seus próprios impulsos.
Nenhum ser deve ser reduzido à sua aparência imediata, porque sua posição na ordem do todo pode exceder aquilo que o observador inicialmente compreende.
