Versos de Porquê
Eu só quero encontrar um amor que eu não tenha necessidade de ensiná-lo a me respeitar, porque esse dispositivo já o acompanha de fábrica.
Há dores que não pedem consolo, porque nenhum alívio superficial alcança aquilo que elas realmente querem dizer. Não nasceram para ser abafadas, mas para produzir consequência: ruptura, deslocamento, transformação. Certos sofrimentos surgem quando a vida já não suporta continuar na mesma forma. E, nesses casos, a dor deixa de ser apenas ferida — torna-se convocação silenciosa para que algo, enfim, mude.
Somos propensos à ilusão porque o olhar humano carrega uma tragédia secreta: deseja tornar visível até aquilo que só conservaria sentido permanecendo oculto. Há mistérios que sobrevivem apenas enquanto não plenamente revelados, mas a consciência insiste em capturá-los, nomeá-los, possuí-los. E, nesse impulso de ver tudo, muitas vezes destrói justamente aquilo que buscava encontrar.
O desejo humano raramente suporta a presença real do outro, porque o outro verdadeiro contradiz, escapa, possui vontade própria e rompe as fantasias que sustentam a idealização. Por isso, prefere-se muitas vezes amar versões fabricadas: silenciosas, previsíveis, obedientes ao roteiro interno de quem deseja. Não se ama o outro em sua alteridade, mas a imagem domesticada que dele se constrói. E é aí que muitos afetos fracassam — não pela ausência de amor, mas pela incapacidade de suportar que o outro exista para além da própria imaginação.
A moral disciplina o comportamento, mas jamais alcança o Primevo, porque nenhuma lei escrita desce até onde a vida começou. A ética organiza a convivência entre os homens; o Primevo precede o próprio surgimento do homem. Antes de qualquer mandamento, já existia a força silenciosa que impulsionava a conservar, temer, desejar e permanecer. A moral pode conter os atos; jamais extinguir aquilo de onde eles nasceram.
A liberdade não está em fazer o que se quer, mas em suportar o peso das escolhas que se fez; porque é nesse fardo silencioso que a alma deixa de ser prisioneira do acaso e se torna autora do próprio destino.
As doenças psíquicas tornaram-se quase ordinárias no nosso tempo porque o sujeito foi lançado num campo que exige resposta contínua: produzir, aparecer, interpretar, escolher, otimizar — sempre mais, sempre agora. Nesse ritmo, foi-lhe negado o intervalo onde a experiência se decanta e ganha forma. Sem pausa, não há assimilação; sem assimilação, não há consistência. E o que não se sustenta por dentro acaba por ruir em silêncio — ainda que, por fora, permaneça funcional.
O homem não sofre porque perdeu a si mesmo. Sofre porque passou a vida inteira fugindo do Primevo que jamais deixou de habitá-lo. Quanto mais se afasta dessa origem silenciosa, mais tenta preencher o vazio com identidades, crenças, conquistas e distrações. Mas nada consegue ocupar o lugar daquilo que nunca foi embora.
Eu sei que a minha fala incomoda. Mas talvez ela incomode justamente porque revela uma história que muitos preferem esquecer.
E eu nunca vou te esquecer. Não porque eu não posso, porque eu não quero também. Você sabe que é verdade que eu vou conseguir ter você de volta, mesmo que seja a última coisa que eu faça. De todos os amores encontrados e perdidos e nunca mais vistos você é o único que corre repetindo na minha cabeça.
Meu bem, eu queria ter te conhecido antes, porque você realmente trouxe mais cor e alegria para minha vida. Eu sei exatamente o quando tudo era superficial, cinza e mais difícil quando você ainda não estava aqui. Mas de qualquer forma, agradeço a vida por ter me dado o privilégio de ter conhecido você. Eu realmente devo ter feito algo bom para ganhar o seu amor. A sorte realmente me pegou.
O girassol só se torna inteiro porque aceita a chuva que o fortalece, a terra que o sustenta e o sol que o guia — lição de que crescer é saber precisar de tudo, até do que não brilha. 🌻
Amar também é disfarçar que está tudo bem, seguir em frente sorrindo… só porque você acha que a outra pessoa está feliz sem você — enquanto, talvez, ela esteja fazendo exatamente o mesmo, acreditando que você já aprendeu a viver sem ela.
“Uns permanecem porque acreditam no destino da caminhada; outros caminham apenas enquanto a estrada tiver por destino os próprios interesses.”
