Versos de Interesse para uma Mulher
*Quando a Noite Dura Demais*
Não tenho mais sonhos e nem planos,
Disse o peito cansado.
Tenho só a triste realidade
Que me consome dia a dia.
Mas a terra também parece morta no inverno,
E ainda assim guarda semente.
E o poeta, mesmo sem verso,
Ainda guarda gente.
Porque esperança não grita.
Ela insiste.
É o fio que sobra quando tudo arrebenta,
É o “ainda” depois do “nunca mais”.
Um dia, sem aviso,
A realidade cansa de consumir.
E quem foi consumido,
Aprende a florescer no escombro.
Então guarda isso aqui:
Sem sonhos hoje, tudo bem.
Sem planos hoje, tudo bem.
Mas sem você, o poema acaba.
E o mundo ainda precisa do teu próximo verso.
Você ainda está aqui. Isso já é esperança começando
(Saul Beleza)
O abandono também faz florescer.
Assim é a natureza.
Tira a água, tira o sol,
e mesmo assim a raiz insiste.
A dor vira caule.
A saudade vira pétala.
E de repente você entende:
não era fim. Era primavera.
(Saul Beleza)
Minha saudade calada me faz gritar.
A companhia da solidão fere minha alma.
E o meu silêncio...
o meu silêncio grita
bem alto dentro dos meus pensamentos.
Onde ninguém escuta. Somente eu.
(Saul Beleza)
A quem amei tanto
hoje chamo de esquecimento.
Mas quando a lembrança me visitar
eu sorrio por dentro,
porque lembro o tamanho do amor que te dei.
É tristeza alegre.
É amor que ainda existe,
é distância que insiste em ficar.
(Saul Beleza)
*Cavalo de Aço*
Eu sou um cavalo de aço
chamado liberdade.
Relincho contra o vento
e galopo na imensidade.
Minhas crinas são fumaça,
meus cascos batem no céu.
Voou acima das ondas
sem medo de cair no véu.
Lá de cima eu vejo o mar
morrer mansinho na areia,
deixar espuma na praia
como quem despede a cheia.
E eu sigo, livre e selvagem,
sem rédea, sem arreio, sem jaula...
Porque ser livre é isso:
ser aço que não se amarra.
(Saul Beleza)
Vamos curtir o momento.
Amanhã é promessa, hoje é certeza.
Nossa estadia aqui desse lado da vida
é curta demais pra mágoa e pressa.
Amanhã o vento leva o que não vivemos.
Hoje o sol ainda nos alcança.
Então dança, come, ama, erra...
Porque passar passa. Mas valeu a dança e o souvenir.
(Saul Beleza)
Pari em Paris é fácil, quero ver é mastigar em Madagascar, cagar no congo, ficar na berlinda em Berlim, madrugar em Madri, e ser honesto em Brasília.
(Saul Beleza)
*Você tem um sonho de conquista, vejo em teus olhos e sei qual é esse sonho, mas quero ouvir de você, vamos diga.*
(Saul Beleza)
Aquela saudade de tudo.
Da juventude que corria sem relógio,
das namoradas que tinham gosto de verão,
das paixões que queimavam a mão.
Saudade das dores de corno,
que doíam, mas provavam que a gente amava.
Das quedas, das brigas, das reconciliações as três da manhã,
das dores do mundo que a gente achava que ia mudar.
Hoje a gente sorri mais calmo,
mas o peito às vezes aperta
lembrando do menino sem medo
que vivia em guerra e em festa.
E tá tudo bem sentir.
Porque sentir saudade
é prova que a gente viveu de verdade.
(Saul Beleza)
É ali na tempestade que a palavra sai mais crua, Sem filtro.
O peito aperta, a cabeça ferve, e de repente vira verso pra não virar grito.
Na tempestade a gente escreve com a alma na mão.
Cada raio ilumina uma coisa que estava escondida,
cada trovão arranca uma verdade que no silêncio ficava calada.
Só precisamos tomar cuidado.
Poeta também precisa de porto seguro.
Porque se for só tempestade, uma hora a gente afunda.
(Saul Beleza)
*É por nós que canto.*
Quando a noite cai e o mundo silencia,
meu peito encontra um motivo pra ser melodia.
Não é acaso, não é sorte, não é dia qualquer —
*é por você que canto*, é por nós dois pra sempre.
E se um dia o vento levar minha voz,
que ela volte no eco e diga: somos nós.
Porque amar é isso, dividir a canção,
e fazer de um "eu" bonito, em um "nós" em oração.
(Saul Beleza)
Parece que a poesia só nasce quando a gente tá com o peito apertado. A briga corta, machuca, e depois vira verso. É quase como se a tristeza fosse matéria-prima.
Mas olha... poeta também escreve coisa linda com paz. Com café na mesa, com riso bobo, com "por nós". Não precisa sempre sangrar pra rimar.
A briga dá verso bonito porque escancara o que a gente sente.
O amor calmo dá verso bonito porque mostra por que vale a pena ficar.
(Saul Beleza)
*Poema maluco do cotidiano*
Existem mais aviões no fundo do mar
do que navios no céu.
E existem mais planos na minha gaveta
do que coragem na segunda-feira.
Existem mais "depois eu vejo" no WhatsApp
do que respostas na hora.
Existem mais metas em janeiro
do que academia em fevereiro.
Existem mais café esfriando na mesa
do que tempo pra terminar ele.
Existem mais prints que nunca mando
do que conversas que realmente começo.
Existem mais aviões no fundo do mar
do que navios no céu.
E existem mais sonhos pousados na gente
do que gente pousando nos próprios sonhos.
(Saul Beleza)
*Olhar que basta*
Se existe tanta alegria e ternura
em nossa troca de olhar,
pra que procurar tristeza em outros olhos?
O teu riso me desenha calma
e o teu silêncio me conta segredo.
Nenhuma janela alheia
tem essa luz que me encontra cedo.
Fica o mundo lá fora
com suas promessas de sal.
Aqui, teu olhar me ancora
e isso já me faz real.
( Saul Beleza)
*contrato com o tempo*
se o tempo quer que eu te esqueça,
diz pra ele arrumar o que fazer,
porque eu não assino esse contrato,
não vou bater ponto pra te esquecer.
não vou ajudar relógio nenhum
a enferrujar tua lembrança,
vou estar pensando em você
com a mesma teimosia de criança.
(Saul Beleza)
*Saudade Perfumada*
A casa limpa e perfumada,
mas existe um cantinho que não se dissimula.
O pano passou,
a vassoura dançou,
só não tirou
o cheiro que você deixou.
Vem, o sono ainda te espera.
Na cama feita, na luz que acalma,
teu espaço mora aqui,
intacto, na casa e na alma que quer sonhar ao teu lado.
(Saul Beleza)
casa limpa, cheiro bom no ar e um vazio que só você preenche.
A orquídea negra do lençol ainda disfarça, mas não engana. O perfume que ficou na casa é você, e nenhum outro vai substituir.
Vem dormir. O sono te espera aqui do lado, junto com esse cheiro que insiste em ficar.
(Saul Beleza)
Quero você,
Quero teu beijo molhado gostoso, intenso, profundo.
Quero você cheirosa, quente, ardente, aquele olhar provocante que
me enlouquece e me deixa com mais desejo.
Te quero ao meu lado sentir o calor do teu corpo.
Quero teu olhar no meu, misturar meu cheiro com o seu.
(Saul Beleza)
*Maluquice autorizada*
Hoje meu juízo tirou folga
e deixou a chave com um grilo
que toca guitarra no meu cérebro
usando fios de macarrão.
O sol me mandou um bilhete
escrito em língua de girafa
dizia "vem brincar de nuvem"
e eu fui, de pijama e guarda-chuva.
Os ponteiros do relógio
fizeram greve por mais alguns segundos,
agora o tempo anda de patinete
cantando funk pro calendário.
Meu café levantou sozinho,
foi dar bom dia pra torradeira,
o pão respondeu com poesia
e a manteiga virou plateia.
Se a sanidade bater na porta
finge que eu mudei de planeta,
tô ocupado sendo astronauta
no espaço entre dois pensamentos, um em Goiás e outro no Mato grosso tomando sopa de osso.
(Saul Beleza)
*O dia depois do campo*
Já me acostumei com o ronco do canhão
e dancei ao som da rajada da metralhadora,
não por gosto, mas porque o corpo
aprende passos até no inferno.
Afiei o sabre pra cortar o catanho do dia,
porque amanhecer também cansa
quando a noite não deixou dormir
só ensinou a sobreviver.
Fingi não ouvir o toque da corneta
anunciando a alvorada que não pedi,
às vezes a guerra acaba lá fora
mas continua batendo no peito
Agora a casa tá limpa, o chá na mesa
e mesmo assim o silêncio vem fardado,
eu tiro o capacete devagar
e lembro que paz também é treino .
(Saul Beleza)
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