Versos de Estrelas
– Sim – respondi-lhe –, quer seja a casa, as estrelas ou o deserto, o que os torna belos é o invisível.
Nós todos carregamos estrelas em nossos corações. Luz e trevas sempre acompanham uma a outra, se você estiver com medo das trevas, mesmo um pouco, e lhes mostrar uma lágrima, as trevas se tornarão imensas e perseguirão e engolirão toda a sua luz.
Os que creem que a culpa de nossos males está em nossas estrelas e não em nós mesmos ficam perdidos quando as nuvens encobrem o céu.
Machado dizia, as mulheres são como maças, eu digo, as mulheres são como estrelas, cada qual com seu brilho, cabe ao homem aprender a voar para chegar até elas.
E por mais que meus olhos alcance as estrelas, jamais alcançaram o brilho intenso dos teus olhos, e por mais que o calor dos meus braços alcance o calor de um belo pôr do sol, jamais alcançaram o calor de seus braços acolhedores, e por mais que meus beijos alcancem a doçura do mais puro mel, jamais alcançará o doce néctar de seus beijos doces, e por mais que o amor que exista em meu coração alcance a raiz da minha alma, jamais alcançará o amor eterno que um dia existirá em seu coração...
E gosto, à noite, de escutar as estrelas. É como ouvir quinhentos milhões de guizos... Mas eis que acontece uma coisa extraordinária.
Todas as estrelas acabam caindo. Mas uma estrela é apenas uma pequenina centelha do grande facho de luz que há no céu.
Aprendi que se pode conversar com estrelas, se confessar com a Lua... Que se pode viajar além do infinito!
Eu gosto de estrelas. Creio que é a ilusão de permanência. Sei que vivem explodindo, esmorecendo e se apagando. Mas daqui posso fazer de conta… Posso fazer de conta que as coisas duram. Que vidas são além de momentos. Deuses vêm e vão. Mortais lampejam, brilham e desvanecem. Mundos não duram; estrelas e galáxias são transitórias, coisas passageiras que cintilam como vagalumes e se desfazem em frio e pó. Mas posso fazer de conta.
As estrelas não morrem, apenas se transformam em luz que atravessa o tempo, sussurrando ao infinito que um dia brilharam.
Às vezes não buscamos as estrelas, às vezes ficamos satisfeitos com o que as pessoas dizem ser o suficiente, e eu não estou atrás disso.
A primavera tem as cerejeiras da noite. O verão tem as estrelas do céu, que iluminam os olhos. O outono tem a lua cheia refletida na água. O inverno tem a neve, que flui na relva. Bastam essas coisas simples para que o saquê seja delicioso. Se, mesmo assim, o gosto do saquê não for bom então quer dizer que há algo de errado dentro de você.
As estrelas não param de brilhar quando amanhece, mas é ao anoitecer que elas trazem um brilho maior.
Nem o brilho das estrelas consegue iluminar o que a luz de meus olhos veem: um olhar penetrante, um sorriso doce, um amor que transcende os limites do céu!
