Versos de Escola
“Há uma prudência silenciosa na alma que reconhece quando um lugar deixa de ser escola de virtudes e passa a tornar-se campo de desgaste. O espírito disciplinado não se apega ao que corrói, nem insiste onde a razão já advertiu sobre o dano. Afastar-se, nesses casos, não é fraqueza, mas exercício de governo interior, é uma escolha serena de preservar a própria integridade, como quem guarda a chama da lucidez contra ventos que apenas consomem e não edificam.”
" As coisas simplesmente acontecem e forçar a barra pode ser a escola, para aprender o que é sim e o que é não...
“Na escola, primeiro você aprende a lição e depois precisa fazer a prova. Já na vida acontece diferente: ela coloca você diante das dificuldades primeiro, sem aviso, sem preparo e sem respostas prontas. Só depois, com o tempo, vêm os aprendizados, a maturidade e as lições que aquela dor ou experiência precisava ensinar. Talvez seja por isso que crescer seja tão difícil… porque muitas vezes entendemos o sentido das coisas apenas depois de sobreviver a elas.”
No quadro negro da escola da vida, só passamos o apagador, naquilo que não nos serviu para nada, foi inútil.
O discurso da inclusão garante o direito de estar presente na escola. A convicção inclusiva mobiliza ações para aprender, participar e pertencer.
O compromisso abre a porta da escola para os estudantes com deficiências; a convicção remove as barreiras que impedem a aprendizagem e a participação.
Acompanho a escola e o pensamento clinico da querida amiga Dra. Nise da Silveira que revolucionou a psiquiatria brasileira ao substituir tratamentos agressivos, como eletrochoque e lobotomia, por uma abordagem humanizada centrada na arte, buscando a linguagem da criatividade como expressão, no acolhimento, afeto e na terapia ocupacional auto gestora no desabrochar do lúdico e místico que povoam o universo dos pacientes com sofrimento psíquico severo. No entanto sou contra ao fechamento das estruturas manicomiais, por que loucos, psicopatas, tarados e selvagens muitas das vezes são irrecuperáveis e não podem viver a espreita para vitimar a sociedade.
Você sabe que quando os meninos na escola não querem ler poesia, até riem dela, a desprezam como um esporte de maricas, eles não estão totalmente errados.
Na escola, eu era chamada de bruxinha, simplesmente porque eu não tinha recursos financeiros para ir bonita para a escola, era tudo doado pelas colegas da minha mãe. Então, eu ia vestida de menino, anos 90. Tudo muito difícil, era o que tinha. Raider do Seninha, blusa regata com carrinho da hot Wheels!! Bom, na adolescência, meu uniforme era camisa de vereador, com um número e um nome bem grandão!! Escrito NATAN! Era o que tinha pra usar. Quando fiquei jovem... Todos viraram meus amigos.
Nenhum ressentimento. Um dia era prova de português, na esquina da escola, a tal raider que eu usava, quebrou. Eu fui descalça mesmo assim. Enfrentei a fila do pátio, para entrar na classe, todos me olhavam e riam. Eu não voltei para casa, lá não tinha nenhuma outra sandália para eu calçar. Nem minha mãe tinha dinheiro para comprar. Ela quebrava pedra brita o dia inteiro, para ganhar 0,50 centavos por lata. Mal dava pra comprar arroz que era também na época, 0,50 centavos o quilo. Eu nunca reclamei, eu sentia vergonha? sentia. Mas desde aquela época, sempre soube que nunca seria fácil.
Desde a escola, aprendemos sobre guerras, conquistas, impérios, invasões, traições e disputas por poder. Decoramos nomes de reis, generais e governantes que mudaram o rumo da história através da força, do medo ou da dominação. Mas pare para pensar: quantas aulas foram dedicadas às pessoas comuns que salvaram vidas em silêncio? Quantas vezes nos ensinaram sobre aqueles que dividiram o pouco que tinham, que escolheram a honestidade quando a corrupção parecia mais fácil, que construíram pontes enquanto outros levantavam muros?
