Poemas de reflexão curtos que dizem muito em poucos versos
O nevoeiro
O amor não é
nem paz nem batalha
nem fogo amealhado
na escura fornalha.
O amor é nevoeiro
a branquidão que esconde
a pedra suspensa
no despenhadeiro.
E sendo sempre tudo
como o sonho dos mudos
o amor não é nada
diante da morte
do vento que sopra
de madrugada.
Sinto sim a sua falta,não vou negar
Que lágrimas rolam em meu rosto
Eu quis tentar odiar, eu quis fugir
Mas sinto um desespero ao pensar
Eu sei que o futuro a Deus pertence!
Mas não se esqueça,que no momento presente
O coração vibra ao relembrar
Que ainda existe muito amor para dar.
DOMINGOS
Ruas deitadas sobre o chão dos domingos
descançam do pisotear das multidões
que no atravessar corrido das esquinas
são indiferentes aos seus sentimentos
Morreu!
-Mas morreu? Morreu de que? Acidente?
Não, ainda está respirando, apenas morreu!
-Mas como morreu se ainda respira?
E pode-se falar que viveu? Tendo só morrido por toda a vida?
Amargo é o gosto que se sente
Quando quando a gente
Não sabe amar.
Amarga é a pessoa
Que um dia veio a me amargurar.
Pobre juventude!
O quanto se pode presumir?
observando este semblante?
Ele não aprendeu á amar!
Se vê a carência em seu olhar
E os seus passos claudicantes
Nesses olhos profundos, mergulho!
Quando paro em frente ao espelho
Ele não sabe ser amado!
E se cansou de ouvir conselho!
VIDA
vida
o que pode se dizer
sempre tentando não morrer
sempre tentando não saber
o que é a morte
sorte
de quem não vive isso todos os dias
medo de uma bala perdia
acertar bem no meio do seu peito
e você ver o desespero
de todos a sua volta
e procurar
um motivo para não chorar
para não pensar
que todos os seus sonhos estão indo embora
para nunca voltar
Não nasci no sertão , mas tenho certeza que de lá eu vim de outrora .
Não nasci no sertão , mas me sinto filho da terra .
Não nasci no sertão mas amo sentir o sol o ar que entrelaça meus pulmões que só o sertão tem .
Não nasci no sertão mas amo o cheiro que as chamas trazem diante do braseiro.
Lugar onde encontro a paz e o sossego que minha alma precisa .
Entendimento inconcluso
A última das certezas repousará no esquecimento
Serei eu tolo de bradar coragem no desconhecido
Sinto a memória como força vital e sigo em margens seguras
Pois o futuro tem pressa em ser anunciado
Mas só aceito vê-lo,
se trouxer consigo o novo !
estive buscando o horizonte de seus pensamentos
pois a luz que vi em seus olhos nunca se apagou
depois de muitas tempestades continuo escrevendo
pois escrevo que o que perdura sempre é o amor
Fragmentos para um amor morto
Teu nome
ainda arranha
meu sono.
No prato vazio,
mastigo tua ausência
como pão duro.
Minha boca chama —
mas só responde
o silêncio.
Um lençol,
um cheiro,
uma falta.
Teu corpo foi,
mas tua sombra
não desaprende.
Grito teu nome
e ele volta
sem carne.
A noite me veste
com tua ausência:
lã fria,
sangue lento.
sentir pulsar
entre o claro e o escuro,
é claro que o ritmo permanece:
descompassado, obscuro
(à espera de cura)
