Poemas de reflexão curtos que dizem muito em poucos versos
PORQUÊ
Por que é que as acácias de repente
floriram flores de sangue?
Por que é que as noites já não são calmas e doces,
por que são agora carregadas de electricidade
e longas, longas?
Ah, por que é que os negros já não gemem,
noite fora,
Por que é que os negros gritam,
gritam à luz do dia?
Apêndice
§
Um simples fio de beleza, excede minha casa;
constrange-me, o clamor da arte
A paisagem é meu poema.
Fratura familiar
O que deveria ser apoio virou dor,
A falta de pertencimento deixou feridas.
Olhos julgadores, palavras de mentiras,
Fizeram-me buscar amor em outras vidas.
A ausência de amor trouxe rejeição,
Hoje a dor é nossa ligação.
Vivemos distantes, mundos separados,
Sem contato, sem afeto, desconectados.
- Polly Soares
Não quero mais jogar boia
trazer helicópteros
mover o mundo inteiro
para salvar amores
Quero um amor
exímio nadador
Terra de minha mãe,
Terra do gado e do pequí,
Terra do Sol,
Terra de Anápolis e São Patrício,
Terra onde meu coração se superabundou.
Terra dos Basílios,
Terra minha,
Terra Goiás.
Eis que parto,
Mas hei de voltar,
Pois tu, ó Goiás,
Tens em teu povo o meu coração.
"A vida em cores que não se vê
Mistura-se em sentimentos
Vento em cores canta para você
Um verde vivo me envolvia
Esperança em movimento
Via cinza, céu e chuva
Era triste de se ver
Eis que surge uma harmonia
Uma voz a me aquecer
Vento em cores me envolvia
Era algo que não via
Verde fonte em alegria
Trouxe dentro do meu Peito
Uma cor que não existia."
Dedilhando sem pressa
Correndo os dedos pelo braço
Afinando o silêncio,
Em busca de acompanhar o compasso.
Com o violão acomodado em meu colo
Observo o ritmo combinando
A batida específica no corpo,
Enquanto toco Lá sem Dó
O instrumento solta um som abafado
O tom que sai em si
Não está na escala conforme esperado
Mas entrega um baita show,
Que amei ter participado.
O poeta, antes senhor do seu destino,
Agora refém de um amor sem limites,
Sua alma em pedaços, seus sonhos em ruínas,
Em cada poema, o eco da sua solidão.
Um lugar sem vidas
Um lugar de dor
Onde se escondem pessoas deprimidas
Com medo de um predador
Uma cidade de ansiosos
Que apenas querem parar de sentir
Confusos, medrosos, misteriosos
Com medo de existir
Escondem-se em suas habitações
Casas de almas penadas,
Desesperam-se por causa de suas imperfeições
Bem vindos à cidade dos fantasmas.
Mesmo que o céu desabe sobre mim,
E que o tempo pare de existir,
Meu amor por ti nunca terá fim,
Eu nunca deixarei de sentir
Que a sua semana contenha:
Uma segunda chance de fazer diferente;
Uma terça nota que componha um belo dia;
Uma quarta palavra de carinho e atenção;
Uma quinta parte de amizades e descontração;
Uma sexta de alegrias e momentos especiais;
Um sábado de descanso e contemplação;
Um domingo de aleluia e celebração!
Amor Arterial
Pulsa coração
amor arterial,
lágrimas e sorrisos
ritmando.
Dissolve em pureza
meu peito aberto,
a flecha ardente,
meu rubro manto.
Na cruz amor derramado,
meu corpo inunda por ser amado.
Em versos vestidos de ternura
recito o amor que eternamente ventura.
Palavra de poeta
é feito passarinho.
Só vive em plenitude
se for livre,
só procria onde há ninho.
(Avoa meus versinhos)
Minha noite tem sonos picados,
e sonhos sem fio na faca cega que segue afiada.
Um cachorro late na alvorada amarga,
nos travesseiros do peito
com palavras encravadas.
Na bolha fiquei e fora enxerguei
As pessoas não são como eu vislumbrava
E a ignorância não baixou a guarda
A individualidade encontrou a casa, em um buraco caiu a sensibilidade.
Remanescente
Eu sou uma sombra no silêncio tenebroso,
que vaga sem sentido num colapso arruinado;
Eu sou um sussurro que ecoa nos destroços,
que se dissipa sob gritos afogados;
Eu sou um entre muitos loucos,
vivendo num mundo de sanidade obscura;
Eu sou um remanescente, vivendo entre os poucos, esperando todo dia, a chegada do repouso!
(14/02/24)
