Versos

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Peças se encaixando, portas se abrindo, a vida me sorrindo de novo...

A saudade não tem nada de trivial. Interfere em nossa vida de um modo às vezes sereno, às vezes não. É um sentimento bem-vindo, pois confirma o valor de quem é ou foi importante para nós, e é ao mesmo tempo um sentimento incômodo, porque acusa a ausência, e os ausentes sempre nos doem.

Martha Medeiros
MEDEIROS, M. Doidas e Santas. Porto Alegre: L&PM, 2008.

Nota: Trecho da crônica "Matando a Saudade em Sonho"

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Que a vida passa, e não estamos de mãos enlaçadas.

Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve para montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças.

Na vida é assim: Seguir em frente e não olhar para trás. Lutar por nossos sonhos nunca foi fácil, mas depois de fazê-lo, sentimos o quanto valeu a pena!

De onde vinha, pois, aquela insuficiência da vida, aquêle apodrecimento instantâneo das coisas em que se apoiava?... Mas se existia, fôsse onde fôsse, um belo e forte, uma natureza valorosa, cheia ao mesmo tempo de exaltação e de requintes, um coração de poeta com forma de anjo, lira com cordas de bronze, desferindo para o céu epitalâmos elegíacos, por que acaso não encontraria ela? Que impossibilidade! Nada, afinal, valia a pena procurar-se; tudo mentia! Cada sorriso ocultava um bocejo de enfado, cada alegria uma maldição, todo prazer o seu desgôsto, e os melhores de todos os beijos não deixavam nos lábios senão uma irrealizável ânsia de voluptuosidades mais intensas.

Acordar pra vida. São três palavras fortes e significativas. O problema é que nem todo mundo "acorda" no tempo certo. Tem gente que "acorda" quando ela já está indo embora. Infelizmente!

A vida e o universo confundem-se com a própria essência do tempo – o tempo que, por sua vez, é sem começo nem fim, sem essência, sem natureza ou desnatureza, até mesmo sem medida. A vida é como o tempo. O tempo que não se percebe, o tempo que nunca foi nem será. O tempo que simplesmente é. Eternamente, é.

Um neurótico é aquele que passa metade da sua vida a pôr armadilhas e a outra metade a cair nelas.

A vida tem sido muito dura comigo, mas ao mesmo tempo tem me ensinado muita coisa.

Não despreze as pequenas alegrias da vida enquanto estiver buscando as grandes.

Crítica é uma coisa que você sempre vai ouvir na sua vida, porque é de graça. Todo mundo sabe criticar, é fácil.

Você sabe, a vida sem uma pitada de drama e outra de complicações não teria tanta graça. Mas convenhamos, é só uma pitada, não a panela cheia.

A única coisa que precisamos para termos uma vida sem tanto sofrimento é saber aprender com os erros e não depender de ninguém pra sermos felizes.

Ignore todas aquelas pessoas que te desejam o mal. Recorde: a vida é um bumerangue.

A verdade é que amamos a vida não porque estamos acostumados a ela, mas porque estamos acostumados com os momentos, mesmo que poucos, de euforia que o amor nos traz.

Me importo sim com o que dizem de mim, mas isso não quer dizer que eu vá mudar a minha vida por causa de um comentário de alguém que acha que pode me julgar.

Se pudéssemos ter consciência do quanto nossa vida é efêmera, talvez pensássemos duas vezes antes de jogar fora as oportunidades que temos de ser e fazer os outros felizes. A gente não sabe quanto tempo temos, até quando estaremos aqui, e descuidamos. Cuidamos pouco. De nós, dos outros.

Na vida você tem de escolher entre tédio e sofrimento.

Era um pouco de febre, sim. Se existisse pecado, ela pecara. Toda a sua vida fora um erro, ela era fútil. Onde estava a mulher da voz? Onde estavam as mulheres apenas fêmeas? E a continuação do que ela iniciara quando criança? Era um pouco de febre.

Clarice Lispector
Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.