Versões

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Todos podem partir, mas tu continuarás a encontrar-te em todas as versões de ti. Por isso, não te abandones: sê a companhia que permanece quando todas as outras se forem.

O mundo inventa tantas versões de si mesmo, mas basta um sorriso sincero teu para que a realidade volte a fazer sentido.

“Existem versões de nós que desaparecem sem despedida; um dia percebemos que estamos procurando por alguém que fomos.”

É mais fácil encontrar conforto em versões próprias do que é "real" do que encarar a complexidade e, por vezes, a dureza do que realmente existe.

Vivemos em uma sociedade onde as pessoas forjam tantas versões da realidade e da verdade que se tornou quase impossível distinguir o que é genuíno do que é meramente uma variação corrompida do correto.

A mentira tem mil desculpas e milhares versões, a verdade é uma única frase que desmonta todas elas.

A mentira pode inventar várias versões, mas a verdade destruirá todas elas com um único fato.

Passamos tempo demais tentando salvar versões de nós que já cumpriram seu papel. Continuamos repetindo gestos, sustentando personagens e defendendo identidades que um dia nos protegeram, mas que hoje apenas nos apertam por dentro.

A falsidade tem uma estranha capacidade de tranquilizar. Ela preserva versões, protege personagens e adia encontros inevitáveis. A sinceridade faz o contrário. Ela abre as janelas, deixa o ar entrar e revela a poeira que aprendemos a chamar de normalidade. Talvez seja por isso que ela assuste tanto. Não porque seja dura, mas porque, depois que a verdade ilumina um cômodo da alma, continuar vivendo no escuro deixa de ser destino e passa a ser escolha.

“Posicionar-se impõe o custo das rupturas: com pessoas, hábitos e até com versões de nós mesmos que já não nos correspondem. Talvez, porém, seja ao atravessar esses ritos de passagem que nos tornemos a melhor expressão das escolhas que nos constituem.” — Leonardo Azevedo.

“Amigo de verdade conhece suas versões que ninguém mais conhece e ainda escolhe ficar.”

Perdi versões de mim que eu nunca recuperarei, e agradeço por isso, eram versões fracas, hoje caminho com mais precisão, sei onde piso e por que piso, minha vida finalmente tem direção.

Sou o inventário de versões minhas que não sobreviveram ao inverno, carrego os restos como quem guarda relíquias de um incêndio.

Sou confidente da madrugada, ela é a única que aceita minhas versões sem filtros, meus colapsos e minhas confissões inconfessáveis.

Carrego dentro de mim um cemitério inteiro de versões que precisei enterrar para continuar, e mesmo assim, insisto em florescer como quem desafia a lógica da própria destruição.

Carrego em mim versões que não resistiram ao tempo. São fragmentos de quem eu fui e precisei abandonar para seguir adiante. Às vezes sinto falta até das dores antigas. Elas, ao menos, eram conhecidas, este vazio novo ainda me nomeia.

Existe uma espécie de luto invisível em quem precisou abandonar versões inteiras de si para continuar existindo.

O destino raramente nos tira pessoas, ele leva embora as versões de nós que só existiam quando elas estavam por perto.

O tempo não leva apenas os dias; leva também as versões de nós que jamais voltarão a existir.

O sonho é o laboratório onde o inconsciente consegue testar versões possíveis do destino.