Versões
Se queres saber a verdade, então tu mesmo deverás buscá-la; eles sempre contarão as versões que eles querem.
“Entre os feridos, há quem lute em silêncio contra a própria mente. E, entre todas as versões que poderia ser, escolhe a mais difícil: ser bom. Porque decide dar aos outros aquilo que um dia precisou.”
A gente tenta maquiar, inventar desculpas e criar versões que confortam, mas que não existem. Só que a VERDADE sempre encontra uma fresta para aparecer no olhar, na maneira de tratar quem não pode retribuir nada, no cuidado ou na falta dele, na postura de quem pensa que ninguém está vendo.
Entre tantas versões de mim, a que mais gosto é essa: a que sorri apesar de tudo. Ser eu mesma é meu melhor filtro.
O mundo inventa tantas versões de si mesmo, mas basta um sorriso sincero teu para que a realidade volte a fazer sentido.
Conte os fragmentos que restaram de suas antigas versões e perceba: a geometria da sua força atual nasceu da recusa em se encaixar em espaços que não te pertencem.
Perdi versões de mim que eu nunca recuperarei, e agradeço por isso, eram versões fracas, hoje caminho com mais precisão, sei onde piso e por que piso, minha vida finalmente tem direção.
Sou o inventário de versões minhas que não sobreviveram ao inverno, carrego os restos como quem guarda relíquias de um incêndio.
Sou confidente da madrugada, ela é a única que aceita minhas versões sem filtros, meus colapsos e minhas confissões inconfessáveis.
Carrego dentro de mim um cemitério inteiro de versões que precisei enterrar para continuar, e mesmo assim, insisto em florescer como quem desafia a lógica da própria destruição.
Carrego em mim versões que não resistiram ao tempo. São fragmentos de quem eu fui e precisei abandonar para seguir adiante. Às vezes sinto falta até das dores antigas. Elas, ao menos, eram conhecidas, este vazio novo ainda me nomeia.
Existe uma espécie de luto invisível em quem precisou abandonar versões inteiras de si para continuar existindo.
O destino raramente nos tira pessoas, ele leva embora as versões de nós que só existiam quando elas estavam por perto.
É mais fácil encontrar conforto em versões próprias do que é "real" do que encarar a complexidade e, por vezes, a dureza do que realmente existe.
