Verdade
O amor de verdade é meu sonho de consumo, trocaria fácil todos os dias tristes por um sorriso que alegra minhas tardes, que me encoraja nas manhãs duvidosas.
Que compartilha o que há de mais sincero: o amor.
Simplesmente, o agora virou tarde,
Para quem ontem, quis buscar a verdade,
O hoje parece muito perto,
Mas normalmente é no amanhã que você vai ver o que é certo.
Um conselho para os Homens: Quando uma mulher te fizer uma pergunta, responda a verdade. Tem 99% de chances dela estar perguntando já sabendo a verdade
POIS É
A verdade pode durar uma vida inteira, perseguir uma mulher madura, assaltada de lembranças provocadas por uma amiga que mexe com uma varinha "o fundo lodoso da memória". E, de repente, a avó percebe uma convulsão na sua realidade, porque de repente outra verdade se sobrepõe. Explica. Reduz. E ao mesmo tempo amplia. Pois é. A verdade, em Lygia Fagundes Telles, é tão crua quanto esclarecedora. O que está em seus contos é a vida, sua própria e de outros, tão real e tátil como o chão áspero de cimento.
Reli, com assombro renovado, seu Papoulas em feltro negro, que ela incluiu no livro "Meus contos preferidos". Em onze páginas, Lygia roteiriza, organiza, sumariza, romantiza, anarquiza e enfim suaviza e cicatriza uma vida inteira.
Ojeriza.
Fuga.
Medo.
Ansiedade.
Mentira.
Não foi sem intenção que a narrativa das memórias suscitadas por um telefonema se concentre na latrina do colégio. Era o ponto da tangência. O ponto da fuga. A casinha fedorenta era melhor do que a sala de aula, com aquela presença esmagadora, opressora da professora castradora. Mentira! Tão bem dissimulada que pareceu verdade, por cinqüenta anos. E a verdade, um dia, lhe atinge a face como a aba de um chapéu de feltro, ornado de papoulas desmaiadas.
A memória é sinestésica. E os elementos formais estão ali, polvilhados no conto de Lygia, a declarar a ação dos sentidos. O tato da memória traz a aspereza do giz, o suor das mãos, o pé que esfrega a mancha queimada de cigarro no tapete. A audição da memória pede que se repita a Valsa dos Patinadores, como se repetiu a lembrança pela voz da companheira sessenta e oito, da escola primária. Mas o cheiro da memória remete, primeiro, a urina. A latrina escura. E eis a visão da memória a denunciar a obliteração. Negro quadro-negro. Trança negra. Saia negra. Feltro negro.
No meio do negrume, o sol reflete o seu fulgor majestoso na vidraça. É o esplendor do flagrante descobrimento. "O sol incendiava os vidros e ainda assim adivinhei em meio do fogaréu da vidraça a sombra cravada em mim." Dissimulação - mesmo em meio a tanta luz, há uma sombra. É uma sombra que persegue a personagem até o reencontro com a professora. Sombra, por definição, é uma imagem sem contornos nítidos, sem clareza. Como a professora, morta-viva, "invadindo os outros, todos transparentes, meu Deus!" E Deus, que sombra é esta a que chamamos Deus?
Pois é. Neste conto de Lygia, o gosto da memória, ou a memória do gosto, está ausente. Não se manifesta o sabor. Por que não se manifestou o saber, é por isso?
O conto é partícula de vida. É meio primo da História. Mais do que eventos, registra caráter, caracteres, costumes, clima, ambiente, formas, cores, preferências, gostos. O conto é uma das modalidades da história feita arquivo. Por isso conto, contas, contamos. O conto oral é o livro em potência, a história em potência. Ambos pertencem a quem os usa, e a quem de seus exemplos faz uso.
A escola deve ensinar a ler. Mas também deve ensinar a ouvir. Por isso, também na escola, que é um complemento da família, é preciso haver quem conte histórias. Como Lygia, que nos faz lembrar que é preciso haver a lembrança de uma infância vivida, o acalanto de uma voz querida, contando histórias, ilustrando a vida.
Lygia é de uma franqueza pontiaguda.
Este conto, em especial, é uma escancarada confissão de humanidade. A personagem é Lygia, ou qualquer um de nós. A personagem é frágil. Conquanto pensasse, a vida inteira, que era forte. Imaginava-se executora. Conquanto pensasse, a vida inteira, que era executada. Humana, enfim. Eis a verdade. Eis Lygia. Pois é.
Jornal das Letras, edição de agosto de 2007
A verdade é que não dá pra sustentar um amor apenas pelo outro, deixar de amar e fingir amor também dói.
Verdade vem com honestidade intelectual, sobriedade argumentativa.
Não adianta ficar catando frases de efeito, e postagens que vão te gerar alguma popularidade, sem fundamento nada vale !
Nada!
Edelzia Oliveira.
Na verdade o malandro não vira otário quando começa amar, ele vira otário quando deixa o amor de lado.
Conheci a verdade que dói
seus olhos são verdes, cor musgo
por fora se camufla, por dentro se destrói
regojiza-se em enganar com subterfúgios estúpidos
Nada de errado, tão certinho
é admirável suas destrezas
friamente calculadas em detalhes mínimos
escolhe as palavras perfeitas com sutileza
Ás vezes deixa sem querer, escapar
um resquício imperceptível de sordidez
ele não se importa, adora arriscar
e mente de novo, mais uma vez
De expressão superior
implora secretamente para ser venerado
mas é só olhar em seu interior
pra entender que por mentiras, está sendo derrotado
Miss simpatia, um ser sociável
só refuta quem perto dele se aproxima
se distancia de forma rápida e duvidável
quando indagado, responde de maneira sucinta
Indecifrável, de passos ocultos
qual será sua próxima hipocrisia?
por que ser assim tão hostil, tão obscuro?
intimidar pra você é uma primazia
Diz-se sem medo, um tipo audacioso
não permite mostrar suas fraquezas
legítimo mancebo indecoroso
seu disfarce esconde a rudeza
E por algum motivo ignoto
sinto que você não é o que aparenta
acho que quer livrar-se desse inseguro garoto
que te persegue e te atormenta
Chega de exceptuar essa infelicidade
não cansou de ser sempre sozinho?
me deixa conhecer sua genuinidade
preciso entender o passado que te machucou com espinhos
Ninguém é mal por natureza
algo o tornou frívolo
e transformou seu sorriso em tristeza
e modelou seu íntegro espírito
Entre palavras e promessas sinto falta da época em que a verdade era sincera. Um olhar valia mais que ouro. Quando uma história era real você podia realmente acreditar.
Sou (re)vestida de amor, verdade,
educação, delicadeza e bondade.
São adjetivos indispensáveis numa amizade.
Quando estamos em meio deserto, paramos para beber água em poços de água que na verdade, muita das vezes é uma miragem e acabamos morrendo, sendo que logo a frente está o poço que realmente irá saciar sua sede, suprir necessidades e vontades.
