Verdade
O erro submetido à investigação pode aproximar a consciência da verdade; a confusão protegida pelo dogmatismo apenas prolonga a ignorância.
Os sentidos fornecem informações, mas informação não é sinônimo de verdade; entre perceber um fenômeno e compreendê-lo existe todo o trabalho da razão e do método.
A verdade socialmente aceita possui uma história e pode influenciar aquilo que o Direito reconhece como legítimo.
A razão não promete possuir a verdade inteira; oferece algo mais honesto: um método para aproximar-se dela sem transformar a ignorância em certeza.
Quando o Estado transforma uma crença em verdade oficial, a liberdade deixa de ser princípio e torna-se concessão.
A verdade não se torna mais verdadeira porque possui maioria, tradição ou autoridade; torna-se intelectualmente mais resistente quando suporta a crítica.
A verdade não precisa da pressa dos homens: o tempo, paciente e implacável, costuma separar o fato da aparência.
Quando a realidade puder ser fabricada, a verdade deixará de ser aquilo que vemos e voltará a ser aquilo que resistiu à fabricação.
A verdade não se submete à sentença definitiva do intelecto; admite apenas aproximações sucessivamente mais precisas.
A verdade não recebe autoridade por antiguidade; sua força depende da evidência que consegue apresentar.
Uma verdade filosófica não se torna menos digna de investigação porque suas consequências são desconfortáveis.
Nenhuma verdade permanece inteiramente imóvel quando uma consciência verdadeiramente livre começa a interrogá-la.
O espírito não foge do mundo para encontrar a verdade; ele procura compreender o mundo até descobrir o que nele permanece oculto.
