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Amar você me ensinou que a felicidade verdadeira mora na simplicidade de ver o seu sorriso.

Olhar nos seus olhos é ver a transparência de uma alma que me acolhe exatamente do jeito que sou.

O amor puro não exige, não cobra e não apressa; ele apenas se alegra em ver o outro florescer.

O que me faria feliz
Era apenas e tão somente
Ver este mundo e toda gente
Ter tudo que sempre quis
Mas que soubesse desejar
Gente que soubesse onde quer ir
E aonde quer chegar
Se os anjos dissessem amém
A gente seria feliz...e além
Estantes cheias de livros
Surrados de tanto ser lidos
Meninas em brancos vestidos
Cotovelos fora da mesa
Rapazes sem chapéus,
na hora de comer
Camas limpas pra todos dormir
Ruas com árvores
Árvores com frutas
Frutas com sabor
Um pouco mais de amor no mundo
Um mundo de gente elegante
Educada e honesta
Um padre que razasse a missa
E nos desse parabéns
Por saber viver e dividir
Que a gente pudesse sorrir
E nossos vizinhos também
Um mundo onde ninguém mais
Precisasse mentir
Pra mais tarde descobrir
Que a felicidade de verdade
É uma vida isenta de ira
Que todo mundo compreendesse
Que tudo que não passa por isso
É felicidade de mentira

Carta de despedida: Nosso mundo encantado


Querida,
Hoje, ao ver uma foto sua,
um álbum inteiro se abriu diante de mim —
não de imagens, mas de memórias inventadas,
histórias que criei e roteiros que escrevi
acreditando que seriam nossos.
Projetei um enredo,
acreditei no roteiro que escrevi sozinho.
E quando o silêncio chegou,
percebi que o eco não era ausência tua —
era excesso meu.
Nesse excesso, construí um mundo só nosso,
mas apenas eu tinha acesso.
Olho com carinho para tudo que senti.
Não acabou.
É apenas o primeiro dia fora do nosso mundo encantado.
Um mundo criado por mim,
mas que, em essência, pertencia a nós dois.
O que doeu não foi perder alguém —
foi perder o personagem que inventei,
aquele que você talvez nunca tenha conhecido.
Descobri que o amor idealizado
tem o brilho exato do pôr do sol:
belo, mas breve, e feito de despedida.
Me vejo como um belo arquiteto,
mas um péssimo projetista.
Criei estruturas lindas,
dignas de um conto de fadas.
E hoje, de fora,
observo o “nosso mundo perfeito”,
sem saber se você o acharia perfeito também.
Entendi que a decepção
é só a luz acendendo no cinema,
revelando que o filme era projeção.
E no escuro que fica depois,
a vida me convida a assistir de novo —
dessa vez, com os olhos abertos.
Das cenas que mais gosto são os créditos.
Porque, mesmo sendo o único colaborador físico dessa criação,
todas as cores e formas vieram de você.
Lhe agradeço por ter sido inspiração,
mesmo sem saber.
Nunca haverá mágoas
em um mundo onde só um coração pulsava.
E mesmo que esse mundo tenha sido só meu,
ele foi feito com amor —
e por isso, ele sempre será bonito.
Com carinho,
Luis

Está tão difícil ver as pessoas de fato, lendo, ninguém lê, passam o olho no texto e não interpretam nada. A leitura é a dignidade que a vida nos deu de presente.

Ah! Tristes olhos
Por que chora em silêncio a dor que ninguém ver?
Por que deposita tuas lágrimas no oculto do teu vazio?
Por que corre?
Por que foge?
Por que se esconde?
Por que se disfaça?
Quando escuridão cobrir teus olhos e não enxergar mais nada, porque não volta seus olhos ao criador?

Algumas pessoas se fazem de vítima porque não aguentam ver os outros bem, e projetam suas frustrações como se a infelicidade fosse herança a ser dividida, sem perceber que a escuridão só habita dentro delas.

Acreditar em forças sobrenaturais como causadoras de nossos infortúnios e vícios é,
a meu ver, desacreditar na capacidade humana de produzir tanto o bem
quanto o mal que
ambiciona!

​A sua trajetória trilionária já começou no caráter, e a maior vitória será ver que todo o sucesso acumulado serviu para erguer os outros, mesmo quando ninguém acreditou na nobreza das suas intenções.

"O Amor nos faz ver coisas extraordinárias"

O autoconhecimento,
a meu ver, é o mais voluptuoso dos afrodisíacos,
por aguçar,prontamente, nossa relevância e libido como seres realizadores — remediando as sempre vexatórias crises de impotência geradas pela ansiedade e pelos desprazeres
do instinto!

Pureza na alma é ver a beleza do mundo sem segundas intenções.

Você pode até me achar fraco por sumir, mas lutar contra a vontade de te ver exige uma força gigante.

Quando Aprendemos a Enxergar

Há um momento em que os olhos deixam de servir apenas para ver. É quando aprendemos a ler aquilo que não está escrito, a escutar o que não foi pronunciado e a perceber, por trás das aparências, aquilo que insiste em permanecer escondido.
A arte nos ensina esse olhar.
Quando aprendemos a contemplar uma pintura, atravessar um poema, compreender uma música ou reconhecer o silêncio que existe entre duas palavras, alguma coisa dentro de nós abandona a ignorância. Não porque passamos a saber tudo, mas porque finalmente compreendemos o tamanho daquilo que ainda não sabemos.
E talvez seja essa uma das formas mais bonitas de inteligência: não se deixar seduzir facilmente.
Vivemos num tempo em que uma imagem bem construída pode se vestir de verdade. Uma fotografia manipulada pode fabricar felicidade. Uma frase bonita pode esconder o vazio. Um discurso educado pode carregar intenções que somente o pensamento atento consegue perceber.
Por isso, aprender a interpretar a arte é também aprender a interpretar o mundo.
Quem desenvolve sensibilidade começa a desconfiar das aparências perfeitas. Já não se deslumbra com qualquer fotografia cuidadosamente montada, nem entrega sua consciência às frases prontas que circulam como verdades absolutas. Aprende que nem toda beleza contém profundidade, assim como nem toda simplicidade significa pobreza de espírito.
A verdadeira cultura não deveria nos transformar em pessoas arrogantes. Deveria fazer exatamente o contrário: tornar-nos mais difíceis de enganar e mais humildes diante da complexidade da vida.
Porque estudar não é acumular palavras difíceis para impressionar os outros. Estudar é adquirir liberdade para pensar.
E talvez a arte exista justamente para isso: para arrancar os nossos olhos da superfície e nos ensinar que, entre aquilo que vemos e aquilo que realmente existe, há um território imenso chamado consciência.

"Olhos de ver e ouvidos de ouvir"
correspondem àquilo que cada Ser se dispõe a ver ou a ouvir — algo que somente o tempo
e a experiência adquirida,ampliarãotão necessáriapercepção!

... para o espírito,
uma vida sem privações,
a meu ver, seria algo lastimável,
visto que o sujeitaria à penosa condição
de apenas consumi-la, porém, sem
as devidas retratações
e reparos!

... o que precisamos
entender como 'atrasos de vida',
pouco tem a ver com o tempo: suas
enfáticas impressões e complexidades;
subjugados, contudo, à nossa
descomunal ausência de
propósitos!

"Ao te ver, me encontrei"


Quando te vi,
algo em mim despertou.
Não sei quem você é,
mas algo em você
me chamou.


Talvez seja por causa
dos seus olhos castanhos
ou do seu sorriso,
radiante e brilhante.


Não conheço seu mundo,
mas queria fazer parte.
Porém, não faço,
e compreendo.


Esse sentimento
me traz paz.
Por isso me sinto
tão leve.


Penso em você,
imagino você,
desejo você,
mas sei da realidade
e do que acontece nela:
não passamos
de dois estranhos.

PENSAR POR SI NÃO É PENSAR EM SI

“PENSAR por SI mesmo NÃO tem absolutamente nada a ver com PENSAR em SI…”

— Carlos Eduardo Balcarse

Existe uma distância enorme entre duas expressões separadas por uma palavra minúscula:

pensar POR si e pensar EM si.

Quem pensa por si procura autonomia.

Quem pensa apenas em si pode transformar autonomia em egoísmo.

E talvez um dos grandes equívocos do nosso tempo seja confundir independência de pensamento com centralidade do próprio eu.

Pensar por si não significa pensar somente em si.

Significa não terceirizar a própria consciência.

É ouvir sem obedecer intelectualmente.
É aprender sem simplesmente absorver.
É discordar sem precisar destruir.
É concordar sem precisar se submeter.

Porque repetir aquilo que todos pensam não é necessariamente pensar.

Às vezes é apenas emprestar a própria voz para um pensamento que nunca foi nosso.

Mas existe outro extremo.

Há quem tenha deixado de pensar pelos outros e passado a pensar apenas em si.

Parece liberdade.

Pode ser apenas outra prisão.

O ego também possui grades — a diferença é que elas ficam do lado de dentro.

Vivemos em uma sociedade que nos ensina constantemente a olhar para nós:

meu sucesso.

minha carreira.

meu dinheiro.

minha imagem.

meu patrimônio.

meu futuro.

E passamos tanto tempo pensando no que queremos conquistar que raramente pensamos no que estamos entregando para conquistar.

Literalmente vendemos nosso tempo para ganhar dinheiro para sobreviver.

Isso não é metáfora.

Entregamos horas de nossa existência em troca de recursos que nos permitem continuar existindo.

Precisamos trabalhar.

Precisamos sobreviver.

Precisamos de dinheiro.

Mas existe um paradoxo:

vendemos tempo para ganhar dinheiro e depois desejamos dinheiro suficiente para finalmente termos tempo.

Trabalhamos para ganhar a vida enquanto gastamos justamente aquilo de que a vida é feita.

Tempo.

Talvez por isso a pergunta não seja apenas:

“Quanto estou ganhando?”

Mas também:

“Quanto de mim estou gastando para ganhar?”

Porque existe diferença entre preço e valor.

Seu trabalho pode ter preço.

Sua hora profissional pode ter preço.

Sua vida, não.

Dinheiro perdido pode voltar.

O minuto que você gastou para ganhá-lo não volta com ele.

E é justamente aqui que pensar por si se torna necessário.

Quem não pensa por si pode passar a vida inteira perseguindo uma definição de sucesso criada pelos outros.

Estuda porque disseram.

Trabalha porque disseram.

Compra porque disseram.

Compete porque disseram.

Acumula porque disseram.

E um dia talvez descubra que venceu uma corrida sem nunca ter perguntado se queria chegar naquele lugar.

Não existe protagonismo em uma vida vivida segundo pensamentos terceirizados.

Mas pensar por si também exige perceber o outro.

Porque consciência que só enxerga a si mesma talvez ainda não tenha ampliado suficientemente o próprio campo de visão.

Eu existo.

Mas o outro também existe.

Eu tenho dores.

O outro também.

Eu tenho sonhos.

O outro também.

Eu preciso de tempo.

O outro também está gastando vida enquanto divide o tempo dele comigo.

Talvez compreender isso transforme relações.

Quando alguém nos oferece uma hora, não está oferecendo apenas sessenta minutos.

Está oferecendo uma parte irrepetível da própria existência.

Por isso, presença é uma das formas mais profundas de valor.

Quem oferece tempo oferece algo que jamais poderá receber de volta.

Pensar por si é liberdade.

Pensar no outro é consciência.

Pensar apenas em si pode ser aprisionamento.

E deixar que os outros pensem por nós é desistir silenciosamente da autoria da própria mente.

Então pense.

Mas pense sobre o pensamento.

Questione aquilo que você acredita.

Desconfie inclusive das certezas que mais confortam você.

Porque talvez a pergunta mais importante não seja:

“O que estão pensando de mim?”

Talvez seja:

“Quem está pensando dentro de mim quando acredito que estou pensando por mim?”

Não permita que pensem por você.

Mas também não transforme você no único objeto do seu pensamento.

Afinal,

“PENSAR por SI mesmo NÃO tem absolutamente nada a ver com PENSAR em SI…”

Uma preposição muda a frase.

Uma consciência muda a vida.

Carlos Eduardo Balcarse
02 de setembro de 2026