Ver
Fechei meus olhos para não chorar
chorei pra dentro sem ninguém ver
as lágrimas escondidas
são sempre as mais sentidas
menos acreditadas
e apesar de ter chorado
sou eu quem precisa perdoar
A gente se dá
todo nosso amor
depois se retribui
em companhia
me chame para ver
o pôr do Sol
qualquer dia
não é preciso
ter dinheiro
a gente se senta
aqui no quintal
e se lembra
do quanto pode ser bom
dividir um momento
assim tão normal
mas que parece
que o esquecimento
ou algo assim
transformou num
incontrolável vendaval
a distração pra completar
não deixa ver
que minha companhia
ainda pode ser sensacional
você faz o chá
e eu ligo o rádio
faz de conta
que hoje
é nosso primeiro dia
ainda me lembro
o quanto você ria
então
vamos olhar o Céu
e procurar vestígios
da passagem do rouxinol
então espero
me chamar
pra ver
o pôr do Sol
Às vezes quero ver o Sol à noite
E olho as Estrelas,
que são Sóis distantes
Enxergo hoje as coisas
Como não as via antes
Hoje não adianta mais
Saber o que devia ter descoberto
No tempo em que nasciam flores
Onde hoje tudo é deserto
Eu, que desejava tanto a Guerra
Enquanto vivia em paz
As vicissitudes desejadas
Foram tão rudes
Quanto inesperadas
E hoje eu olho as coisas
Tão distântes e digo
Faz um tempo
Tanto tempo, Meu amigo
Que queria desviar-me
Dos caminhos que hoje sigo
Aprendi a caminhar
Conheci os segredos dos Mares
E dos Nós de Marinheiro
Esta noite eu enfrentei
Uma tempestade atróz
Querendo encontrar o caminho
que me conduzisse de volta
À ilha dos Girassóis
Uma fada dança em minha mão
Tenho esperança, ainda
De que tudo mude
E que o vento sopre em direção
Ao final deste Mar
Que não finda
E caminhar finalmente pela praia
Ao final de uma tarde linda
Antes que a vida se esvaia
Consumida pelo tempo
Tanto tempo
Meu amigo.
No fundo do coração
Nada irrita mais a quem te odeia
do que te ver feliz.
E a quem diz que te ama, também.
Amor não domina, subjuga ou discrimina
Amor não é possessivo
Amor não é possessão
Amor não coloniza ou escraviza
Amor não exige escritura
Apenas se esconde
No fundo do coração
Amor verdadeiro
Não exige nem amor
Amor, quando existe
Nem liga de te ver
Alegre e nem triste
Quem ama se contenta em ver
Fica feliz em lembrar
Se satisfaz apenas
Em saber
Que ainda está lá
Amor não faz nem bem
E também não faz mal
Tirando isto
Todo falso amor
É sempre igual.
Acabei de ver no jornal
Um Edital assinado por Deus
Estão abertas as inscrições
E há milhões e milhões de vagas
Pro cargo de ser
Gente boa e honesta
Se você for assim, não diga a ninguém
E nem traga um amigo
Você corre o risco
de ficar com cara de espanto
Aguardando a sua vez ali num canto
Enquanto ele tenta tomar o seu lugar
Portanto, se você também não presta
Não tente ocupar essa vaga
Não perca tempo à toa
Procurando o final da fila
Não tem gente nem pra preencher
As inscrições dos candidatos
O fato é que Deus chamou
Mas não achou ninguém igual
Às exigências que Ele colocou nesse Edital
Mas por saber como é a vida
Deus manda avisar
Que se encontram esgotadas
Todas as vagas
Pro cargo de gente fingida
Não sobrou quase nada
Infelizmente há tanta gente assim
Que nem precisa entrar no fim da fila
Inscrições encerradas
Todas as vagas
já se encontram preenchidas
Edson Ricardo Paiva.
De repente um pensamento
Uma lembrança que faz ver
Como passaram depressa
Os dias a compor a vida
De chegada em chegada
Amanheceres que eu vi ou não
Azar o meu, eu estava lá
Algumas vezes
O vento soprou tão suave
Que nem sequer apagariam
As velas de muitos aniversários
Para os quais não existiu abraço
Os laços não estavam lá
em nenhum presente
Aqueles do passado também se foram
Só chaves a girar
Nas portas por onde eu passei
E sempre estive do lado de fora
Não existe agenda ou calendário
E nem viagem
Mas sempre houve
Alguém que me vendesse
Pra logo em seguida, se esquecer de mim
Para um peixe, estar fora do aquário
Isso é bom ou ruim?
Edson Ricardo Paiva
Por mais que você
tenha sempre mais
daquilo que não precisa
Venha ver o seu futuro da janela
Aquela brisa leve, um dia vira tempestade
E a tão amada liberdade que invadia a alma
Não há de servir pra mais nada
A vida é uma breve viagem
E você vai perceber
Que deixou de cumprir o prazo
por questão de alguns segundos
O rio da vida, outrora profundo
agora é raso
Por mais que você
tenha sempre mais
daquilo que não precisa
Entenda que nada
Jamais te pertenceu.
Edson Ricardo Paiva.
Olhar o mundo
Pelos vidros da janela
Em vez de ir lá e ver
E depois, quando a garoa estia
Dizer que durante a tempestade
Mil relâmpagos havia
E os via de dois em dois
Ilusão tão ranzinza
Num céu pra lá de cinza
Sonhar outra vida
Refutar à própria estrada
Não chegou a nada
E perdeu a chance de ser
A pessoa que era
Chorou, na chegada no outono
O riso que fingiu na primavera
E nem era preciso
Você tira o canto ao pássaro
A impor-lhe uma vida de espera
Um cântaro vazio
Água fria não há
Mas tem sempre uma nascente oculta
Num lugar qualquer da poesia
O poeta a busca
Enquanto o pássaro a pranteia
Volta e meia se confundem
A escuridão revela
Claridade ofusca
Patéticos detalhes
Arquétipos pra lá de tolos
Os ares ao redor de Éolo
Serão sopros de ideias novas
Sempre as velhas mesmas
Resultando em nada
Estrelas no céu
Manto estampado
Um oceano em baixo
Pode ser que ao lado
Fronteiras do mundo
Simplesmente areia
Ilusão que germina a semente
Tão astuta era a promessa
Que resulta morta
O caminho era torto
Perde a luta e teu melhor da vida
Criança de braços abertos
Tropeça
Com pressa de abraçar o mundo
Abraça o chão
Simplesmente ilusão
E chora, até que percebe
Que teria sido um tanto bom
O tom do sustenido inverso
Ter nascido um simples grão de areia
Viajar por entre versos
E passear por todas as esferas
Estrelas, quasares, grupos de Planetas
Tão bonito e imenso Céu
Atravessar a vida
Na garupa de um cometa
Entoar, de carona
Um murmúrio inaudível
E segue a eternidade
Cantando a milhões de Universos
Edson Ricardo Paiva.
Faz tempo que percebi
Que o tempo passa
O que levou um pouco mais de tempo
Foi pra eu ver por onde ele anda
E quanta coisa esse tempo esconde
Porque, por mais dias de Sol que se faça
E por menos que o tempo se feche
E o mato cresça
Por mais tardes que a noite escureça
O tempo passa sim, mas não se mexe
O fato é que passou por mim
Eu sei disso, pois estou aqui
E depois do compromisso
Que eu cumpri com o tempo
Percebi
Que parte disso consiste
Em perceber-lhe a passagem
E manter-se sereno e em paz
Por menos que se conquiste
Porque, por mais que se corra
Não se vence o tempo em seu terreno
Vai-se à frente às vezes
Mas depois ele te passa
E não adianta correr atrás
Eis a lógica do tempo
Ele sempre corre mais
Basta ver a imagem refletida
E depois perceber
Que é um espelho da consciência
E que o tempo
Se esgueira pelo lado escuro
Onde nunca se olha
Fingindo inocência
Talvez, por conveniência
Se pensa que ninguém vê.
Edson Ricardo Paiva.
Rabiscando a vida.
Rabiscando
Sobre as linhas retas
Que não posso ver
Vindas lá da luz do céu
Encobrindo o breu, que nos convida
Com palavras que não posso ouvir
Nada é incrível, no entanto
Elas são tão claras
Quanto a cara imprecisa
De sorriso obscuro
Escondida, atrás do muro da vida
Quanto o brilho do ouro, que não tenho
Mas eu sei quanto estão lá
Vou rabiscando em desenhos
Solução pra tantos medos
Quantos enredos mirabolantes
Entretanto, nada inverossímeis
Pois eu sei o quanto estão elas
Sob a luz das velas
Sob o malho de cinzéis
Prontas pra se revelar
Talvez como simples rascunhos
Sob a força dos punhos
e a constãncia da vontade
Essas, em linhas não tão retas
Pois a verdade se curva
Pra se alinhar com o horizonte
Azulado e verdejante
Cujo limite do olhar não alcança
Não alcança de olhar aberto
É preciso um pensar mais longe
Pra poder enxergar
O que esteve tão perto
Mas oculto sob o malho dos cinzéis
Quantos céus e quantos outonos
Verão teus olhares mornos
Teus ouvidos vitrificados
Quantos vasos queimarão teus fornos
Carentes de um olhar mais puro
De enxergar no escuro
Encobertas pelo breu que te convida
A enxergar de forma assim, tão clara
A cara da vida?
Edson Ricardo Paiva
Crítico de arte,
a meu ver, não seriam esses
que comodamente tentam diminuir
ou apossar-se do meu trabalho...
Verdadeiro crítico - e isso garanto a vocês - é quem
manuseia meus pincéis; habilidoso mistura
minhas tintas; por vezes me premia
com variados e surpreendentesesboços e cores...
E, este, acreditem, não sou eu!
E sim, aquele que generoso
me inspira!
Pablo Picasso.
Regras, a meu ver, são vorazes
inimigas da sabedoria!
Sobretudo porque regras absurdas
ou nem tanto tornam necessárias
uma infinidade de obrigações
que para sermos sábios,
precisamos nos ver
livres!
"Às vezes eu gostaria de ter um olho nas costas, só para ver quem me apunha-lá por ela, e se eu ainda assim tivesse, eu já estaria cega"
"Quando eu falei que eu te queria como amigo, era por apenas te ver como um filho, amor de mãe não se mede, não se perde e não se esquece"
Existe um Estado no Brasil, que eu faço QUESTÃO de conhecer, para ver se é SIMILAR a algumas pessoas, abaixo a descrição:
O Sol nasce as OITO, dorme as NOVE, descança as DEZ, volta ao MEIO DIA, faz FRIO, uma hora depois, CALOR, esfriou novamente, o dia esta insuportavelmente QUENTE.
O Estado mais Bipolar do pais é?
- O EMOCIONAL, CLARO!
