Ver
No dia em que olhei no espelho
E não vi o que costumava ver
Somente resquícios daquilo que fui
Quando olhei nos meus olhos
Não eram mais como antes
Ainda era eu
Mas já não era o mesmo
Onde será que fiquei?
Ver, mas não ver como antes.
Saber que o que foi não mais será.
Desejar que fosse diferente.
Mas rejeitar a ideia de tentar.
Lembrar de não olhar para trás.
E ao olhar poder sorrir, por não querer mais voltar.
Sou do tipo que viajaria entre galáxias pra te ver. Daqueles que traria um pedaço da lua pra te fazer sorrir... Que enfrentaria um buraco negro pra te ver bem... Sim, exageradamente exagerado, intensamente intenso, com todo meu ser... Sem orgulho, sem egoísmo...
A vida é curta e diante da vastidão do universo somos poeira cósmica esperando o dia de sermos soprados pra longe... Temos um infinito inteiro para apreciar, na sincronia das batidas dos nossos corações, no toque de nossos lábios, e ao unir as nossas mãos...
Mas se não demonstras desejo de partir nesse foguete, o astronauta viaja sozinho...
Esperamos o outono chegar,
ver as folhas saindo em disparada
voando loucas, pelo vento levadas
e querendo junto aos galhos ficar,
O vento chega ousado dando beijos,
para uma, a uma, logo conquistar...
e a nossa alma tem os lampejos
de outros outonos, lembrar !
Outonos de beijos amorosos,
abraços que pareciam sem fim,
em tempos que eram mais ditosos,
nas manhãs em toques de clarins
Outros outonos de frias brisas,
mas que aqueciam o coração ,
agora, tudo rapidamente desliza,
já sem a mesma emoção
Despedidas do tempo, que, ingrato,
vai passando com muita pressa,
e a tudo leva quase de arrasto,
e deixa a saudade, o ontem, a promessa...
O sorriso frio e congelado
aos poucos deixava ver
que o amor havia acabado
e nem fora para valer
Tudo agora seria passado
sem motivos de alegria
um adeus já era dado
sem ternura e sem poesia
É terapia observar a natureza, ver os pequenos brotos que germinam, novas vidas vegetais desabrochando.
Clicando com os olhos as paisagens iremos revelando na alma os momentos de beleza que vemos.
O tempo foi passando
inexorável e sem dó,
aos poucos, deixando ver
que um adeus se faria
numa tarde mansa
de um dia qualquer
Um gesto, um olhar esquivo,
uma palavra sem nexo,
tudo mostrando que acabava
o sentimento maior
De repente o adeus se fez,
sem surpresa, sem nostalgia,
deixando apenas atrás de si
um coração já desfeito
que para a solidão
uma taça de saudade
já oferecia
Nesta linda noite já se faz a hora do luar !
não queres ver o que no céu se passa?
corra, vá depressa tuas retinas descansar
no espetáculo que Deus criou, é de graça!
Tombos na vida são importantes para que aprendermos a ver bem o rumo por onde seguimos.Sejam tombos reais ou aquele onde o pensamento prega peças, induzindo a algumas coisas que nem sabemos de onde vem a ideia ou tentação.Muitas vezes nos perdemos por causa deles. Cabe a nós escolhermos o tanto de tombos que podemos suportar, mas uma coisa é certa: todos eles nos farão levantar e aprender.
“Ser Pai é criar hábitos e rotinas,
Depositar no simples, um coração alegre
Ver beleza no caminho em caminhar”.
§
É curioso ver como você mudou. Está bem mais confiante. Mas manteve as sobrancelhas, não é?
(Emily)
Acredite se quiser, eu tenho prioridades que não têm nada a ver com hóquei.
(Hannah)
UNIVERSO SEM FIM
Meu gigantesco universo
Pobre de ti que não ver!
É maior que teus pertences
Mais forte que teu querer!
Amiúda-se perdido, diante do teu prazer,
Não tem forças, nem guarida,
Quando teus olhos a mim ver...
INFELIZ ANO NOVO:
Como não se indignar, ao ver crianças morrerem de desnutrição, pessoas dormirem ao relento sem uma única refeição diária, 789 milhões de analfabetose a morte batendo às nossas portas.
E saber que na contra mão, apenas oito "indivíduos" possuem mais dinheiro que o restante do planeta.
É esse o país e o mundo que queremos para as novas gerações?
Novo? Que novo?
Como novo?
Se tudo permanece como antes...
O capitalismo, é sim, modelo inconteste de metástase cancerígena.
NINGUÉM DE MIM SABERÁ
Ninguém me ver...
Ninguém me sabe!
Meu coração um perfeito
- Pretérito...
Nada do que fui tornará
Nada do que sou sobreviverá!
E minha alma em algures
- Preterida está.
Só a morte me resta como única
Essa pantera, conclusão me fará.
Ninguém me ver
Ninguém de mim saberá.
FELICIDADE
Acordar cedinho e tomar o café na trempe da vovó.
Olhar para o terreiro e ver o netinho rolando no relvado.
Encontrar aquele velho livro perdido.
Um banho quentinho de gamela.
O rádio tocando a música de sua adolescência.
Calçar um sapato leve e macio.
O cão brincando com o bichano.
Quebrar o balanço no flamboyant
E o joelho ralado.
Viajar, versejar
Ser gentil.
MEDO DE MORRER
Eu tenho medo de morrer.
Porque só em pensar que não vou mais ver o nascer do sol
Acordar com o abraço dos netinhos.
Comungar a natureza em sua leve brisa da manhã.
Se eu pudesse falar com Deus, uma proposta lhe faria.
Uma pequena troca...
Eu abriria mão de um ano de minha vida para ele me deixar voltar uma noite na minha infância.
Na casa de mamãe onde tudo era possível, mesmo que na medida exata.
Todos nós cantávamos à mesa para uma ceia nutrida de carinho e afeto.
O cheiro de café na trempe viaja comigo.
Mas àquela hora só os adultos tinham acesso
Mamãe achava pouco e fervia uma chaleira de flor de laranja
Que era para a gente dormir cedo
Éramos sete, às dezoito horas, Paim no auge de sua devoção religiosa nos obrigava a rezar
Logo todos também religiosamente teriam que ir dormir.
Sem sono, começávamos a brincar no escuro do quarto e mamãe comecava a contar histórias de Trancoso para despertarmos só no outro dia.
Por fim, perguntava-lhe.
Por que as mães precisam nos deixar?
Sinto vontade de te ver chegar.
Essa busca não consigo acertar
Estás por onde eu não posso estar
Procuro-te onde não vou te encontrar.
