Vencemos mais uma

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Esperança

Lá bem no alto do décimo segundo andar do Ano
Vive uma louca chamada Esperança
E ela pensa que quando todas as sirenas
Todas as buzinas
Todos os reco-recos tocarem
Atira-se
E
— ó delicioso voo!
Ela será encontrada miraculosamente incólume na calçada,
Outra vez criança...
E em torno dela indagará o povo:
— Como é teu nome, meninazinha de olhos verdes?
E ela lhes dirá
(É preciso dizer-lhes tudo de novo!)
Ela lhes dirá bem devagarinho, para que não esqueçam:
— O meu nome é ES-PE-RAN-ÇA...

Uma coisa bela persuade por si mesma, sem necessidade de um orador.

Não há alegria pública que valha uma boa alegria particular.

Machado de Assis
Memorial de Aires (1908).

Para muitas pessoas a felicidade é semelhante a uma bola: querem-na de todo jeito e, quando a possuem, dão-lhe um chute.

Muitos homens iniciaram uma nova era na sua vida a partir da leitura de um livro.

Henry David Thoreau
A desobediência civil (1849).

Mas a ambição do homem é tão grande que, para satisfazer uma vontade presente, não pensa no mal que daí a algum tempo pode resultar dela.

Um ancião é uma grande árvore que, já não tendo nem frutos nem folhas, ainda está presa à terra.

Onde existe uma vontade, existe um caminho.

O dinheiro não nos traz necessariamente a felicidade. Uma pessoa que tem dez milhões de dólares não é mais feliz do que a que tem só nove milhões.

A consciência é uma pequena lanterna que a solidão acende à noite.

O dinheiro representa uma nova forma de escravidão impessoal, em lugar da antiga escravidão pessoal.

Os filhos tornam-se para os pais, segundo a educação que recebem, uma recompensa ou um castigo.

O egoísmo não é amor por nós próprios, mas uma desvairada paixão por nós próprios.

O público é uma besta feroz. Deve-se enjaulá-lo ou fugir dele.

Uma única coisa é necessária: a solidão. A grande solidão interior. Ir dentro de si e não encontrar ninguém durante horas, é a isso que é preciso chegar. Estar só, como a criança está só.

Amor são duas solidões protegendo-se uma à outra.

O ego é dotado de um poder, de uma força criativa, conquista tardia da humanidade, a que chamamos vontade.

Escrevi uma vez que era um cético que só acreditava no que pudesse tocar: não acreditava na Luiza Brunet, por exemplo. Cruzei com a Luiza Brunet num dos camarotes deste Carnaval. Ela me cobrou a frase, e disse que eu podia tocá-la para me convencer da sua existência. Toquei-a. Não me convenci. Não pode existir mulher tão bonita e tão simpática ao mesmo tempo. Vou precisar de mais provas.

Comecei uma dieta, cortei a bebida e comidas pesadas e, em catorze dias, perdi duas semanas.

Todas as vitórias ocultam uma abdicação.

Simone de Beauvoir
BEAUVOIR, S. Memórias de uma moça bem-comportada, Nova Fronteira, 2009