Velho
Retrospectiva
Muita coisa aconteceu. Sorri, sofri, me perdi, me encontrei, errei, acertei, magoei, perdoei, ganhei. Senti paz, aflição, solidão. Partilhei, afaguei e venci.
As vezes a sabedoria do homem velho, vale mais a vista, do que a do homem novo, porque parece, que é sabedoria experimentada.
Se eu for velho e me apaixonar, me deixa que é melhor do que a morte... se eu for novo me mata, porque melhor é a morte do que a paixão sem experiência alguma.
Cada vez mais que me torno um ano mais velho, mais novo fico no espírito e a minha capacidade espiritual se torna cada vez mais confiante e promissora.
Despojar-se do velho homem é recusar ouvir as palavras da impiedade, para que o seu vaso não se encha de infâmia, desprezo e tristezas.
O homem mais velho poderia ser respeitado por todos, porém seria sábio se ele mesmo respeitasse a Deus, o Pai mais velho do universo.
Um velho chorando ou uma criança sorrindo. Um velho sorrindo ou uma criança chorando. Só se pesa na balança do tempo.
Atraia o podre e o velho que senta, atraia o pobre, também ao filho alimenta. Atende a chamada, socorre! A ti primeiro, pro mal sejas menino pro bem sejas guerreiro. Escreve a fala do teu pensamento, compete a ti ser justo, no seu julgamento. Carrega teu choro procure o vazio, faz dele um coro, que venha arrepio, abrace; seu pai, a mãe, e o tio, a vida se vai pra morte um fio. Se dela espera com muita esperança, você fica velho, que senta se tranca. Atende a chamada, socorre! A ti primeiro.
Confundir idoso com velho é o mesmo que pesar as leis de Deus em uma balança eletrônica e dizer ao seu possuidor que a Bíblia não passa de um quilo.
Acontece em muitos lares, ambientes familiares e em famílias sociais: muitos esperam do ano novo um novo relacionamento, uma grande virada ou transformação na vida, quando em suas discussões falam, sem discernimento, os desejos do seu coração, praticando as mesmas mazelas do ano velho.
Como quem finaliza um livro, ou encontra-se em forca, tenho alguns ditos sem sorriso, a expressar nas palavras deste miserável rebelde e delinquente, mas não pobre de espírito. Bem, quero aos que podem, que entendam: O máximo de liberdade que o ser humano pode aspirar - contando que isto não também lhe tenha sido tolhido - é escolher a prisão na qual quer viver. Sim, digo e posso repetir: Prisão. Pois nestes dias, pobres e podres dias, essa tal de nome Liberdade, nada é, que "sonho que se sonha só". Não, digo eu que, outrora senhorita, hoje sim senhora, pois está a ser viúva de maridos, transformou-se em simples miragem, uma pequena abstração. Oras, sem pudor ou receio, desafio-te com pés firmes, a contestar-te sobre a própria, sua e de outros tantos iguais, questão social. Basta que diga-me qual é a sua tribo e eu, sem utopias nem distopias, direi qual é o seu ajoelha-te. Concorde ou não, é somente a cláusula não assinada que você respeita, nunca a tí ou aos teus. Pois por fim, aos que dizem-se amantes desse decadente e decomposto conceito de liberdade, entendam: Só há liberdade se sua vida, e as de outrens, for produzida e protegida por você mesmo, jamais tomada, forçada ou imposta a ninguém. Seria eu só mais um tolo por ainda, neste dia cinza, ter apenas isto a dizer? Mais adequado seria, pela forca eu diria, um simples e singelo "Adeus".
O ego adâmico, intrínseco no homem,
anseia por justificar seus erros,
e não por um quebrantamento
que o conduza ao arrependimento.
Moço - Velho ... Velho - Moço
Ficava extasiada
quando observava o seu sorriso cândido
As sandices engraçadas me comoviam
Da pureza do passado
à presente desesperança.
Vejo com tristeza a sua luta
Querendo agregar no velho o que era no moço.
Aquilo que cobiçava no passado
Conquistava com seus modos insanos
Hoje torna-se indesejável
Quando deseja ser moço
Num corpo velho não almejado.
Meu velho, deixa as parvoíces no passado
Se tivesse semeado bons grãos quando moço
Hoje, não estaria sofrendo em seu murcho corpo
A alma te faria moço.
A velhice é uma estação da vida,
De rugas, sabedoria e experiência,
O tempo passa, a jornada é cumprida,
E o sábio coração enche-se de paciência.
Os cabelos brancos contam histórias,
De amor, de perdas, de batalhas vencidas,
As marcas da vida são como glórias,
E a sabedoria é a grande recompensa da vida.
Os passos podem ser mais lentos agora,
Mas a mente segue ágil e viva,
As lembranças são como tesouros,
E a vida é vista de uma perspectiva mais ampla.
A velhice é um tempo para refletir,
Sobre as escolhas feitas ao longo da jornada,
E cada ruga pode nos fazer sorrir,
Pois são marcas de uma vida bem vivida.
Que possamos respeitar e honrar,
Aqueles que já passaram por essa estrada,
E que possamos aprender a amar,
Toda a beleza e a sabedoria da velhice consagrada.
