Velas
Âncora recolhida, velas ao vento, mãos no leme... Resgatar o meu eu perdido na ilha dos sonhos esquecidos.
Queimar velas, queimar incenso ou "queimar" ervas, por vezes, a mesma ilusão de conectar os pontos.
Páginas amarelas
Amareladas,enegrecidas
Cores parafinadas das velas
Jazidas no tempo, esquecidas
Um escrito documento no tempo parado
Estabilizado pela fagulha do cosmo intempestiva
Borbulhando constante agitado
As cordas velhas da antiga festiva!
E escreves por aquele antigo pecado
Lamentável erro do passado
De quem fora o vilão responsável
Pelo castigo indecifrável
Eu,louco das ruas poeta
A afogar-me em distante loucura
Com alma bastante inquieta
Deitado nos braços da nobre figura!
Anjo Branco
Entre lamúrias
E lágrimas fervorosas
Após desconhecidas injúrias
Entre velas temerosas
Salte para cima ó poderoso ser
Detenha-te para o principal penhasco
Deste mal pérfido a apossar-se do meu querer
Ele se põe de pé arrogante e bate o casco!
Venha Anjo Branco nos proteger
Desta terra louca e ensanguentada
Esse pesadelo vil esquecer
Clareie minha doce jornada!
Com vosso olhar
Espalhas teu fervor
A alegria de amar
Está no vosso grandioso amor!
Não peça para que os ventos mudem de direção; aprenda a ajustar as velas com tal destreza que até o sopro contrário o impulsione para a frente. A sua estabilidade não vem da calmaria do mar, mas da força da sua âncora interna.
Somos como veleiros: alguns se deixam prender pelas âncoras do passado e ali ficam, com as velas tristemente amainadas; outros soltam as correntes, içam as velas e seguem, vivos, pelas águas do presente.
Ah!!
Esse mar, de águas
cristalinas, de Marinhos Cavalos.
Velas ao vento,
embarcações a dentro
te navegar. Mar de ilusões,
de promessas para Iemanjá.
Garrafas com juras de amor lançadas ao mar.
Mar, de verde Esmeralda, que é raso.
Crianças brincam,
Pegam jacaré.
Nas areias fazem castelos de contos de sereias, e princesas.
Ah!!
Esse mar, mar de amor.
Mar de amar, de navegar.
Sereno mar.
LUZ é um dom que já nasce conosco. Ou agente traz de berço ou vai morrer acendendo velas ou fazendo gambiarra pra sair das sombras e da escuridão.
Há mares que não se atravessam apenas com velas e ventos, ora conduzido pela brisa, ora desafiado pela correnteza. Navegar, afinal, é compreender que a liberdade está em deixar-se ir, mesmo sem saber o porto.
De um contemporâneo de Cabral e Colombo: num oceano solitário, calmaria absoluta, velas órfãs de vento, a subsistência se esvaindo... Do nada, eis que chega uma brisa, vinda do sul. Soprou, soprou e foi embora; sumiu, escafedeu-se. Não resolveu, mas deixou a convicção e a fé, resgatando aquilo que estava perdido: a esperança. Assim sendo, faço agora o registro, já em terra firme.
Entre luzes de velas que iluminam os meus aposentos,escrevo em páginas envelhecidas, sentimentos que adoraria não sentir...Mas é no lago dos cisnes onde minha alma é livre de verdade!
-Hellennah Bourbon:Cidade de Rosas.
Quando Aprendi a Ajustar as Velas
“Não podemos escolher a direção do vento, mas sempre é possível ajustar as velas.”
Durante muito tempo, eu quis negociar com o vento.
Queria que a vida soprasse exatamente na direção dos meus desejos. Fazia planos, criava expectativas,
imaginava caminhos e, silenciosamente, esperava que Deus concordasse com todos eles.
Eu dizia que confiava.
Mas, no fundo, queria controlar.
Queria escolher o vento, a velocidade, o caminho, o momento da partida e até o porto onde deveria chegar.
Talvez uma das minhas maiores dificuldades tenha sido compreender que fé não é receber de Deus o controle sobre o oceano.
Fé é continuar navegando mesmo depois de descobrir que nunca tivemos esse controle.
Demorei para entender isso.
Quando as coisas aconteciam como eu desejava, era fácil agradecer.
Quando o vento estava favorável, eu chamava aquilo de bênção.
Quando as águas estavam tranquilas, dizia que Deus estava comigo.
Mas bastava o céu escurecer para minhas certezas começarem a desaparecer.
Se alguma coisa dava errado, eu perguntava:
“Deus, onde estás?”
Hoje percebo a contradição daquela pergunta.
Eu reconhecia Deus na calmaria, mas tinha dificuldade de reconhecê-Lo na tempestade.
Talvez porque eu ainda acreditasse que a presença de Deus deveria significar ausência de sofrimento.
A vida me ensinou outra coisa.
Existem tempestades que acontecem mesmo quando Deus está no barco.
Existem perdas que a oração não impede.
Existem portas que permanecem fechadas.
Existem pessoas que partem.
Existem sonhos que não se realizam da maneira que imaginávamos.
Existem perguntas que atravessam anos sem encontrar resposta.
E existe um momento em nossa caminhada em que precisamos decidir:
ou passaremos a vida inteira brigando com o vento, ou aprenderemos a ajustar as velas.
Foi então que comecei a compreender a maturidade de outra maneira.
Maturidade não é ter domínio sobre aquilo que acontece.
É possuir humildade suficiente para reconhecer aquilo que não podemos controlar.
E talvez a fé comece exatamente nesse lugar.
Na fronteira entre aquilo que posso fazer e aquilo que preciso entregar.
Posso ajustar as velas.
Mas não posso ordenar ao vento que sopre.
Posso segurar o leme.
Mas não posso acalmar todos os mares.
Posso escolher algumas direções.
Mas não posso conhecer antecipadamente todas as tempestades.
Posso fazer planos.
Mas não posso exigir que o amanhã os obedeça.
Essa descoberta poderia parecer assustadora.
Curiosamente, para mim, começou a se transformar em liberdade.
Porque percebi o quanto estava cansado.
Cansado de tentar controlar pessoas.
Cansado de querer controlar acontecimentos.
Cansado de imaginar o futuro.
Cansado de discutir mentalmente com coisas que já haviam acontecido.
Cansado até de tentar explicar Deus.
Havia transformado minha vida numa embarcação pesada demais, carregada de culpas,
expectativas, medos e perguntas.
E talvez Deus nunca tivesse pedido que eu carregasse tudo aquilo.
Talvez Ele estivesse apenas esperando que eu soltasse algumas coisas.
Foi quando comecei a entender que entregar não significa desistir.
Entregar significa reconhecer limites.
Há uma diferença enorme entre abandonar o barco e confiar enquanto continuamos navegando.
A fé não me ensinou a ficar parado esperando milagres.
Ensinou-me a fazer aquilo que está ao meu alcance e entregar a Deus aquilo que minhas mãos não conseguem alcançar.
Eu ajusto as velas.
Ele conhece os ventos.
Eu seguro o leme enquanto posso.
Ele conhece o oceano que eu ainda não atravessei.
Eu vejo alguns metros à minha frente.
Ele conhece aquilo que existe depois do horizonte.
Talvez seja por isso que algumas coisas que considerei derrotas tenham acabado se transformando em caminhos.
Algumas portas fechadas me obrigaram a procurar outras.
Algumas quedas diminuíram meu orgulho.
Algumas perdas me ensinaram a amar melhor.
Alguns silêncios me ensinaram a escutar.
Algumas tempestades arrancaram de mim certezas que talvez nunca tivessem sido fé.
E alguns ventos contrários me levaram para lugares onde eu jamais teria chegado por vontade própria.
Hoje olho para trás e percebo quantas vezes reclamei da direção do vento sem perceber que estava sendo conduzido.
Nem sempre para onde eu queria.
Mas muitas vezes para onde eu precisava ir.
Essa talvez seja uma das maiores confissões que posso fazer:
eu quis controlar a vida porque tinha medo de confiar.
Controle, muitas vezes, é apenas o nome elegante que damos ao nosso medo.
Queremos garantias porque temos dificuldade de caminhar pela incerteza.
Queremos respostas porque o silêncio nos incomoda.
Queremos mapas porque o desconhecido nos assusta.
Mas Deus raramente me entregou o mapa inteiro.
Quase sempre me mostrou apenas o próximo passo.
E talvez seja justamente isso que torna a fé tão difícil e tão bonita.
Se eu conhecesse todo o caminho, talvez não precisasse confiar.
Se soubesse antecipadamente cada resposta, talvez não precisasse esperar.
Se pudesse controlar todos os ventos, talvez nunca aprendesse a rezar durante a tempestade.
Hoje já não peço apenas:
“Senhor, muda o vento.”
Algumas vezes ainda peço, porque continuo sendo humano e existem tempestades que realmente assustam.
Mas aprendi também outra oração:
“Senhor, se o vento não mudar, ensina-me a ajustar as velas.”
Essa oração mudou muita coisa dentro de mim.
Porque existem momentos em que Deus não muda imediatamente as circunstâncias.
Muda o marinheiro.
Fortalece as mãos.
Acalma o coração.
Ensina paciência.
Diminui o orgulho.
E nos faz perceber que aquilo que imaginávamos ser o fim talvez fosse apenas uma mudança de rota.
Continuo não sabendo para onde todos os ventos da minha vida me levarão.
Ainda tenho medo.
Ainda faço planos.
Ainda me decepciono.
Ainda gostaria que algumas coisas fossem diferentes.
A fé não retirou de mim a humanidade.
Mas hoje existe uma diferença.
Já não preciso exigir que o oceano inteiro obedeça à minha vontade para acreditar que Deus continua comigo.
Se vier a calmaria, agradecerei.
Se vier o vento favorável, abrirei as velas.
Se vier a tempestade, tentarei permanecer no barco.
Se precisar mudar a rota, mudarei.
Se tiver de esperar, esperarei.
E quando minhas forças já não forem suficientes, procurarei lembrar aquilo que levei tanto tempo para aprender:
eu nunca fui o senhor dos ventos.
Sou apenas um homem navegando.
Talvez amadurecer seja finalmente aceitar isso.
Fazer o que podemos.
Entregar o que não podemos.
E continuar.
Porque a fé não consiste em acreditar que todos os ventos soprarão a nosso favor.
Fé é descobrir que, mesmo quando o vento muda, Deus ainda sabe onde estamos.
E talvez a verdadeira paz comece no dia em que deixamos de pedir o controle do oceano e aprendemos, finalmente,
a confiar n’Aquele que enxerga além do horizonte.
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