Veio e Passou como um Cometa

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Meu Deus, como você é lindo. Não sei direito o que é aurora boreal, mas acho que deve ser algo lindo que se formava enquanto você era feito. Não sei direito o que é isso que eu sinto por você. Mas como é maravilhoso fumar você, cheirar você, tomar você, injetar você.

Não queremos ser diferentes, e, sim, que todo mundo tenha o direito de ser como é.

As palavras são como cheques, têm que ter fundos.

Infidelidade é como apanhar seu sócio furtando dinheiro do caixa. A relação está dissolvida.

Posso ser de mel e de veneno. Posso ser muito humana, e muito bicho também. Me morde e eu te como.

Desconhecido

Nota: A citação é atribuída a Clarice Lispector, mas não há fontes que confirmem essa autoria.

E sorrir, então, e dizer bom-dia, boa-tarde, talvez boa-noite, e convidar a sentar, como se costuma nessas situações, e explicar sempre que não há muito onde sentar, e espalhar cinzeiros, fechar a porta, escolher rapidamente um disco lento e abandonar a coisa que estivesse fazendo para sentar no canto oposto da cama, talvez cruzar as pernas, acender um cigarro, abrir um livro, olhar uma estrela e falar ouvir durante horas coisas duras e inúteis, e de repente me perceber novamente deslizando para um mar aberto feito boca, convite na esquina, veludo atrás de vidraça, e não ceder porque não seria de esperar que eu cedesse agora, nessas situações, embora me consuma, e penso. Então sorrir e afastar com delicadeza as inúteis durezas até que nos aproximemos das tardes no parque, e era sempre outono.

Erica para Callie:
- Isso é igual a quando a gente precisa de óculos.
- Como assim?
- Quando eu era criança eu tinha umas dores de cabeça e eu fui ao oftalmologista e ele me disse que eu precisaria usar óculos. E eu não entendi... não fazia sentido pra mim por que a minha visão era boa e eu ganhei os óculos e eu coloquei e eu estava no carro indo pra casa e de repente eu gritei, porque os borrões verdes que eu vi durante a minha vida toda, eles não eram borrões, eram folhas nas árvores, e eu pude ver as folhas, e eu nem sabia que sentia falta delas. Eu não sabia que elas existiam e de repente, folhas. Você é meu óculos.

Como não me lembrar do seu sorriso lindo se abrindo pra mim? Do seu olhar sem graça, suas mãos confusas, brincando com o nada enquanto você fazia o pedido mais lindo de todos: "não me olhe assim"? Como não me lembrar da sua boca se encontrando com a minha, e se afastando logo em seguida para me falar que "meu coração está disparado"? Como não me lembrar da intensidade de um abraço, de encostar a cabeça no seu ombro, e ouvir você falar que me ama? Como não lembrar da sua risada ao me pedir pra parar de bagunçar o seu cabelo? Como não me lembrar do seu desespero quando te roubei um beijo ao me despedir? Como não me lembrar da surpresa ao sentir seus braços ao meu redor, me envolvendo quando eu menos esperava? Como não lembrar da bagunça que você fez na minha vida, me mostrando que é assim que se vive melhor? Como não me lembrar de todos esses detalhes com as lágrimas saltando aos olhos e o coração apertando de saudade dentro do peito? Impossível não lembrar o quanto te quero, o quanto você me faz falta, o quanto a saudade me consome... o quanto eu te amo!

As grandes almas sofrem em silêncio porque entendem que a dor é como uma dessas varetas de ferro que os escultores enfiam no barro para sustentar a estrutura e sabem que só nos livramos de um sofrimento depois de o haver suportado até o fim!

É que "quem sou eu?" provoca necessidade. É como satisfazer a necessidade? Quem se indaga é incompleto.

Clarice Lispector
A hora da estrela. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

No entanto como seria bom construir alguma coisa pura, liberta do falso amor sublimizado, liberta do medo de não amar...Medo de não amar, pior que o medo de não ser amado...

Clarice Lispector
Perto do coração selvagem. Rio de Janeiro: Rocco, 1998.

Quando eu me olho no espelho, só sei que não me vejo como os outros me veem.

Andy Warhol
The Philosophy of Andy Warhol: From A to B and Back Again (1975).

Hipótese é uma coisa que não é, mas a gente faz de conta que é, para ver como seria se ela fosse.

A vida no interior, embora não deixe a mulher mais elegante ou preparada, ensina como escutar o coração - e entender seus instintos.

Como se eu procurasse não aproveitar a vida imediata, mas sim a mais profunda, o que me dá dois modos de ser: em vida, observo muito, sou ativa nas observações, tenho o senso do ridículo, do bom humor, da ironia, e tomo um partido. Escrevendo, tenho observações por assim dizer passivas, tão interiores que se escrevem ao mesmo tempo em que são sentidas, quase sem o que se chama de processo. É por isso que no escrever eu não escolho, não posso me multiplicar em mil, me sinto fatal a despeito de mim.

Clarice Lispector
Crônicas para jovens. Rio de Janeiro: Rocco, 2015.

Nota: Crônica Dois modos.

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O meu dia só existe porque você existe dentro dele. Porque se você não vem é como se o tempo fosse passado em branco, como se as coisas não chegassem a se cumprir porque você não soube delas. E se você vem, fica tudo maior, mais amplo, sei lá, mas é como se eu existisse de um jeito mais completo.

Ser artista não significa e contar; significa amadurecer como a árvore, que não apressa a sua seiva e permanece confiante nas tempestades da primavera, sem medo de que depois disso o verão não venha a surgir. Ele virá com certeza.

Rainer Maria Rilke
Cartas a um jovem poeta. Rio de Janeiro: Antofágica, 2024.

Nota: Trecho de carta escrita em 23 de abril de 1903.

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Se olharmos a vida em seus pequenos detalhes, tudo parece bem ridículo. É como uma gota d`água vista num microscópio, uma só gota cheia de protozoários. Achamos muita graça como eles se agitam e lutam tanto entre si. Aqui, no curto período da vida humana, essa atividade febril produz um efeito cômico.

Sentia-me como se estivesse apaixonado por algo que fosse muito bom, mas não sabia exatamente o quê, exceto que estava ali, bem perto.

Há criaturas como a cana: mesmo postas na moenda, esmagadas de todo, reduzidas a bagaço, só sabem dar doçura.