Veio e Passou como um Cometa
" Bom dia! Que a paz desça sobre tua alma como o orvalho que repousa silenciosamente sobre as flores ao amanhecer. "
A FACE DA LUZ E O INVERNO DA ALMA.
Como pode a Luz que toca minha face
Trazer-me, em segredo, a mais densa escuridão?
Como pode o fulgor que o horizonte refaz-se
Converter-se em silêncio dentro do coração?
São-me estranhos os dias, estranhas as horas,
Como sombras que dançam sob o véu da razão;
As auroras parecem antigas senhoras
Que se perdem cansadas na mesma estação.
Eis que nela se encontram as quatro estações,
Primavera e verão em perfeita harmonia;
Outono de ouro e serenas emoções,
Mas em mim reina apenas a fria ventania.
Em seus olhos florescem os jardins da existência,
Em seus gestos repousa a ternura sem fim;
Mas em minha alma cresce a gélida ausência,
E o inverno prolonga seus domínios em mim.
Há distância nas formas, nos tempos, nos rumos,
Há distância nos sonhos, nos risos e no olhar;
Há distância até mesmo nos mais doces perfumes
Que tentamos, em vão, entre lágrimas guardar.
Como podes, ó Deus, permitir semelhante sorte?
Que mistério governa tão severa lição?
Por que a vida aproxima com mãos de conforto
Aquilo que se afasta do alcance da mão?
Neste instante derradeiro, entre a prece e o pranto,
Ergo a voz que vacila na dor que me conduz;
E recordo Bach, em seu sublime canto,
Quando implora ao Eterno a permanência da Luz.
Não aparteis de mim a Vossa santa face,
Nem me deixeis sozinho nos desertos do ser;
Que a esperança, ainda que ferida, renasça,
E me ensine, na noite, novamente a viver.
Se o inverno é o caminho que hoje devo trilhar,
Que eu encontre em seu gelo uma secreta missão;
Pois a neve mais fria, ao tempo de se calar,
Também guarda invisível a semente do verão.
Mensagem:
Há momentos em que a alma contempla a luz e, paradoxalmente, percebe mais intensamente as próprias sombras. Contudo, nenhuma noite possui autoridade sobre a eternidade do amanhecer. Aquilo que hoje parece ausência pode ser apenas o labor silencioso de Deus preparando novas flores para o espírito. A luz não abandona quem a procura; às vezes, apenas ensina a enxergá-la para além das aparências.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro
Fontes de Inspiração.
Obra musical e espiritual de Johann Sebastian Bach.
Salmo 27:9 — "Não escondas de mim a tua face".
Reflexões filosóficas sobre a dor, a esperança e a transcendência.
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" O pássaro suspende o voo diante de tua presença,
como se encontrasse em teus olhos
a seiva que as pétalas não possuem.
O jardim floresce em redor, indiferente. "
O IGREJISMO COMO O VERDADEIRO CALCANHAR DE AQUILES DO MOVIMENTO ESPÍRITA.
A firmeza doutrinária como dever do espírita segundo José Herculano Pires
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Há perigos que não chegam pela perseguição externa, mas pela lenta transformação da identidade de uma ideia. José Herculano Pires percebeu isso com rara lucidez. Seu maior receio não era que o Espiritismo fosse combatido por adversários declarados, mas que fosse descaracterizado pelos próprios espíritas, transformando-se, gradativamente, em uma religião dogmática semelhante àquelas das quais Allan Kardec procurou distingui-lo.
O termo "igrejismo", amplamente empregado por estudiosos espíritas contemporâneos, sintetiza esse fenômeno de clericalização, ritualização e dogmatização do Movimento Espírita. Embora Herculano Pires não utilizasse essa expressão como conceito técnico recorrente, toda a sua obra combate precisamente esse processo. Seu alvo nunca foram as instituições em si, mas a substituição do método kardequiano pelo dogma, da investigação pela autoridade e da fé raciocinada pela obediência passiva.
A identidade do Espiritismo
Allan Kardec edificou uma doutrina baseada na observação, na experimentação, na comparação criteriosa dos fatos e na universalidade do ensino dos Espíritos. Não instituiu sacerdócio, não criou hierarquias infalíveis, não estabeleceu rituais obrigatórios nem proclamou verdades imunes ao exame da razão.
A própria definição de fé apresentada em O Evangelho segundo o Espiritismo demonstra esse caráter singular:
"Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade."
Essa afirmação representa uma ruptura histórica com toda forma de dogmatismo. A verdade espírita não depende da autoridade de quem a proclama, mas da coerência com os princípios da Doutrina, da lógica, da experiência e da moral ensinada pelos Espíritos superiores
O IGREJISMO COMO O VERDADEIRO CALCANHAR DE AQUILES DO MOVIMENTO ESPÍRITA.
A firmeza doutrinária como dever do espírita segundo José Herculano Pires
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
Há perigos que não chegam pela perseguição externa, mas pela lenta transformação da identidade de uma ideia. José Herculano Pires percebeu isso com rara lucidez. Seu maior receio não era que o Espiritismo fosse combatido por adversários declarados, mas que fosse descaracterizado pelos próprios espíritas, transformando-se, gradativamente, em uma religião dogmática semelhante àquelas das quais Allan Kardec procurou distingui-lo.
O termo "igrejismo", amplamente empregado por estudiosos espíritas contemporâneos, sintetiza esse fenômeno de clericalização, ritualização e dogmatização do Movimento Espírita. Embora Herculano Pires não utilizasse essa expressão como conceito técnico recorrente, toda a sua obra combate precisamente esse processo. Seu alvo nunca foram as instituições em si, mas a substituição do método kardequiano pelo dogma, da investigação pela autoridade e da fé raciocinada pela obediência passiva.
A identidade do Espiritismo
Allan Kardec edificou uma doutrina baseada na observação, na experimentação, na comparação criteriosa dos fatos e na universalidade do ensino dos Espíritos. Não instituiu sacerdócio, não criou hierarquias infalíveis, não estabeleceu rituais obrigatórios nem proclamou verdades imunes ao exame da razão.
A própria definição de fé apresentada em O Evangelho segundo o Espiritismo demonstra esse caráter singular:
"Fé inabalável só o é a que pode encarar frente a frente a razão, em todas as épocas da Humanidade."
Essa afirmação representa uma ruptura histórica com toda forma de dogmatismo. A verdade espírita não depende da autoridade de quem a proclama, mas da coerência com os princípios da Doutrina, da lógica, da experiência e da moral ensinada pelos Espíritos superiores.
O verdadeiro perigo
Herculano Pires. compreendeu que nenhuma doutrina permanece íntegra apenas porque possui bons livros. Sua preservação depende da fidelidade ao método que a originou.
Quando o estudo das obras fundamentais é abandonado, surgem inevitavelmente interpretações pessoais que passam a ocupar o lugar da Codificação. Aos poucos, a autoridade de dirigentes substitui o exame racional; médiuns passam a ser considerados intérpretes definitivos da verdade; obras subsidiárias recebem mais atenção do que Allan Kardec; práticas estranhas à Doutrina são incorporadas como se fossem princípios espíritas.
É nesse contexto que surge aquilo que hoje muitos estudiosos chamam de "igrejismo": a transformação gradual do Movimento Espírita em uma estrutura de natureza religiosa dogmática, contrariando a proposta original de Kardec.
Os sinais da descaracterização
A análise da obra de Herculano permite identificar diversos sintomas desse processo.
O estudo sistemático é substituído pelo emocionalismo.
A autoridade doutrinária passa das obras fundamentais para determinadas lideranças.
A investigação é trocada pela repetição.
A liberdade de consciência cede espaço à obediência.
A reflexão filosófica é reduzida a fórmulas prontas.
A Codificação perde centralidade diante de produções acessórias.
Nenhum desses fenômenos nasce de uma decisão isolada. Desenvolvem-se lentamente, tornando-se quase imperceptíveis. Quando percebidos, muitas vezes já se encontram incorporados à cultura institucional.
Firmeza doutrinária não é fanatismo
Herculano jamais confundiu fidelidade com intolerância.
O fanático procura vencer pessoas.
O espírita procura esclarecer consciências.
O fanático exige submissão.
O espírita convida ao estudo.
O fanático transforma opiniões em dogmas.
O espírita submete todas as ideias ao método kardequiano.
A firmeza doutrinária consiste precisamente em preservar os fundamentos da Doutrina sem perder a humildade intelectual nem o respeito pelas pessoas.
Combate-se o erro, jamais a dignidade de quem erra.
O método de Kardec
Em O Método de Kardec, Herculano demonstra que a maior herança deixada pelo Codificador não foi apenas um conjunto de livros, mas um método de investigação.
Nada deve ser aceito porque um médium afirmou.
Nada deve ser rejeitado porque desagrada opiniões pessoais.
Tudo deve passar pelo exame da razão, da experiência, da lógica e da concordância universal dos ensinos dos Espíritos.
Esse método protege simultaneamente contra o ceticismo e contra a credulidade.
Sem ele, o Espiritismo perde sua identidade.
A prece e o estudo
Outro aspecto constantemente lembrado por Herculano é o equilíbrio entre sentimento e inteligência.
A prece fortalece a consciência.
O estudo ilumina o entendimento.
A caridade educa o coração.
A razão preserva a Doutrina.
Quando um desses elementos desaparece, instala-se o desequilíbrio.
Intelectualismo sem amor conduz ao orgulho.
Emocionalismo sem estudo conduz ao misticismo.
A síntese kardequiana exige ambos.
O compromisso do espírita
Ser espírita não consiste apenas em frequentar reuniões, aplicar passes ou realizar atividades assistenciais.
Essas tarefas possuem elevado valor moral.
Mas Herculano recorda que existe responsabilidade ainda maior: conhecer profundamente a Doutrina para impedir sua descaracterização.
O espírita é chamado a estudar continuamente, comparar ideias, investigar, preservar o método de Kardec e impedir que preferências pessoais substituam princípios doutrinários.
A atualidade do pensamento de Herculano
Décadas após suas advertências, percebe-se quanto suas reflexões permanecem atuais.
Vivemos uma época marcada pelo imediatismo, pelo personalismo, pela autoridade das redes sociais e pela difusão acelerada de opiniões.
Nesse ambiente, torna-se ainda mais necessário retornar às fontes.
As obras fundamentais continuam sendo o eixo de segurança doutrinária.
São elas que preservam a identidade do Espiritismo diante das constantes tentativas de adaptá-lo às preferências culturais de cada época.
Conclusão
O verdadeiro legado de José Herculano Pires não consiste em criar novas interpretações da Doutrina, mas em recordar permanentemente que Allan Kardec já nos legou um método suficientemente sólido para impedir sua deformação.
O chamado de Herculano permanece atual porque não conclama à intolerância, mas à responsabilidade; não incentiva perseguições pessoais, mas fidelidade aos princípios; não propõe o fechamento ao diálogo, mas o permanente exame racional de todas as ideias.
O verdadeiro espírita não transforma o Centro Espírita em igreja, nem o dirigente em sacerdote, nem o médium em autoridade infalível. Reconhece que toda autoridade doutrinária repousa na Codificação e no método estabelecido por Allan Kardec.
A maior homenagem que se pode prestar a Kardec e a Herculano Pires não consiste em repetir seus nomes, mas em preservar aquilo que ambos defenderam com inabalável coerência: uma Doutrina livre, racional, progressiva, investigativa e moralmente comprometida com a verdade. Enquanto a fé permanecer subordinada à razão e o estudo ocupar o lugar do dogma, o Espiritismo conservará sua identidade e continuará sendo, como desejava Kardec, um caminho de emancipação intelectual e aperfeiçoamento moral da Humanidade.
Fontes.
Allan Kardec. O Livro dos Espíritos.
Allan Kardec. O Livro dos Médiuns.
Allan Kardec. O Evangelho segundo o Espiritismo.
Allan Kardec. A Gênese.
Allan Kardec. Revista Espírita.
José Herculano Pires. O Método de Kardec.
José Herculano Pires. O Centro Espírita.
José Herculano Pires. O Espírita e o Mundo Atual.
José Herculano Pires. Introdução à Filosofia Espírita.
José Herculano Pires. O Espírito e o Tempo.
José Herculano Pires. Agonia das Religiões.
Léon Denis. Depois da Morte.
Frase final
"A fidelidade à Doutrina não se mede pela repetição de palavras, mas pela coragem de preservar o método que a fez nascer. Onde a razão silencia diante do dogma, Kardec deixa de ser estudado; onde a consciência permanece livre para investigar, o Espiritismo continua vivo."
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"Escrevo como quem toca uma ferida antiga que jamais cicatrizou. O amor não partiu. Ele permaneceu distante. E a distância é mais cruel que a ausência."
" E no crepúsculo das ações humanas, é a gentileza que permanece como testemunho sereno de que a alma soube elevar-se acima da brutalidade do mundo."
A VONTADE QUE SUSTENTA OS MUNDOS.
" há pessoas que fogem de Deus como se pudessem fugir do átomo "
Autor frase e texto: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
O pensamento que afirma que há pessoas que fogem de Deus como se pudessem fugir do átomo contém uma densidade filosófica e psicológica de rara lucidez. Ele não se limita a uma crítica moral ou religiosa. Ele aponta para um dado estrutural da condição humana. A tentativa de negar o princípio que fundamenta a realidade não é apenas uma recusa intelectual. É um movimento psíquico de evasão diante do que é inevitável. Assim como ninguém escapa à estrutura íntima da matéria. Ninguém escapa ao princípio que a sustenta.
A formação dos mundos conforme apresentada pela tradição espírita descreve um universo ordenado por leis racionais e permanentes. O universo não é um acidente. A razão filosófica rejeita a ideia de que o todo se tenha produzido a si mesmo. Aquilo que existe de forma organizada pressupõe uma causa inteligente. Esta conclusão não nasce da fé cega. Nasce da lógica clássica já presente na metafísica antiga e reafirmada pela filosofia moderna quando trata do princípio de causalidade.
A resposta que afirma que o universo não pode ter-se feito a si mesmo reconduz o pensamento humano à humildade intelectual. A razão percebe seus limites e reconhece que há uma inteligência anterior às formas. A psicologia profunda confirma esse movimento. O ser humano que tenta negar toda transcendência frequentemente o faz para preservar uma ilusão de autonomia absoluta. Essa recusa não elimina o fundamento do real. Apenas gera conflito interior. A fuga de Deus manifesta-se como fuga do sentido. E a fuga do sentido gera angústia. Conforme demonstrado pela psicologia existencial. A negação do fundamento não liberta. Ela fragmenta.
A criação pela vontade expressa a ideia de uma inteligência que não age por improviso. A vontade aqui não é impulso. É determinação consciente. A imagem da luz que surge pela palavra simboliza a passagem do caos à ordem. Filosoficamente isso representa a passagem do indeterminado ao inteligível. Psicologicamente representa o nascimento da consciência a partir do inconsciente difuso. O ser humano revive esse processo interiormente. Toda lucidez nasce quando a mente consente em organizar o que antes era confuso.
A formação dos mundos pela condensação da matéria disseminada no espaço demonstra que a criação não viola as leis. Ela as inaugura. Deus não concorre com a natureza. A natureza é expressão da inteligência divina. Esse ponto é essencial para afastar a falsa oposição entre ciência e espiritualidade. A cosmologia contemporânea ao estudar a formação dos sistemas estelares confirma que a organização do universo segue processos graduais e regulares. O pensamento espírita antecipa essa visão ao afirmar que os mundos se formam progressivamente segundo leis constantes. Fonte O Livro dos Espíritos questões 37 a 42.
A ideia de renovação dos mundos introduz uma noção profundamente psicológica. Nada permanece fixo. A impermanência não é destruição. É renovação. Assim como os mundos se transformam. A psique humana também atravessa ciclos de dissolução e recomposição. Resistir a esses ciclos gera sofrimento. Aceitá-los gera maturidade. A filosofia estoica já afirmava que viver bem é consentir com a ordem do cosmos. O espiritismo amplia essa visão ao inserir a continuidade do princípio inteligente.
Quando se trata da formação dos seres vivos. A noção de germens latentes revela uma concepção extraordinariamente avançada. A vida não surge por capricho momentâneo. Ela aguarda condições adequadas. Essa ideia encontra paralelo na biologia moderna ao reconhecer a importância do ambiente para a expressão dos potenciais genéticos. Psicologicamente isso ensina que o ser humano carrega em si virtualidades que só se manifestam quando encontra condições morais e afetivas favoráveis. Nada floresce na violência interior.
A comparação com os cristais e com as sementes demonstra que a ordem não é exclusividade do vivo consciente. Ela atravessa toda a natureza. A regularidade das formas indica uma inteligência imanente às leis. Negar isso é reduzir o universo a um mecanismo sem sentido. Essa redução empobrece a experiência humana. A psicologia mostra que indivíduos que percebem o mundo como destituído de sentido apresentam maior propensão ao vazio existencial. Fonte Viktor Frankl embora não citado nominalmente.
A questão da geração. espontânea esclarece que a vida não surge do nada absoluto. Há sempre um princípio anterior. Essa ideia preserva a coerência racional e evita tanto o materialismo radical quanto o misticismo ingênuo. O mundo minúsculo que dormita e se cria é uma metáfora poderosa daquilo que ocorre no interior humano. Pensamentos. Emoções. Tendências. Tudo possui um tempo de maturação.
No que se refere à espécie humana. A recusa da ideia de um único homem como origem literal preserva a dignidade da razão histórica. A figura de Adão compreendida como símbolo evita o conflito entre tradição religiosa e evidência científica. Psicologicamente os mitos não são mentiras. São narrativas estruturantes. Eles organizam a consciência coletiva. Reduzi-los a fatos cronológicos é empobrecer seu valor simbólico.
A permanência da humanidade antes da data tradicional atribuída a Adão confirma a continuidade do progresso humano. A evolução moral não acontece em poucos séculos. Ela exige tempo. Experiência. Repetição. Esse entendimento combate a ansiedade moderna que exige resultados imediatos. A filosofia espírita ensina a paciência cósmica. A psicologia confirma que o amadurecimento profundo é lento.
Retomando a frase inicial. Fugir de Deus é tentar negar a estrutura íntima da realidade. Assim como o átomo compõe a matéria independentemente da vontade humana. O princípio divino sustenta a existência independentemente da crença individual. A recusa não elimina a lei. Apenas distancia o indivíduo de sua compreensão. A verdadeira lucidez não está em negar o fundamento. Está em reconhecê-lo com humildade intelectual e coragem moral.
Fontes fidedignas. O Livro dos Espíritos questões 37 a 51 tradução de José Herculano Pires. A Gênese capítulo 6. Estudos de psicologia existencial e cosmologia contemporânea em consonância com o princípio de causalidade racional.
Conclusão. Quando o ser humano deixa de fugir daquilo que o sustenta. Ele não perde liberdade. Ele encontra direção.
AMIZADE.
“Entre as ruínas das decepções humanas, a amizade sincera permanece como uma arquitetura moral que o tempo dificilmente destrói.”
AMIZADE.
“Quando duas almas tornam-se amigas, o tempo passa a caminhar mais devagar, como se quisesse ouvir suas conversas.”
“Escolhe teus amigos como quem escolhe alturas. Pois o espírito que permanece nos vales raramente conhece a grandeza do horizonte.”
“A alegria verdadeira cresce lentamente como uma árvore antiga. Quem tenta colhê-la antes do tempo encontra apenas folhas, nunca frutos.”
RECOMEÇAR COMO ATO DE SOBERANIA DA CONSCIÊNCIA.
A história interior do ser humano não se organiza como uma linha reta e previsível. Ela assemelha-se muito mais a um percurso de avanços, quedas, reflexões e reconstruções. Cada existência revela-se como um processo contínuo de aprendizagem moral e psicológica. Nesse contexto, a ideia de recomeçar não deve ser compreendida como um simples gesto circunstancial, mas como uma faculdade profunda da consciência. Recomeçar é uma manifestação da liberdade interior do espírito.
Do ponto de vista filosófico, a capacidade de reiniciar um caminho representa uma das expressões mais elevadas da autonomia humana. O indivíduo não está condenado a permanecer eternamente vinculado às decisões do passado. A consciência possui a faculdade de examinar a própria trajetória, reconhecer erros e estabelecer novas direções. Esse movimento constitui aquilo que a filosofia moral compreende como retificação do agir.
A reflexão introspectiva desempenha papel fundamental nesse processo. Quando o ser humano recolhe-se ao exame de si mesmo, ele inicia uma operação silenciosa de análise da própria conduta. Tal exercício exige coragem psicológica. É necessário admitir equívocos, reconhecer limitações e perceber as consequências das próprias escolhas. No entanto, essa lucidez não deve conduzir à paralisação da culpa. Ao contrário, deve converter-se em energia de transformação.
Sob a perspectiva psicológica, o recomeço está intimamente ligado à capacidade de ressignificação da experiência. Os acontecimentos dolorosos ou os fracassos não possuem um significado fixo e imutável. A mente humana possui a extraordinária aptidão de reinterpretar o vivido. Quando essa releitura ocorre com maturidade, aquilo que antes parecia apenas derrota passa a revelar-se como fonte de aprendizado e amadurecimento.
O sofrimento, nesse sentido, frequentemente funciona como um laboratório moral da alma. Não é o sofrimento em si que engrandece o indivíduo, mas a maneira como ele é compreendido e assimilado. Quando o espírito decide não permanecer prisioneiro da amargura, inaugura-se uma nova etapa de desenvolvimento interior. Recomeçar significa libertar-se do peso psicológico da estagnação.
Essa atitude exige disciplina mental e serenidade reflexiva. O ser humano que decide reconstruir-se precisa reorganizar os próprios valores. Precisa revisar hábitos, modificar padrões de pensamento e fortalecer a vontade. O recomeço não é um evento instantâneo. Ele é um processo gradual de reconstrução da identidade moral.
Nesse percurso, a esperança exerce uma função estruturante. A esperança não deve ser confundida com uma expectativa ingênua de que tudo se resolverá sem esforço. Trata-se, na verdade, de uma disposição interior que permite ao espírito perseverar mesmo diante das dificuldades. Ela atua como uma força silenciosa que sustenta a continuidade da caminhada.
Sob a ótica espiritual, a possibilidade de recomeçar revela um princípio essencial da evolução do espírito. A existência não se limita a uma sequência de erros irreparáveis. Cada experiência representa uma oportunidade de crescimento. A vida oferece constantemente novas circunstâncias nas quais o indivíduo pode aplicar o aprendizado adquirido.
Assim, o recomeço não é uma fuga do passado. Ele é uma reorganização consciente da própria história. O passado permanece como memória e como lição. Contudo, deixa de exercer domínio absoluto sobre o presente. A consciência madura transforma lembranças em fundamentos de sabedoria.
Há momentos em que o ser humano acredita ter perdido todas as possibilidades. A decepção, o fracasso ou a culpa podem produzir a sensação de que o caminho terminou. Entretanto, a experiência histórica demonstra exatamente o contrário. Muitas das mais notáveis reconstruções humanas nasceram em circunstâncias de profunda adversidade.
A grandeza moral não reside na ausência de quedas. Ela manifesta-se na capacidade de levantar-se novamente com maior lucidez. O indivíduo que compreende essa verdade começa a perceber que cada recomeço amplia sua maturidade psicológica e sua sensibilidade ética.
A vida, portanto, não deve ser vista como um tribunal implacável que condena definitivamente o erro humano. Ela assemelha-se muito mais a uma escola espiritual na qual cada etapa oferece novas oportunidades de aprendizado. O verdadeiro progresso interior nasce quando o indivíduo decide assumir responsabilidade pela própria transformação.
Recomeçar, em sua dimensão mais profunda, significa afirmar a soberania da consciência sobre as circunstâncias. Significa reconhecer que a história pessoal não está concluída enquanto houver disposição para aprender, corrigir e prosseguir.
E toda vez que a consciência humana decide erguer-se novamente, algo silencioso e grandioso acontece no interior da existência. O espírito redescobre que ainda há caminho, ainda há horizonte e ainda há possibilidade de tornar-se melhor do que ontem.
"Eu ri como todo mundo do Espiritismo, mas o que eu considerava como o riso de Voltaire não era mais que o riso do idiota, muito mais comum que o primeiro."
Eugène Bonnemère.
" O objetivo é contextualizar as descrições de André Luiz e demonstrar como a colônia espiritual foi apresentada pela primeira vez à literatura espírita. "
Do livro: Cidade No Além.
" _ Mestre como faço para auxiliar alguém que esta distante de Deus?
_ Sim! Fácil, busque ficar mais próximo dele. "
O Amor é uma coisa incrível
E não o conhecemos como deveríamos
A gente sempre fala :
"Eu tenho Amor incondicional "
E nem sabemos o que é
Porquê se uma pessoa para de nós estimular..
Adeus..
Mas aquele verdadeiro Amor
Aquele mais difícil de ter..
Esse sim, é o verdadeiro
Resgatando o pessimismo dos poetas como, Augusto dos Anjos a Antero de Quental e Cruz e Sousa, confronto as telas do nosso tempo.
Submerso no reels, no hype e no status, onde reina um otimismo forçado de "brilho, sou, posso... e você?", a vida real se impõe. Porque no fundo, fora do mundo "filtrogênico" e citando Clóvis de Barros, o que sobra é dor e sofrimento.
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