Veio e Passou como um Cometa
Seu abraço é um abrigo sempre seguro e fiel, um refúgio onde posso me sentir em paz.
Oh, quão terna é tua voz que acalenta,
e me faz sentir que estou em casa.
Nosso amor é eterno, uma cumplicidade de irmãos que se fortalece a cada novo nascer do sol.
Ilumina-me tal como um farol à escuridão
numa noite de tempestade turbulenta.
Nos Intervalos do Mundo
Nos intervalos do mundo, onde o ruído se cala,
há um canto onde a alma se despe,
e na penumbra suave da solitude,
enfim se encontra sem pressa, sem medo.
É ali que o silêncio fala mais alto,
e cada pensamento tem forma e peso.
A dor amadurece, a dúvida dança,
e o coração respira o que antes temia.
Mas nem toda jornada é feita a sós.
Às vezes, no eco de um gesto leve,
uma voz amiga, uma mão estendida,
nos lembra que não somos deserto.
Há apoio nas sombras também,
em olhares que não julgam,
em presenças que não exigem,
em abraços que dizem, oi estou aqui.
Solitude é ponte, nunca prisão.
E apoio é farol, nunca amarra.
Entre os dois, o espírito cresce
na liberdade de ser, e no milagre de ser.
Passei quase toda a vida tentando agradar aos outros
Mas isso nem é vida, é prisão.
Um dia me vi sozinha, sem ninguém pra agradar
Me libertei e finalmente me amei
Vi na solidão o que eu precisava
Me amei e me cuidei.
Amor próprio é realmente magnífico,
muda tudo e te muda toda.
Relato: Meu Pai e o Silêncio das Palavras Escritas
Meu pai é pedreiro. Um homem de mãos firmes, calejadas pelo tempo e pelo trabalho, mas de um coração imenso, onde sempre couberam todos nós, seus filhos. Cresci vendo nele um exemplo de dignidade e esforço, mesmo sem saber, por muito tempo, que ele carregava consigo uma ausência dolorosa: a de não ter sido alfabetizado.
Ele sempre viveu bem, dentro do possível. Cumpria seus deveres com dignidade, ria com facilidade e fazia da simplicidade sua maior riqueza. Mas havia algo que o limitava — o mundo das palavras escritas. Ler um bilhete, uma receita, um endereço... tudo isso exigia ajuda. E ele pedia, com naturalidade, mas também com aquele olhar que escondia algo mais: a falta de uma oportunidade que a vida lhe negou cedo demais.
Lembro de um dia em especial. Na correria da rotina, mandei uma mensagem de texto pelo WhatsApp. Algo simples, rápido, como fazemos com qualquer pessoa. Minutos depois, ele me respondeu com um áudio. A voz dele, firme, disse com doçura e um leve constrangimento: “Filho, fala por áudio, por favor... seu pai não sei ler.”
Foi como um soco silencioso no peito. Eu sempre soube, mas naquele momento, ouvir da boca dele foi diferente. Doeu. Doeu por ele. Por tudo que ele poderia ter vivido se a educação tivesse chegado a tempo. Ele não teve escolha. Precisou largar tudo muito cedo para assumir responsabilidades de gente grande — cuidar da família, trabalhar, garantir o pão.
Mesmo sem ter lido uma só linha de Machado de Assis ou escrito uma carta de próprio punho, meu pai me ensinou lições que livro nenhum traz: sobre coragem, humildade, força e amor. Seu analfabetismo nunca foi sinônimo de ignorância, mas de uma sociedade que ainda falha em garantir a todos o direito de aprender.
Hoje, mais do que nunca, acredito que lutar pela alfabetização de jovens, adultos e idosos é também honrar a história de milhares de “pais” como o meu, que mesmo sem saber ler, escreveram com suor a própria vida.
Advogado e Advogada exerce a função defensores dos direitos individuais e um garantidor da justiça, assegurando que o sistema judicial funcione de maneira justa e equitativa para todos os cidadãos.
Velha embalagem
Embalagens luxuosas fazem do insensato um soberano intocável. Uma cobertura deliciosa e delicada, com data de validade. Consumidor final iludido, disposto a pagar caro pela embalagem desprezando o produto essencial interno. O ritmo do jogo faz parte de uma nova partida entre os bons e os melhores. É na ilusão da embalagem que se perde a essência e o valor da razoável dignidade.
Seu desejo atendido foi mera coincidência passageira da moda , do gosto , da ilusão que agora não passa de uma velha embalagem...
Autor: Gilson de Paula Pires
"Talvez você seja um cisne em meio a patos. E tudo que está sentindo hoje não é fraqueza — é só a dor de alguém que está crescendo num ambiente pequeno demais para sua alma."
"A crítica de um ignorante diz mais sobre ele do que sobre você. Por trás do julgamento, mora um espelho quebrado de alguém tentando esconder o que odeia em si."
Um Ponto de Luz
Na vasta penumbra da noite,
um ponto de luz sussurra a aurora.
É a esperança, não nomeada,
que tece a certeza de um novo dia.
Um instante — hora, minuto, segundo —
se transfigura em eternidade.
Banhado pela aura do que não se explica,
mergulho na corrente oculta da natureza.
Que grandeza, sem palavras para contê-la!
É o ser que se encanta e se deixa encantar,
um pulsar que luta, um véu que se revela,
chama serena que ilumina a vida.
E as lágrimas?
Faróis em alto-mar,
guiam a alma à deriva,
sinalizam o caminho na imensidão.
Um ponto de luz,
tecido no silêncio,
é a dança do eterno
que abraça o instante sem fim.
Entre o Asfalto e o Sol
No meio da tarde cinza
um girassol nasceu do asfalto
Ninguém esperava nem o vento
nem o tempo nem o salto
do pássaro que ali passou
e hesitou como quem pensou
Isso é sonho ou erro do mundo
Um senhor de terno escuro
parou o passo e sorriu
como se o passado inteiro
nele tivesse se redimido
Uma criança desenhou ao lado
o sol com lápis partido
e disse
Ele brotou porque cansou de esperar no campo
E o girassol sem saber que era milagre
ficou ali
Entre buzinas pressa e concreto
erguido amarelo desobediente
como quem diz ao universo
Também posso ser poema
Saudades
Saudades são pequenos ecos do que já foi um cheiro, uma voz, um olhar que não volta,
mas insiste em ficar dentro da gente.
Em curtos espaços de tempo,
elas aparecem como vento leve,
ou como um silêncio pesado.
Não precisam de muito para doer,
nem de muito para aquecer o peito.
A saudade é o que resta quando o tempo passa,
mas o sentimento permanece.
“Tentaram me encaixar em um padrão de
coisas inúteis, quase conseguiram.
Se não fosse os livros de Foucault, teria
sucumbido a arte de ser normal.
Hoje sou perfeita, tenho um montão de
cicatrizes e vivo feliz a minha vida.”
“Sempre diziam que eu tinha uma beleza rara. Quando me olhei
em um pedaço de espelho pela primeira vez, já tinha muitos filhos.
Como bolo de festa, fui fatiada várias vezes. Meu corpo nada nega.”
Não creio que esse relâmpago passeio, que não dura nem um século, possa prender alguém pra sempre em algum lugar.
Se você ainda tem um segundo de vida, ainda tem um segundo para se arrepender das coisas ruins que fez. Um segundo para dizer eu te amo, e um segundo para dizer me perdoe!
Consulta e Aventura Materna – Um Dia de Fé, Luta e Amor
♡Diário Público Aline Caira Gomes Oficial.
Em 30 de junho de 2025, vivi mais do que uma simples consulta médica — vivi uma jornada de amor, superação e conexão com minha filha, Theodora Anthoniella. Partimos juntas para uma consulta com o Dr. Paulo Antônio de Morais Faleiros, pneumologista renomado em Franca, SP, com o coração cheio de expectativa e a coragem de quem enfrenta a vida com a fé nas mãos.
O consultório do Dr. Paulo localiza-se na Rua Antônio Torres Penedo, 421 – bairro São Joaquim, mas o caminho até lá foi uma verdadeira travessia. Pegamos o ônibus na Avenida Champagnat, em frente ao Atacado Tonin, pagando R$10,00 pelas duas passagens — No terminal, embarcamos em outro ônibus com destino ao bairro Zelinda, e dali seguimos a pé, com passos firmes, até o consultório.
Durante o trajeto, o sol batia forte, mas nossas almas estavam aquecidas por algo maior: a certeza de que estávamos cuidando uma da outra. Chegando ao consultório, fomos recebidas com respeito e atenção pelo Dr. Paulo Antônio — um profissional humano, educado, gentil, que nos tratou com a dignidade que todo ser humano merece.
Após a consulta, seguimos para realizar os exames na clínica Nikkei, e de lá, decidimos voltar a pé. Foram 4,4 km de caminhada pela cidade, contornando o trânsito intenso da Avenida Rio Negro, desviando da pressa do mundo com a calma de quem já venceu batalhas maiores.
Na Avenida Champagnat, minha filha me olhou com aquele brilho nos olhos que só uma criança feliz tem e pediu um sorvete. Entramos no Açaí do Cheff, e naquele instante simples, tive a confirmação: momentos assim valem mais do que qualquer luxo. Ver minha filha sorrir é meu prêmio, meu milagre diário. Ela é, sem dúvida, uma guerreira como a mãe — forte, resiliente e cheia de luz.
Voltamos para casa, nosso pequeno e humilde apartamento cercado por caixas e recomeços, e ali, no silêncio da noite, cozinhamos dois miojos com amor. Jantamos em paz, em meio ao cansaço físico e à gratidão espiritual. Não havia luxo, mas havia fartura no coração.
Recebemos os resultados dos exames pela Internet, já visualizamos, estamos com saúde. E esse é o maior presente — porque precisamos estar bem para continuar lutando, crescendo e vencendo. Cada batalha tem sido um degrau na escada da nossa evolução.
Deus tem sido nosso sustento. O Espírito Santo está conosco, guiando cada passo, protegendo cada respiração. Nada nos falta, nada nos atinge, pois o Deus Onipotente nos cerca com Seu amor incondicional. Somos filhas Dele, e Ele jamais nos abandona.
A cada pessoa que nos envia palavras de carinho, fé e esperança, deixo meu mais profundo agradecimento. Vocês fazem parte da nossa caminhada. Suas palavras são como bálsamos que curam e fortalecem.
Que Deus abençoe cada um de vocês com misericórdia, amor e luz. Que a bondade que emanam retorne multiplicada. Vocês são faróis num mundo que clama por humanidade. Vocês são a esperança viva de um futuro mais compassivo.
Deus ama vocês — e eu também.
Com gratidão,
Aline Caira Gomes
Mãe, guerreira, filha de Deus e guardiã do amor e fé que me move todos os dias.
COMPARAÇÃO IDIOTA
Às vezes é muito melhor você conversar um burro (quadrúpede) do que conversar com burras de duas pernas (pessoas), pois os quadrúpedes não lhes entenderão, mas também não lhes estressarão, já os de duas pernas lhes entendem e também lhes estressam. Diante mão, estou pedindo desculpas aos quadrúpedes por imbecil comparação.
Fortaleza/Ce., 30/06/2025.
EM MOVIMENTO (soneto)
Ó, notai, que este versejar traz poesia
um cântico que anuncia doce sensação
e, embora seja contido, vem do coração
destacando os encantos de variada via
Quanto sentimento, incluindo alegria
vai-se em busca do amor, da emoção
são versos tão imersos na inspiração
enchendo a métrica com terna magia
Paixão, condição, cada dia um arrepio
deixando a prosa inquieta, imprecisa
e ao soneto, a cada olhar, uma prova
Não só de sofrência, tampouco estio
é tanto a tempestade quanto a brisa
pois, a cada ação, uma poética nova!
© Luciano Spagnol - poeta do cerrado
30 junho, 2025, 21’59” – Araguari, MG
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