Veio e Passou como um Cometa
Entre afirmar que Deus existe e afirmar que Deus não existe existe um território silencioso onde a razão pode simplesmente admitir: ainda não sabemos.
O desconhecido não é um vazio à espera de qualquer explicação; é uma fronteira diante da qual a inteligência deveria retirar o excesso de confiança.
Há perguntas diante das quais a resposta mais rigorosa não é uma sentença, mas um silêncio cuidadosamente fundamentado.
Há leis que protegem a liberdade e leis que apenas conferem aparência jurídica aos costumes de uma época
A existência não é um enigma destinado a encontrar uma solução definitiva; é uma travessia na qual cada resposta transforma novamente a pergunta.
O corpo não é um objeto entre objetos; é a condição silenciosa para que qualquer objeto possa aparecer diante de nós.
A liberdade nunca nasce no vazio: escolhemos sempre dentro de uma história, de um corpo, de uma época e de circunstâncias que não fomos nós que inventamos.
Um problema pode ser colocado diante de nós; um mistério nos envolve, porque nele aquele que pergunta também está implicado.
Quando não conseguimos resolver um problema, inventamos uma narrativa suficientemente bonita para fingir que o compreendemos.
Um livro raramente ofende uma mente aberta; normalmente é a mente fechada que transforma páginas em ameaça.
Entre absolver um culpado e condenar um inocente existe uma assimetria moral que nenhuma conveniência jurídica deveria ignorar.
A realização de um desejo raramente encerra a vontade; muitas vezes apenas abre espaço para uma nova exigência daquilo que ainda não possuímos.
A riqueza pode ampliar possibilidades, mas não possui o poder de estabelecer um limite definitivo para o desejo; quanto mais a vontade recebe, mais pode aprender a exigir.
Quanto maior a autonomia intelectual de um indivíduo, menor tende a ser sua dependência da aprovação alheia para sustentar aquilo que pensa.
É preferível sofrer a injustiça de um poder alheio a permitir que a injustiça transforme a própria consciência em instrumento de corrupção.
O homem é um animal político porque sua existência não se completa no isolamento, mas na convivência, no conflito e na construção das regras que tornam possível a vida coletiva.
A felicidade não é um instante de prazer, mas o resultado de uma vida orientada pela virtude, pela razão e pela realização de suas próprias potencialidades.
Quando a vontade de um governante substitui a autoridade da lei, o Estado corre o risco de deixar de servir à ordem comum para servir à vontade de quem governa.
O caráter de um homem revela-se menos naquilo que proclama do que na distância entre suas palavras e suas ações.
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