Vc foi muito Falso Comigo
Foi no seu andar
que me apaixonei.
Foi naquele olhar
que me entreguei...
Com teu jeito de falar
eu me encantei.
O seu sorriso a brilhar
e eu me irradiei.
Te Amo, Te Amo!!!
... e foi assim:
Eu estava triste
Ela cheia de amor pra dar;
Eu precisando de carinho
Ela prestes a me agarrar;
Eu era todo tímido
Ela sem vergonha, começou a me beijar.
E tudo que a gente fez, então
Era vontade, desejo, nossa força de expressão.
Tudo que a gente fez, então
Foi verdade, um sonho e uma real sensação.
Pano de fundo
Saltei da tristeza à alegria
Qual foi a magia?
Foi o meu blefe à cilada.
Resgatei a variável
Do modelo, já descartada.
Foi no aguçar do pensamento
Que reformulei todo o problema
Com interações complexas do esquema
Simulei a resposta mais convicta
De não mais dar o próximo passo.
Deixei o estratagema intacto
Devolvi sutilmente o drama ao íntimo
Do infeliz criador do artifício,
Ficando por inteiro enredado.
A mentira da Marília
Como foi capaz Marília de me enganar desse jeito?
Estamos um pouco distantes bem sabe mas, vem pedindo a minha ajuda
Corro atrás que nem louca
De repente, vejo a sua foto postada e observo, encontra-se noutro país
Curti, me senti feliz, desencanei da preocupação
Recebi o telefonema do estágio que pra você eu consegui e, somente agradeci
O Pedro, lembra dele, aquele que você queria conquistar
falei pra ele da sua condição, então, ficou com a Márcia
Que te aconteceu Marília?
Agora descobri
Postou uma foto antiga sem data-la
confundindo toda gente, sem sair do seu lugar
Os amigos ironizaram, a sua timeline virou bagaço
Marília, não sei o que dizer, perdeu a compostura e
todas as oportunidades de encontrar a felicidade
com a sua brincadeira infeliz.
Ócio
Sempre foi vigilante para o ócio
Para fazer o que bem queria
Ficar com a sua amada todo o dia
Viajar e viajar.
Grandes são os prazeres inicialmente
Com o tempo um repente
O ócio passa a incomodar
Todos os dias tudo sempre igual
Sem trabalho para realizar
Com pouca habilidade para criar.
As mesmas anedotas
Os mesmos diálogos
O senso comum
Discutindo novelas
Futebol e pouca aquarela
A mesmice de fartar.
O dinheiro ficando escasso
A vida passando ao acaso
Um enjoo de matar.
Cinquenta anos
Sempre estive com o bit ligado
Isto a mim sempre foi dito
Esta analogia não foi um desatino,
Acompanhou a minha anatomia.
A mente a mil estava conectada
A construir a cada momento.
À inércia, só por estar sentada,
De resto, nem melancolia.
Eis que os anos se passaram
O bit de paridade foi interrompido.
Agora me oriento pelo reverso
E o foda-se foi disparado.
E agora?
O que devo fazer agora?
Lutar pelo que foi perdido?
Ficar mais pobre de espírito?
Jogar um jogo de cartas?
Empinar pipas na praça?
Movimentar a pedra no xadrez?
Olhar para a calopsita na gaiola?
Ficar por mais tempo livre?
Ler um livro em português?
Dominar a fúria que me consome?
Mirar o míssel para além do horizonte?
Colocar mais dinheiro no cofre?
Mandar flores por e-mail?
Escrever cartas românticas?
Ridicularizar as instâncias?
Fazer mágicas?
Beber uma bebida forte?
Olhar para o teto sem concentração?
Sentir aversão por tudo isso?
Enfrentar a flecha do inimigo?
Com muita coragem
Ficar na forca de frente para a multidão
Sem reverenciar os aplausos e risos à agonia
Que estão a festejar
Com o semblante mais brando
Escutando os risos e aplausos silenciando
Na minha mais sublime sensação
O ápice que se agiganta para minha bem-aventuraça
Que estou a desfrutar.
Breu
Desiludi as brancas folhas
gastei tinta
foi apenas premonição
os oráculos não respondiam
foram-se as folhas
foi-se a tinta
não havia inspiração.
Alarico
"foi mau" não ter escutado
a experiência do seu pai
ele sempre lhe dizia
- tenha a sua única flor
que, para se ter muitas
tem que ser mais que um bom procriador
Aqui, Alarico, já é outono
mais um outono sem cor
Então, curta a sua primavera
comece deste agora, polinizar todas as flores
para que elas transmutem em glória
e façam a corte nas jarras de opulentos soberanos.
Despedida
A luta foi grande, a esperança também
mas, o que tentei fazer certo
foi danoso
Persisti, afundei no lodo
Em cada luta uma derrota
Em cada ponta de esperança
apreciei inenarrável promiscuidade
Segregada e ferida, foi-se a ilusão
Hoje, mais velha e sábia
permito-me caminhar sozinha
como apoio, uma bengala de madeira
que a minha mão com delicadeza abraça
um busto masculino entalhado
no mais precioso marfim.
Entre o erro e o acerto, construí meu ego. Ego de banana, foi bacana porque todos a minha volta sambavam alá brasileirinha. E eu inquieto, obsoleto, zombei da sorte, achei graça na trapaça, aliás, só pode ser trapaça se couber nos meus conceitos (quebrados e falidos). Bom, agora vou seguir minha vida, não pode descrever minha dor, exceto eu, consegui vislumbrar minha bela imagem no espelho e, cá entre nós, não gostei nada do que vi. Eu que sempre sonhava com moinhos de ventos e dragões, agora vejo a lua e a luz que ela reflete na rua. Fui deus, de mim mesmo, fui parasita de outrem, fui rebelde de hoje e espetáculo de ontem. Mas, e daí? A vida é minha, eu faço o que quero e não pago nada, se você tem um pedaço de mão eu lhe estendo a mão, se não fique a nau, uma hora, um dia, um mês, depois de 84 dias, talvez você encontre o peixe de ouro que tanto procura, afinal; o sol também se levanta no reino da Dinamarca.
"Eu já quis ser tanta coisa, mas ser eu mesma foi a melhor opção. A melhor versão de nós é aquela que se diverte com as imperfeições".
"...sim comadre: formiga quando quer se perder cria asas"
Foi a frase que ouvi mamãe falar ao telefone.
Mais um, dos tais ditos populares.
Claro, crianças estão sempre antenadas!
Encerrada a conversa das comadres, era a hora da minha pergunta:
- Mamãe, por que uma formiga quando quer se perder cria asas?!
Resposta imediata:
"Filha, isso é apenas um ditado popular.
Significa que vivemos sob a tutela da família e então resolvemos alçar novos vôos, criando asas...
Esse ditado também é muito usado quando jovens que por sua imaturidade e rebeldia, acabam prejudicando-se por não escutarem seu pais.
So proponha viver um amor, se usar toda sua sinceridade, se a outra parte não foi verdadeira, saia isento de culpas, ileso de arrependimentos.
.Se um amor foi grande e se foi, outro não vai conseguir minimiza-lo, cada um tem sua intensidade particular.
O jogo foi sujo, mas não sujou quem tem uma vida limpa transparente, quem é cúmplice da sordidez, tem sempre o saldo devedor com a verdade.
