Vamos ser Amigos sim
A dor não é um sinal de fraqueza, é a prova viva de que o nosso sentir é imenso demais para ser contido, e que o coração, apesar de tudo, ainda está vivo.
Não se deixe ser a vítima da sua história. Seja o herói que a reescreve, o poder de mudar o enredo está nas suas mãos.
A sua história é importante demais para ser contada com meias verdades. Seja inteiro, mesmo que a inteireza te custe a aceitação alheia.
O amor não é um teorema a ser decifrado, mas um abismo a ser saltado, a tentativa de aprisioná-lo na grade da razão é o ácido corrosivo que desfaz a sua
mágica em pó.
Recuse o frio e pálido destino de ser mera nota de rodapé na saga de outrem, rasgue a coadjuvância e tome o palco central, pois este é o seu próprio livro, e o protagonismo é um direito de nascença.
A vida não é um modelo a ser copiado, mas a tela em branco e selvagem da criação, recuse a imitação, pois o seu único imperativo é assinar a sua própria obra com a tinta indelével da sua existência.
A verdade é um fardo de chumbo ao ser revelada, mas a leveza aérea que advém de aceitar o peso é a liberdade que se conquista após a queda.
Deixe o choro ser a chuva ácida que lava os escombros do que se foi, a lágrima é a água benta que purifica o olhar para o recomeço.
A essência da vida reside na conjuntura incondicional do "ser", despida de qualquer apêndice utilitário ou adorno social. Todo o restante é apenas o detrito mnêmico, o efêmero detalhe que se dissolve, mas que jamais obteve a jurisdição de quem você é na sua verdade última.
A oração não deveria ser nosso plano de emergência desesperado, mas a maneira como vivemos no mundo. É o ato de respirar com um propósito que nos conecta ao ritmo de Deus, desfazendo a ilusão de que controlamos a vida. Ao nos ajoelharmos, não pedimos que Deus se curve, mas permitimos que nós, enfim, cheguemos perto Dele.
Ser forte não é resistir ao impacto, é continuar andando depois dele. É juntar os pedaços sem saber onde cada um encaixa. É aceitar que certas partes nunca mais voltarão a ser como antes. E mesmo assim, escolher existir.
Não nasci para ser inteiro, nasci para ser verdadeiro. E a verdade, por vezes, é feita de fragmentos difíceis de aceitar. Mas são eles que compõem quem realmente somos.
E isso basta para caminhar.
Viver é aprender a ser espaço para o outro. Nem sempre conhecido, às vezes inesperado. O gesto de acolher é ponte que salva do isolamento. Há uma ética simples em abrir uma cadeira. E essa gentileza transforma os cômodos do mundo.
O remorso que carrego é fósforo que às vezes acende. Ilumina o que precisa ser reparado. Não há vergonha em ver a própria falha à luz. A vergonha vem quando escondemos e furtamos o conserto. Por sorte, sempre há tempo de apagar e recomeçar.
Sou um pedido de socorro que se transmutou em literatura para não ser um fardo e, assim, garantir sua própria sobrevivência.
O vazio não se preenche, se integra. Com o tempo, ele deixa de ser um buraco e passa a ser a mochila que você aprendeu a carregar.
A folha de papel é o único tribunal onde sou inocente, onde posso desabar sem julgamentos e ser fraco sem ser corrigido.
Sou o adulto que tenta ser o abrigo para o menino que ainda chora em mim, esperando por uma justiça que o tempo não traz.
No fim, sobrará apenas o vento soprando entre as ruínas do que tentamos ser, levando as cinzas dos nossos poemas e as memórias dos nossos pecados. O mundo seguirá seu curso, o sol nascerá para outros miseráveis, e o meu nome será apenas um sussurro de quem soube ler o abismo.
