Vale mais que uma Vida
Infelizmente, o dinheiro não ajuda com o que mais desejo na vida: compreender este mundo. Ele compra livros, experiências, até algum tempo... mas não me dá respostas. E quanto mais vejo, mais confuso tudo parece. As coisas se repetem, os erros se acumulam, e as certezas se dissolvem diante do caos disfarçado de rotina.
Talvez o erro esteja justamente em esperar sentido de algo que nunca prometeu lógica. O mundo não se organiza para agradar nossa compreensão. Ele apenas é. A natureza segue, indiferente. A dor acontece, com ou sem motivo. O amor chega e vai, sem roteiro. O mundo não se curva à nossa busca por sentido.
Mas mesmo assim, eu não consigo apenas aceitar. Não sei viver na superfície. Sinto que preciso ir além, aprofundar, mergulhar mesmo sem saber se há fundo. Porque há um tipo de alma que não se satisfaz com o raso, que precisa tocar o enigma, mesmo que isso custe paz.
Talvez eu nunca compreenda. Mas ainda assim, eu preciso tentar.
Por todo este tempo, eu vivi... respirei, caminhei, cumpri os dias como quem atravessa paisagens sem se deter nelas. Estive presente, mas não inteiro. Fiz o que se esperava, sorri quando era preciso, calei o que gritava por dentro. E, ainda assim, algo sempre faltava.
Agora entendo: eu vivi, sim… mas nunca tive uma vida que fosse verdadeiramente minha. Nunca abracei meus próprios desejos sem medo. Nunca me permiti ser, apenas ser, sem me moldar ao olhar dos outros.
Talvez, só agora, ao reconhecer essa ausência, eu comece a construir o que é meu... um caminho onde viver não seja apenas existir, mas pertencer a mim mesmo. E nisso, finalmente, pode nascer uma vida.
Propósito não se acha... constrói-se. Não é um tesouro enterrado, é um caminho pavimentado com escolhas, erros, tentativas e recomeços. É moldado no silêncio das madrugadas, nas quedas que ensinam mais do que as vitórias. É quando você para de procurar sentido nas coisas e começa a dar sentido a elas. Propósito é ação com alma, não destino pronto.
Durante muito tempo, confesso, temi o mundo... mas não por suas dores naturais, nem por seus silêncios frios. Tive medo de viver em um mundo onde você não estivesse. A simples ideia da sua ausência era como um vento cortante atravessando o peito, como uma noite sem estrelas, como uma eternidade sem luz. Havia algo na sua presença que fazia o tempo parecer menos cruel, e a vida, ainda que imperfeita, tornava-se suportável, quase bela. Sem você, tudo perdia cor, propósito e rumo. E assim, mais do que temer a morte, temi a vida sem você... porque viver, se não for para dividir o olhar, o riso e o silêncio com quem se ama, é apenas existir à margem do que poderia ter sido eternidade.
Alguns dias- ou se não muitos- da minha vida eu jurei que não ia conseguir.
Jurei que a vida era mais difícil do que eu imaginava, me debulhei em lágrimas, senti um misto de raiva, ódio e tristeza, desabei por um tempo.
Mas como a fênix, e qualquer outro animal na face da Terra eu levantei, me reergui, aprendi a viver um dia de cada vez.
Comecei a descobrir que nada é para sempre, que as situações passam, os dias passam, a vida passa.
E passa como um sopro, e cada vez mais o ar impulsiona esse "sopro".
Quando achares que é o fim, lembre-se: para todo fim um recomeço.
"O que me dá muito sentido são as oportunidades que eu tenho de influenciar positivamente na vida das pessoas."
(Entrevista à Gazeta de Bebedouro [SP] - 10/2021)
Na jornada da vida, temos três tipos de companhia:
As efêmeras, pessoas que cruzam a estrada, provocando pausa na rota.
As transitórias, que escolhem rotas opostas, atrasando o nosso curso.
E, as efetivas, que estarão contigo no sol, na chuva, na neblina,
nas subidas, descidas, curvas, buracos e pedras no caminho.
Não temos o direito de nos privarmos da felicidade plena.
Nunca será tarde demais para nos redimirmos do mal que causamos a nossa história de vida...
O meu passado não é pra ser lamentado, mas sim lembrado como aprendizado para eu evoluir como ser humano.
Fragmento VIII - Violência simbólica II
É em tal precipício de pulsões que o fortuito cumpre o hábito.
A brisa torturante varre o antídoto da inópia, assim,
não pode experimentá-lo nem morte, muito menos vida.
Não há armas nessa peleja; nem tampouco ato que livre.
Parcas águas não podem saciar o homem sem domínio de si,
obstinado a beber daquilo que lhe é comum.
A meia lua
Um lugar tão longe.
Ao ser, um vazio.
Uma lua ao distante.
Um distante tão sombrio.
Foi da lua tal o brilho
Que do ser, um lugar
Um vazio tão distante
Foi-se longe ao luar.
Seguimos acreditando..
Acreditamos que vamos acordar e tomar nosso café da manhã..
Acreditamos que vamos enxergar o pôr do sol (minha série favorita de final de tarde), porque depois dele existe o prenúncio de um novo dia,
nossa vida vai girando..
Mesmo que não existam certezas e as incertezas pairem sobre nossos pensamentos, a vida segue e segue..
Optando por cuidar da própria vida...
Porque à vida é um corrimão
Nem dá tempo perceber
Que não se tem os pés no chão.
Se a vida fosse uma peça teatral, eu diria que já passou da hora do protagonista da minha sair de cena.
Viver não dói. Viver é prazeroso e reconfortante. O que provoca dor é quando, por qualquer motivo, paramos de viver e passamos a apenas existir.
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