Vaga
Pai.
Sem você não sou nada,sou simplesmente uma sombra escura,que vaga dia e noite a sua procura,a fim que me torne,um novo, ser humano.
A alma de um coração partido
Vaga todas as madrugadas
Em meio ao choro
Em meio ao desespero da mágoa
As feridas são abertas
As dói como a primeira vez..
Visão!
Como pode o ser humano
ter por dentro a alma vaga
gesto seco, bruto, insano
desse mal que se propaga
com Jesus não tem engano
todo ato desumano
aqui se faz, aqui se paga.
Tudo um dia passa.
O tempo vai amenizando as coisas,
o que hoje foi dor, amanhã será apenas uma vaga lembrança de dias tristes.
Por mais que eu me esforce a vida será apenas uma vaga lembrança de tudo aquilo que na verdade gostaria de viver.
🎇⿻̸̣˖໋݊·ᜒᜓ⸙𝅄݊꒺࣪࣪ꫬ.⁕✾ᰰ۪{nosso mundo} Poema XLVII
Nosso planeta vaga por esse universo abundantemente solitário
Tão silencioso mas cheio de outras formas de vidas
Tantos planetas
Tantas galáxias distantes
Tantas estrelas brilhantes
Portanto nós,minúsculos seres
Somos nada vagando ao eterno esquecimento
Mas para um ao outro
Somos tudo
Um só até o fim.
A ideia de estarmos vivendo a verdadeira realidade nos excita. Em contrapartida, a mais vaga ideia de que somente julgamos que a mais vaga ideia seja de fato uma ideia vaga tem o poder de lançar-nos às portas do desespero, diante da obrigação de vivermos todos os dias humildemente.
O amor só consegue ser percebido quando a presença daquela pessoa ainda vaga em seus pensamentos, mesmo que tenha se passado muito tempo desde que lhe vira.
Amor dos tempos que já se foram:
Eu tenho uma vaga lembrança do que é o amor, enterrada com o resto dos dias mortos do calendário.
O riso bobo e as borboletas no estômago caminham juntos no túnel do tempo, soterrados e sufocados pela lembrança.
A magia que já existiu, ainda vive na parte mais esperançosa da alma, aquela que se recusa a aceitar o fato de que acabou e que fica revivendo as ilusões incansavelmente. Lá, tudo é bonito e falso, como bijuteria.
E, apesar de doentias e irreais, essas ilusões me confortam. Me fazem pensar no que poderia ter acontecido se eu tivesse feito algo diferente.
O VAGA_LUME SEM NOME
Poema de Félix di Láscio
O Vaga_lume
Sem nome
Clareia toda cidade .
O Vaga mundo
Tem nome,
E tem muita vaidade.
__Que tal chamá _livro claridade?
"Cor(ação)"
A lembrança será vaga,
A saudade vai passar em outra rua.
Pra que me serve essa coisa?
Que só me ocupa quando eu vejo
A lua.
AUSÊNCIA
Às vezes sinto que me falto,
Na Curitiba que os fracos não perdoa,
Onde o corpo vaga pelas ruas,
Mas a alma, essa, destoa.
O vento gelado corta a pele,
E a neblina envolve a cidade,
Mas é dentro de mim que sinto
A mais profunda saudade.
As praças e os parques perfeitos,
Mas não aquecem meu coração,
Que busca em cada esquina
Um sinal de reconciliação.
Sou um andarilho solitário,
Pelas ruas de pedra e frio,
Procurando no horizonte cinzento
O pedaço de mim que partiu.
E assim sigo, meio ausente,
Nessa Curitiba de inverno sem fim,
Esperando que um dia, quem sabe,
Eu me encontre dentro de mim.
No silêncio da noite estrelada,
Onde a lua sussurra segredos,
Minha alma vaga, enluarada,
Procurando entre sonhos e medos.
Cada estrela um desejo perdido,
Cada brisa um abraço no ar,
E no vento, um verso contido,
Que insiste em me embalar.
Há um jardim em meu peito,
Onde flores de esperança nascem,
E por mais que o tempo seja estreito,
São as memórias que me abraçam.
Nos caminhos que a vida desenha,
Entre curvas e retas incertas,
Sigo a trilha que me encaminha
Para as verdades encobertas.
E mesmo que o dia amanheça,
Com nuvens a esconder o azul,
Carrego a certeza que aquece,
Que o amor sempre encontra o sul.
Assim, sigo cantando em versos,
Com a fé de quem sabe esperar,
Que entre os mistérios dispersos,
Há um destino que me quer encontrar.
Quem não sabe o que quer,
Vaga em estradas sem fim,
Perdido entre o que é e o que era,
Sem norte, começo ou fim.
Segura nas mãos vazias
Sonhos que não conheceu,
E deixa escapar pelos dias
O pouco que já recebeu.
Os passos incertos que dá
O levam a lugar nenhum,
E aquilo que tem se esvai
Como areia entre os dedos, comum.
Os olhos buscam horizontes
Mas o coração não escolhe,
Entre montes e fontes
A indecisão o engole.
O tempo não espera a certeza,
Passa veloz como o vento,
E leva com sua destreza
O que ficou no intento.
Saber o que o coração clama
É acender interna luz,
Pois quem sua vontade proclama
Conquista o que lhe conduz.
Portanto, encontre o querer
Dentro da alma, tão bem,
Pois quem não sabe escolher
Perde o que supostamente tem.
No silêncio da madrugada fria,
Onde os sonhos flutuam ao léu,
Minha alma vaga, leve e vazia,
Buscando um brilho no céu.
As estrelas, como faróis distantes,
Sussurram segredos do além,
E eu, em passos hesitantes,
Procuro o que o coração não tem.
Há um rio que corre em mim,
Feito de lembranças e saudade,
E em suas águas, sem fim,
Nadam peixes de felicidade.
Mas as margens são incertas,
Cercadas por névoas de incerteza,
E o que outrora eram promessas
Hoje são ecos de tristeza.
Ainda assim, sigo a corrente,
Esperando que a maré mude,
Pois o amor é persistente,
E a esperança, quem a ilude?
No horizonte, um novo dia,
Traz a promessa de um amanhã,
E no peito, a melodia
De um coração que se quer sã.
Assim, na dança dos versos,
Encontro a força para seguir,
Pois nos caminhos do universo,
A poesia me faz sentir.
Remanescente
Eu sou uma sombra no silêncio tenebroso,
que vaga sem sentido num colapso arruinado;
Eu sou um sussurro que ecoa nos destroços,
que se dissipa sob gritos afogados;
Eu sou um entre muitos loucos,
vivendo num mundo de sanidade obscura;
Eu sou um remanescente, vivendo entre os poucos, esperando todo dia, a chegada do repouso!
(14/02/24)
Sem cortinas…🎭
Escolha estacionar em uma posição que a vaga não te pertença e se encaixe na direção do motorista, gire o mundo e o volante permanecerá conectado.
A escolha da música tocada em qualquer veículo não afetará nenhuma localização.
Cada peça da bagagem é responsável pelo armazenamento da sua própria memória.
O alimento do compartimento abaixo estará disponível para o espectador que vê, a plateia que aplaude e o público que compra, semelhante ao que o condutor financia.
Quando o homem não sabe, amar uma mulher, do jeito que tem que ser, ele abre vaga no coração dela para a concorrência. Fica a dica!!
MÉTODO POÉTICO
.
.
Meu método?
O mesmo das Estrelas.
Primeiro, surge uma ideia –
vaga, ou mesmo fantasmagórica.
Ou então uma combinação inesperada
de palavras, por vezes embaraçosa...
Talvez – quem sabe – uma imagem
cujas estranhezas e travessuras
afrontem todos os cânones.
Uma eloquente frase
que cale ao peito
solitária:
sincera
lágrima.
.
Em uma palavra: Poeira
– nuvens de poeira desgarradas
vindas dos confins da mente
e das bordas do acaso.
.
Mas então, depois de muito vagar pelos meus arquivos,
ou de pairar errantemente sobre os meus sonhos,
algumas delas começam a se combinar
– como se, irmãs, viessem
de famílias distintas –
E eis que surge,
alegre,
a Gravidade,
pronta a juntar em um só giro
o que se queria disperso e sem mais rumos:
Ansiosa para, com violenta ternura,
moldar a forma.
.
Por fim, emerge,
do caos girante, uma estrela
– supremo milagre no delirante acaso
de um universo improvável
em sintonia fina.
.
Faz-se o Poema
– estranho acontecimento
cuja tenra fornalha interna
queima a pretensão
de alimentar
as almas...
.
A ti parece, este, um método por demais aleatório?
É porque não sabes de toda a paciência que foi necessária
para não limpar intempestivamente a poeira errante
que por tanto tempo pairava nos escuros céus
dos meus arquivos, sonhos, lembranças.
Quantas vezes fui tentado a deletar
um quase-embrião de verso,
ou quis me desfazer
da tal metáfora
tão desajeitada!
Mas ouvi a voz:
Guarda este pó
que de ti vieste.
.
Sem esta paciência,
não seria possível a criança:
ver, do poema, a forma brotar esperança
como flor que redefine as suas próprias pétalas
e decide, magnífica e hesitante,
se pétalas terá...
.
Ver, da alma poética,
redesenhar-se certo corpo
quando é corpo o que se quer...
E, quando não é isto o que se almeja,
aceitar-se como alma pura-chama,
ou reconhecer-se, mesmo,
tão somente como pó.
a dignidade do pó:
despretensioso,
periférico,
errante.
.
Este é o método:
render-se ao que se tornou possível
no oceano do improvável
com a bem ajustada
sintonia fina.
Respirar
a poesia
como destino
que se fez do acaso...
.
.
[BARROS, José D'Assunção. Revista Sede de Ler, 2024]
