Vácuo
Élcio José Martins
O VÁCUO DA VIDA
O que sou, são sei,
Não sei se acertei ou se errei.
Só sei que semeei,
Sementes e amores pelos caminhos que caminhei.
Construí trilhos e atalhos,
Costurei vestes de retalhos.
Já fui Rei e espantalho,
Já comi carne assada no borralho.
De onde vim não sei,
Pra onde vou ainda não pensei.
Corri, corri, um dia parei,
Pensei. Esse mundo não é justo como um dia imaginei.
Tem guerra e intolerância,
O veículo é ambulância.
Os donos do mundo não se entendem,
Só fazem o que pretendem
Hoje os lares são hospitais,
Triste sina dos mortais.
À mercê desses marginais,
A paz e o amor ficaram pra trás.
É um vazio de solidão,
No vasto mundo, imensidão.
As casas se transformaram em prisão,
No vácuo do medo, a espera pelo ladrão.
Nesse mundo inconsciente,
O jovem livre e impaciente,
Busca a calma do oriente,
Pra matar o leão e assar com brasa quente.
Qual futuro o espera,
Nesse tempo que acelera,
Víscera que dilacera,
Corpo drogado, na sede sem espera.
Do nascer ao morrer Deus nos deu a ponte da vida,
Cada um tem seu tempo, sem leme, sem bússola e sem rota definida.
Uns trafegam por cima, outros por baixo, seguem o destino,
Nascer, viver e morrer. Morte e vida, o desatino.
Nossa riqueza não é nossa riqueza,
O que fica é o nome e a nobreza.
Só tem jantar, não espere sobremesa,
O céu não precisa de riqueza pra manter sua beleza.
Élcio José Martins
O QUE
O que fiz ao silêncio para silenciar assim
me deixar silenciado no vácuo da solidão
tocar sem que eu possa ouvir o teu clarim
ruidar, abafando a presença no coração...
O que fiz eu a solidão pra tê-la no silêncio
quando lá fora até o vento se calou, enfim,
onde está a vida, que aqui respira pênsil
e emudece o cerrado num tom carmim...
O que é este silêncio, que se cala tênsil?
É "o que", em uma indagação sem fim...
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, julho
Cerrado goiano
Espaçamentos que se formam como um vácuo, lacunas de esperanças na escuridão, digerir minhas angustias é um tratamento de dor em solidão. Falta um pingo de força, uma alma bondosa, um sopro de animo, algo que preencha meu coração.
Me sinto num vácuo eterno de suas palavras inundada na imensidão de sua ausência, incumbida de excelência plena mal correspondida, vazando me por entre os dedos, atormentando me por entre as vigas, basta um som e o silêncio se finda, meu coração renasce e estremece meu âmago de amores reprimidos na falta vossa.
“Amar você é como um grito desesperado no vácuo, não importa quantas vezes eu grite, você não vai gritar de volta.”
O vácuo é doloroso para qualquer um. Triste e desalmado, uma dor incomum. Mas se for vindo da vacuosa é um ar de amor. Não tenha medo e não se desespere com o terror. Pois assim que possível ela vai te contactar e o seu coração alegre ficará.
FAZER
Pendências nada são
Se pautam num anseio
Se encerram em um vácuo
Pendências nada são
Indagações inoportunas
Procrastinações de interrogar
Liberdade demasiada
Pendências nada são
Queremismo falho
Aceitação reflexiva
Repulsa mais que notória
Fluxo que movimenta à vontade
Pendências nada são
Contrações hemáticas e orgânicas
Devaneios que não se encerram
Silêncio na ação
Aristóteles, Galileu e Newton na omissão
Pendência realmente algo é
Talvez um superávit que possuo
Às noites entrego tudo aquilo que não me pertence...
Adverso a si, entrelaço-me ao vácuo entre os suspiros...
Tento, enfim, destruir o que me destrói...
Quando, como, onde? Terás fim com meu último suspiro?
Ou carregar-me-ei pelos escuros labirintos de incertezas?
Ocultarei, assim, minha própria existência?
Enfatizarei, assim, somente a dor?
Das chuvas irei carregar-me...
Tempestades e dilúvios a me rodear...
Sempre desejando afogar-me
Naquilo que parte de mim nunca fará...
De vácuo em vácuo
A gente perde o contato,
De desleixo em desleixo
A gente perde o desfecho,
Sem puxar assunto
Permaneço mudo!
E assim nossas conversas
Vão ficando sem rumo...
Até entendo.
Fomos incêndio,hoje reina a fuligem.
Onde o ar passa, o fogo restringe.
O vácuo consome o que consumia.
Até que o frio se torna melancolia.
Até entendo o passado, mas já não temo o futuro.
Sei que era fadado, fomos um tiro no escuro.
Resquícios inertes de bala, ficam alojados nos furos.
Paredes fracas se abalam.
Nos orgulhamos em ser muros.
Crianças brincam de frio, tornamo-nos iceberg's.
Sei iludir, ser vazio, Sei destruir quem me deve.
Ríspido e pacato.
Afetivo e insosso.
Como se sente em saber, que temos o mesmo gosto?
Fogo hoje é brasa, inerte o efeito da lava, áries sempre destrói
O que touro amava.
Renascer tipo a fênix.
Adubo do próprio pó.
Ser tudo que tenho que ser,
Simplesmente por que devo ser melhor.
Vácuo
Não sei se é paixão
Ou uma simples atração
Única coisa que eu sei,
é que seu vácuo parte meu coração
"No Brasil não, mas no Rio de Janeiro passou da hora. O Vácuo político administrativo, pede intervenção das Forças Armadas."
CCF em 01/02/2018
" De um segundo a dois
Em meio perdi o tempo
Logo sem tempo só vácuo
E mais não penso, não existo
Sem agora, antes ou depois
Um espaço vazio, sem vento
Uma frequência, vagando no espaço
Cor já não tenho, roupa já não visto
Errante frequência sem sintonia
Uma ideia alastra-se e ecoa
Não se escuta, se sente a harmônia
Não ha ideal, não ha equação
Mas a imperfeição da ideia
É onde buscamos a solução"
Prefiro me apaixonar pelo vácuo, pelo vazio, pelo que não existe. Me apaixonar pelas minha lembranças, por mim, por quem me faz bem, quem me quer bem. Quero me apaixonar pelas sardas que estão na minha face, quero amar mais meu corpo, amar o que eu faço, minhas atitudes, minha personalidade. Tô precisando de amor próprio, de amar a mim mesma pelo que sou, preciso me aceitar mais. Porque se eu não fizer isso, quem o fará?
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