Use o Silencio quando Ouvir

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Quando houver na gente
Aquela vontade exigente
de querer saber de verdade
Como se deve agir
Pensemos, então
Será que temos a alma leve
Existe paz no meu coração?
Nesta breve existência
Não é tudo que se corrige
Não precisa haver
Sempre rima em todo poema
porém
Se não existe harmonia
nas coisas do dia a dia
A orquestra da vida destoa
Ninguém poderá pra sempre
viver somente
Aquilo que queria
E ao final não descobrir
Que por viver desigual
Viveu uma vida a toa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A chuva cai de vez em quando
Noutros dias
Verdadeiras tempestades
Desabam na vida da gente
Advindo aqueles tristes
Momentos tempestuosos
E eu sinto uma grande saudade
Dos primeiros olhares de mãe
e beijos de irmãs
Naquelas manhãs
Que se perderam no passado
Lembranças felizes se unindo
a essas crises doloridas
Invadindo as nossas vidas
Sem a gente ter permitido
e nem dado licença
Essas coisas acontecem
Também em dias ensolarados
É quando surgem as dúvidas
Enquanto, outras elucidam-se
Em verdades pra lá de sofridas
Uma janela se abre no escuro
A alma propensa a desistir
Pela falta, pela imensa falta
Dos momentos
Em que a gente costumava
Simplesmente sorrir
e mais do que isso : a gente ria
Sem saber de quê
Pois, se permitia a dar risada;
E então a minha fé
Faz ver surgir a Luz Intensa
E eu sinto a Divina presença
do Deus, que eu sempre tive ao meu lado
Pedras surgem no caminho
Anjos de asas negras
Criam laços
Ensaiam abraços
e abrem sorrisos falsificados
Eu olho pro espaço e me lembro
do Deus que eu tenho sempre ao meu lado
Tem noites em que sombras vem
Amigos verdadeiros
Distantes no tempo e no espaço
Eu olho ao meu redor
Não há nada
e nem ninguém
Além da dor insistente que acompanha
Mas minh'alma também não desiste
Pois eu já não me sinto tão triste
Sei que não fui abandonado
Fecho os olhos
E me lembro da luz
Do Deus, que me pôs neste mundo
E que esteve sempre
Sempre esteve do meu lado

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A vida é algo
Mais os menos assim
Quando amanhece
Você abre a janela
e tem ali um jardim
Mas de nada vale ele estar lá
Se você não o vir
E nem perceber o perfume sutil
Como às vezes pode ser sutil
O Próprio Sol
Que parece encoberto
Mas aquela nuvem, na verdade
a você encobriu
As flores do jardim percebem a Sua Luz
Sem possuir olhos de ver
A vida só pode ser vivida
Se você a viver
e pra vivê-la
Não é preciso ter dinheiro
Nem jardim, nem nada disso
A alegria e a gratidão por viver
é que dão à vida aquele viço
E te fazem sentir vontade
de ter com aquele teu pedaço de chão
Um compromisso que você vai cumprir
Quando a gente conseguir
Compreender que a vida é isso
Poderemos então
Bem vivê-la, enfim
Começaremos por viver aquele dia
E quem sabe
Até cultivar um jardim
Onde, antes
Nada havia.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Acordo de madrugada
Muito cedo despertei
Quando aprendi nas lições da vida
Que quanto mais palavras conhecesse
Menos eu compreenderia
A noite lentamente
Desvenda seu véu
Pra revelar que o Céu
Anda encoberto
Muito cedo compreendi
Que as respostas certas
Estão abaixo das nuvens também
desde que a minha mente
não obstrua a verdade
Escondida
Não pedras do Céu e do chão
Nas quedas que eu não caí
Nos restos de comida
Que o mendigo deixou pela calçada
Nas palavras ditas
Por quem definitivamente
Não tem noção do que diz
Mas segue a dizer
Constante e eternamente
Compreendi
Que não devo exigir
de mim mesmo a aprender
Com quem não aprende
Ouvem, mas não escutam
Falam demais
Fazendo cara de inteligentes
Escondendo a incompreensão
Por trás de um sorriso mudo
A vida me ensinou
Que todo mundo sabe tudo
E dizem que própria sombra
As abandona no escuro
Quando na verdade
A escuridão as persegue
Na mais intensa claridade
O dia prossegue
Vento e Sol de inverno
Eu penso no fogo eterno
Queimando pra eles
Que se deram
Quando pensavam se vender
Mentem
E chegam a crer
nas próprias inverdades
Concluo, então
que do muito que eles sabem
Cada um na própria
Arrogância e prepotência
Me descabe querer
Ser e saber igual a eles
Fico feliz
Em não ser nada
Tampouco melhor que ninguém
Ainda bem!

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

De vez em quando eu me vejo perdido
Acordo esquecido e descubro
Que despertei justamente no momento
Que os sonhos talvez revelassem
O dobro de passos acertados
Eu ouço o ponto de vista das paredes
Espero a voz da chuva
A cada dia uma coisa nova
A cada tarde a mesma coisa
De vez em quando eu me lembro
de um outubro esquecido
E percebo quanto tempo foi perdido
E sei que não sei
Tanta coisa que sabe Deus
Um dia eu pensei ter sabido

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Quando acordar de manhã
descontente com o dia de hoje
Pense que hoje já é amanhã
Noutras vezes, talvez você queira
Que seja depois de amanhã
E vá vivendo assim...até o fim
Pois o hoje é somente
O tempo onde a gente se sente
Permita-se
Sinta o seu rosto no vento
E em todos os gestos
Um resto do gosto
Em mentir o teu rosto vermelho
diante do espelho
Uma imagem na qual acredita
Imagine a viagem
Igual que fizeste no tempo
Um caminho florido
Um livro que se perdeu
Enquanto ainda na metade
Seja livre de verdade
E pule essa etapa
Um resto de rosto na capa
Pode ser que seja o seu
Mas nunca, jamais permita
Que te convençam
de que hoje é só hoje
e ´só isso
Como tão bem
Lhes convém.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente olha pra vida
Com olhos de amor
Enxerga uma coisa lírica
Onírica, mágica e linda
Poética, mecânica, estética perfeita
Refeita a visão do eremita
Existe o tempo triste
Entra em pânico
Quando a beleza se dissipa
Perante o egoísmo do mundo.
E se a gente procura buscar
Só a ótica da esperança
Firmando aliança com a fé
Finca os pés num lugar melhor
E acredita em tudo e em todos
Vivendo a ilusão
Fadada ao engodo
Pois logo isso passa
Dissipa igualzinho à fumaça.
Se olha o mundo
Com ódio e desconfiança
Buscando alcançar somente
O que venha somar
Sempre um pouco mais
Fica doente por dentro
Sem paz,
Infeliz e incoerente
Sozinho ou talvez
Em companhia de outros
Que sejam iguais a gente.
E se todos conseguíssemos
Buscar ter a mesma visão
da criança que um dia fomos
E, quem sabe,sejamos ainda
Talvez enxerguemos
O Mundo e tudo mundo
Sob o prisma da realidade
Pois a vida jamais foi linda
Impossível fugir à dor
Pois, quando em criança, também doía
Mas a gente não perdia a esperança
No dia que raiava
Acreditava no amor
Sem ódio, rancor, desconfiança em demasia
Prudentes como serpentes
Simples corações de pombos
Sempre se reerguendo
E rindo dos próprios tombos
A vida não é só amor
Ou glória, vitória ou cinismo
Olhemos pra ela do jeito que é
Tendo fé nos seus defeitos
E talvez a gente consiga
Fugir um pouco mais das brigas
Aceitar as coisas
Do jeito que elas são
Tristes, felizes e confusas
Perfeitas na imperfeição
Tudo depende somente
da lente que a gente usa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente olha pra vida
Com olhos de amor
Enxerga uma coisa lírica
Onírica, mágica e linda
Poética, mecânica, estética perfeita
Refeita a visão do eremita
Existe o tempo triste
Entra em pânico
Quando a beleza se dissipa
Perante o egoísmo do mundo.
E se a gente procura buscar
Só a ótica da esperança
Firmando aliança com a fé
Finca os pés num lugar melhor
E acredita em tudo e em todos
Vivendo a ilusão
Fadada ao engodo
Pois logo isso passa
Dissipa igualzinho à fumaça.
Se olha o mundo
Com ódio e desconfiança
Buscando alcançar somente
O que venha somar
Sempre um pouco mais
Fica doente por dentro
Sem paz,
Infeliz e incoerente
Sozinho ou talvez
Em companhia de outros
Que sejam iguais a gente.
E se todos conseguíssemos
Buscar ter a mesma visão
da criança que um dia fomos
E, quem sabe,sejamos ainda
Talvez enxerguemos
O Mundo e tudo mundo
Sob o prisma da realidade
Pois a vida jamais foi linda
Impossível fugir à dor
Pois, quando em criança, também doía
Mas a gente não perdia a esperança
No dia que raiava
Acreditava no amor
Sem ódio, rancor, desconfiança em demasia
Prudentes como serpentes
Simples corações de pombos
Sempre se reerguendo
E rindo dos próprios tombos
A vida não é só amor
Ou glória, vitória ou cinismo
Olhemos pra ela do jeito que é
Tendo fé nos seus defeitos
E talvez a gente consiga
Fugir um pouco mais das brigas
Aceitar as coisas
Do jeito que elas são
Tristes, felizes e confusas
Perfeitas na imperfeição
Tudo depende somente
da lente que a gente usa.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A Imperfeição de Deus.

Está tudo no lugar errado
Desde quando o Mundo é Mundo
A começar
Pelo cálculo dos horas
E a miraculosa causa de nossas vidas
A pausa para o descanso
No voo dos gansos selvagens
Isso sem falar
Na mansidão da noite
Ou na brancura da nuvem que passa lá no Céu
Fazendo sombra sobre mim agora
Eu acho muito chato tudo ser assim
É simplesmente um erro
O formato rotundo do Planeta Terra
A lágrima daquele que erra
O engano daquele que chora
Todo mundo sabia fazer melhor
Portanto
Está tudo exatamente no lugar errado
Este é o único fato concreto
A noite dá lugar ao dia
O dia que se torna noite
Tudo isso, sem tocar no fato
de que Mares e Oceanos
Árvores, Estrelas, A Morte, A Doença
Nada disso deveria estar nos planos
Gente que pensa e que não pensa
O advento da Humanidade
As Máximas da nossa vã filosofia
Deus nem ao menos perguntou
Se alguém queria
A próxima mudança de Estação
As batidas do coração
A dor que dói agora
Quando a chuva cai
Ou quando ela não vem
A tempestade que destrói
A verdade que um dia aparece
E que destrói também
A fumaça que sobe
A gravidade, que a tudo faz descer
O lamaçal escorre
A grama cresce
O inesperado a causar espanto
O suave canto da Coruja
A viscosidade na língua do sapo
Quando impede que o inseto fuja
A Luz do Sol
Projetando a Sombra da Terra
Quando a Lua míngua
Água limpa, consciência suja
Um mundo todo errado
Ninguém que eu conheço erra
E tem sido assim desde o começo
O gato que mia
O latido do cão
Tá tudo errado
Abençoada imperfeição!
Ainda bem
Pois, Quem criou tudo isso
Não deixou que nada
Ou quase nada eu tenha feito
Neste Mundo abarrotado de defeitos
Pois, de certo
Assim me resta
E não presta do mesmo jeito
Somente a modesta e desprendida inspiração
Em saber reconhecer em mim
Que a tudo que fiz em vida
Nunca fiz nada direito.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

A vida é uma coisa doida
Difícil de viver, se bem cuidada
E flui mais naturalmente
Quando gente não liga pra nada
Portanto
Os olhos fechados
Nos momentos de profundo pranto
Proporcionam uma visão mais aguçada
Pérfida e sórdida.
Somando-se a isto
A total ausência de ilusão
Muita gente ficaria estarrecida
Ao perceber
Que ela se torna um tanto assim
Menos estúpida
Guardadas as devidas proporções.
Proporciona uma cândida lucidez.
Explêndida!
Repleta da hipocrisia enrustida.
A gente dá voltas ao mundo
Enquanto parado
Ficando estacionado, andando em círculos
Percebe a Humanidade
Praticamente um corpo só
Imbuído de uma mente louca
Investido da rara qualidade
de saber amar
Possuindo pra isto
Um possessivo, enorme e falso
Amor de verdade
Conforme lhes convém
Me perdi
Foi aí que eu encontrei a solução
Se olhar direito, dentro de cada coração
Hoje eu sei:
Não há de se salvar ninguém!

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Eu me lembro
Que quando em criança
Eu morei pertinho
de um pé de pitanga
Eu olho que passou-se
A vida inteira
Mas o cheiro das folhas fica
Se Deus nos fizesse alados
Quem sabe a gente não sofresse tanto
E se Deus nos quisesse atrelados à terra
Teria nos dado raízes
Assim, de certa forma, estariamos bem mais felizes
Mas quis Deus nos dar pensamento
Qualidade irracional
que nos dota de um medo
Medo da mentira e da verdade
E então Deus nos viu
Inventar a pedrada
Criar o machado e fazer a gaiola
Pra depois usar em nós mesmos
Se olhar direito
O resumo da vida é isso
e mais nada
Hoje eu vejo
Passarinho e a pitangueira
Bem mais contentes que nós,
De alguma maneira compreendem
Que a vida é algo mais além
Mas aquilo que eles sabem
Ninguém nunca vai saber
A coisa engraçada da simplicidade
É exatamente perceber
O quanto ela pode ser complicada
Me resta a esperança
de um dia acordar
Novamente criança
E voar como um passarinho
Pro ninho da pitangueira
Sem medo de pedrada
Que não há de importar em nada
E ser feliz por toda uma vida

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando a gente nasce
Um anjo faz uma prece
Em algum lugar deste Universo
Alguma coisa muda
Mas nem tudo que acontece
Na vida da gente
É do jeito que se espera
No dia que a gente nasce
Inicia-se uma contagem
Alguma imagem boa e muda
Na esfera do mundo
Existe e não é à toa
Apesar de fazer o inverso de tudo
Cada segundo vai sendo contado
Tem dias que a gente vive
E tem a incrível sensação
De ter sido esquecido
E deixado de lado pela vida
Mas um dia, finalmente a gente morre
E ocorre de nesse dia
O mesmo anjo fazer outra prece
Não sei dizer
Como e porque acontece
Mas sei que acontece assim
Portanto
Enquanto isso, eu vou vivendo
Pois a prece
Que algum anjo atrapalhado fez por mim
Deu certo
E quis Deus que fosse assim
Exatamente desse jeito
O mesmo vento que me trouxe
Deixou-me com um beijo doce
E me disse
Que eu devia encarar sorrindo
O lindo amargor dessa vida
Pois iria passar bem depressa
O vice-versa
O início ao avesso
O doce que sempre caiu no chão
As verdades de mentira
Deus, por favor, me socorre
Não me esquece!
Manda o anjo fazer logo a prece
do dia que a gente morre.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Agora
Estou tão distante
De onde eu queria estar
Eu sinto sede
E o meu coração chora
Quando eu tenho você ao meu lado
Qualquer lugar é bom
Eu vejo anjos na noite
Eu colho estrelas no Céu
Escolho até as mais bonitas
Deus sabe o quanto eu queria
Transformar a todas elas
Nas poesias que escrevo
Em todas as poesias
Que eu fiz
Eu queria tanto ter sido feliz
Agora
Eu estou só e distante
E meu coração sente saudade
Pois você era estrela em meu céu
E foi um anjo na minha vida
Perdida
De tanto querer
Eu não soube escrever
A Poesia correta
Que exprimisse da maneira mais concreta
A tudo que eu quis dizer
E disse
Eu queria tanto
Que você soubesse agora
Talvez até que pudesse me ver
E saber
O quanto meu coração chora
E se ele chora
É por você.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu tento uma coisa nova
Invento chamar a chuva
Reclamo quando não chove
E quando chove, também
Eu faço do mesmo jeito
Não me lembro de como ele era
Saio à chuva, depois que ela pára
Reclamo enquanto não chove
Eu tento chamar a chuva
E chove
Eu tenho um jeito novo
Pra fazer as velhas mesmas coisas
Meu melhor modo
É deixar tudo de lado
Da mesma maneira
Um velho pássaro vem
Pousa em meu telhado e morre
Já passou-se a vida inteira.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Quando o teu relógio
Finalmente despertar
Pode ser recordação
Ou a frase que porventura
Lhe vier à cabeça
Em mais uma oração
Um ponteiro tardio
Mostrando que a hora passou
Um palco vazio
A cortina, há muito fechada
A roda gigante da vida girou
Teus relógios brilhantes
Mostram sempre as mesmas horas
Mas os tempos são outros
Este mundo está tão diferente
Luzes apagadas
Não há nada, não há mais ninguém
Um dia o relógio desperta
É momento de despedida
Nesta vida
Pra tudo existe a hora certa.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Dizem
Que muita coisa na vida
Não vale a pena
Quando eu ouço isto
Penso nas coisas que conheço
No preço que custou-me a vida
Eu olho pra mim e pras roupas que visto
Penso em cada manhã
Que acordei muito cedo
No jeito que fui tratado
E em cada trabalho bem feito
E até hoje
Ainda não me pagaram direito
E nem sequer agradeceram
Pois conheço a fundo
A solidão e ingratidão
Com que este mundo nos paga
Penso no quanto
Eu aprendi com tudo que passei
Enxergando que cada ser vivente
Possui uma lista de coisas
Pelas quais somente ele há de passar
Pra aprender o valor
Desta vida e do seu viver
Mas somente uma pouca parcela
Descobre que essa história louca
Compensa
E no fim
Dizer o quanto ela foi bela
Pois, por mais que se escreva essa história
No final descobre
Que fizemos apenas parte
Uma pequena parte dela
Mas que viver
Valeu a pena.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

⁠No mundo das ilusões
De vez em quando
Opiniões que divergem
Encontram o centro de gravidade
Como se deuses fôssemos
Capazes de estabelecer a perfeição
No campo das escolhas
No mundo das folhas ao vento
Há momentos que nos encontramos
Nos reconhecemos, flutuamos lado a lado
E depois seguimos cada qual seu rumo
Porque não há prumo e pouca coisa permanece
Parecia parecido, igual não era
Éramos sociáveis porque nos convinha
Mas não tinha de ser
No mundo dos espelhos
Fomos nossas próprias matrizes
Apaixonadas por si mesmas
No momento de mirar-se atentamente
Eram tantas cicatrizes que tentamos esquecer
Nada as podia unir
No mundo das medidas
Era hora de partir, de ir embora
Porque a conta de maior importância
Era a que contava o tempo
Superando imensamente a distância
Nos piores momentos de indiferença
Fomos nós apenas gentes
Cujas visões que, por demais diferentes
Refletidas, no espelho da vida
Enganadas, nos remetiam
A um mundo de ilusões
Como folhas ao vento
Perdidas, em desmedida distância.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Vida Flor.

A vida é o dia de uma flor
Quando a chuva aproveita
Bota as pétalas de lado, assim
Se espelhando numa poça rasa
Detalhando os seus tim-tins
Orgulhosa da própria beleza
Ajeita luz do sol
Renovando a folia
Acredita, enquanto há tempo
Tempo é tudo quanto mais havia
Quando o tempo de já não mais crer vier
Ele vem, crer ela não quer...aceita
Bota espinhos, tenta defendê-la
Tristes mãos que, porventura, recolhê-la
Assim, como um sol que renasce
E que jamais se opõe
Ao orvalho das trevas
Escolhe uma melhor lembrança e a leva
Molha-te por molhar-se
Escolhe um ramalhete pra passar teus dias
Que, por ora, ornamenta e tenta e tenta
Tanto tenta que, quando desiste
Já não sente assim, tanta tristeza
Tenta, mas aprende a desistir também
Nem jamais te arrependa de nada
Desaprenda o sorrir
Mesmo assim, depois, aprende
Rir-se de si mesma.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Infinito.

"A diferença
É que quando amanhece
Cá da Terra vemos
O lugar onde nascem os dias
Mas as estrelas, quando acordam
Podem olhar para o infinito
Um lugar
Infinitamente mais bonito"

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu não compreendo o que se passa
Quando percebo
que pequenas coisas que me emocionam
Para a imensa maioria
Não tem e nunca terão
A mínima importância
A chuva durante uma tarde de verão
A nova versão de uma canção antiga
Uma pequena vitória
de qualquer pessoa amiga
O mendigo que sorri para você
Agradecendo a graça dividida
A tristeza inexplicável que eu sinto
Quando termino de ler um bom livro
A insustentável sensação
de ser e não ser livre
A vontade de saber voar
Contrastando com o medo de altura
A doçura do sorriso
daquela pessoa desconhecida
Que posou despercebida
Numa foto antiga da família
A saudade de amigos ausentes
O gosto de pitanga
Que a memória gustativa
Traz à boca
Eu posso sentí-las nos dentes
As plantinhas que nasciam
Nos cantos dos jardins
Nas escolas da minha infância
Incríveis coisas invisíveis
Que enxergava e ainda enxergo
Não é possível que os demais
estejam cegos

Inserida por edsonricardopaiva