Use o Silencio quando Ouvir

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A existência autêntica começa quando deixamos de viver segundo o roteiro alheio e assumimos a autoria incômoda de nossa própria finitude.

O absurdo nasce quando a inteligência exige uma resposta e o universo, indiferente às nossas perguntas, devolve apenas silêncio.

Mesmo quando o inverno parece absoluto, alguma região da alma conserva secretamente a estação que a morte ainda não conseguiu destruir.

A liberdade começa quando compreendemos que nenhuma ausência de correntes nos poupa da responsabilidade de escolher o caminho.

A existência somente se revela plenamente quando deixa de ser monólogo e se transforma em encontro entre consciências que aceitam não possuir uma à outra.

Tornamo-nos nós mesmos quando o outro deixa de ser objeto de nossa consciência e passa a ser presença indispensável à nossa própria existência.

A verdade raramente nasce do isolamento; muitas vezes ela começa quando duas consciências ousam discordar sem destruir a possibilidade do diálogo.

A esperança não é ingenuidade diante do futuro; é a coragem de permanecer aberto quando todas as certezas parecem ter encerrado suas portas.

Nada é mais perigoso que uma certeza quando ela encontra dinheiro, poder e uma plateia disposta a aplaudir.

A ciência investiga aquilo que pode ser demonstrado; a sabedoria começa quando reconhecemos aquilo que ainda não pode.

A liberdade de consciência começa quando o Estado reconhece que nem toda verdade religiosa pode ser convertida em verdade jurídica.

A ciência muda quando a evidência muda; o dogma muda apenas quando deixa de conseguir impedir a mudança.

Quando uma convicção exige imunidade contra evidências, ela já não está procurando a verdade; está protegendo a própria identidade.

O fanatismo começa quando uma hipótese deixa de ser uma possibilidade e passa a exigir submissão.

A verdade costuma ser ofensiva quando ainda ameaça interesses e banal quando já se tornou inofensiva.

A solidão começa quando descobrimos que estar acompanhado não significa necessariamente ser compreendido.

Algumas pessoas desejam tanto a nossa felicidade que ficam profundamente incomodadas quando descobrem que nossa tristeza também pode ser legítima.

Quando não conseguimos resolver um problema, inventamos uma narrativa suficientemente bonita para fingir que o compreendemos.

Quando alguém realmente pensa diferente, a primeira reação da maioria não é compreender: é procurar uma maneira de enquadrá-lo.

Quando o absurdo conquista a consciência como verdade, a violência encontra na crença uma autorização para agir.