Use o Silencio quando Ouvir

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A ciência descobre correlações; o Direito decide quando uma correlação pode produzir consequências jurídicas; o agnosticismo lembra que correlação não é explicação completa.

Quando uma crença religiosa influencia uma norma, sua influência ainda precisa atravessar a Constituição; convicção privada não é sinônimo de fundamento jurídico universal.

O problema não começa quando alguém acredita no impossível; começa quando exige que o impossível seja ensinado como fato científico sem evidência.

Quando uma afirmação religiosa sobre o mundo físico pode ser testada, ela entra no território da ciência; quando não pode, sua avaliação exige outra linguagem epistemológica.

A liberdade religiosa só amadurece quando o Estado laico também protege a liberdade de permanecer sem religião e a liberdade agnóstica de permanecer sem resposta.

Quando o Estado se torna religioso, a fé deixa de ser apenas convicção e começa a adquirir poder de coerção, enquanto a dúvida agnóstica pode transformar-se em suspeita política.

Quando a religião pretende governar o Estado, a liberdade de consciência começa a perder seu território, sobretudo para aqueles que não conseguem afirmar como certo aquilo que outros afirmam como revelado.

O que significa ser humano quando podemos criar máquinas que imitam aspectos da consciência humana?

O que acontece com o Direito de Família quando casamento deixa de ser a principal estrutura de intimidade e a inteligência artificial passa a oferecer formas de companhia?

Uma despedida somente se torna definitiva quando o nome deixa de encontrar morada em alguém.

O amor começa como encantamento, mas sua verdade revela-se quando o encanto sobrevive ao cotidiano.

Toda travessia começa quando o medo deixa de exercer soberania sobre o destino.

O sossego começa quando pensamento e desejo deixam de disputar entre si o governo do instante.

A alma encontra repouso quando aprende que um instante pode conter mais existência que uma longa sucessão de horas.

O homem começa a ser livre quando ousa perguntar se os valores que recebeu merecem continuar governando sua vida.

“A liberdade começa quando o homem deixa de ser objeto das vontades alheias e se reconhece como fim em si mesmo; o Direito existe, em sua forma mais elevada, para impedir que qualquer poder lhe retire essa condição.”

Quando a razão abandona a humildade, começa a confundir seus mapas com o território que jamais conseguiu possuir.

O amor nasce da liberdade do encontro; o casamento, quando mal compreendido, pode convertê-la na liturgia silenciosa da obrigação.

Quando o amor necessita de garantias para permanecer, talvez já esteja procurando na lei aquilo que deixou de encontrar no desejo.

Há algo de profundamente paradoxal em jurar eternidade quando ambos os amantes são criaturas submetidas à inexorável jurisdição do tempo.